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DESABAFO

Marcelo Adnet critica ataques após revelar abuso sexual na infância: 'Baixos e cretinos'

REPRODUÇÃO/GNT

Marcelo Adnet em entrevista virtual para o Saia Justa de quarta-feira (15), na GNT

Marcelo Adnet em entrevista virtual para o Saia Justa de quarta-feira (15), na GNT; ator revelou abuso sexual

REDAÇÃO

Publicado em 15/4/2020 - 22h23

Marcelo Adnet desabafou sobre os ataques que sofreu na internet após revelar abusos sexuais sofridos na infância. Em entrevista para o Saia Justa, do GNT, desta quarta-feira (15), o humorista criticou os comentários ofensivos. "Apesar dos ataques baixos e cretinos --que me fizeram até, em algum momento, rir de pena de quem me atacava--, a quantidade de carinho e apoio foi muito maior", analisou.

O comediante falou sobre a importância de denunciar abusos e ressaltou que os agressores, muitas vezes, ficam "protegidos" pelo medo que a vítima sente de se expor. No caso dos meninos e homens, o medo é ainda maior.

"Quando o menino é abusado sexualmente, escuta: 'Você é baitola, veado, tem cara de baitola, tomou porque gostou'. Existe esse outro medo, medo do ataque homofóbico e dessa ridicularização, que eu não temo", esclareceu. "Isso [ser gay] não é ofensa, mas as pessoas usam isso, essa rasteira, como forma de constranger a vítima", completou.

O trauma do humorista foi debatido por Mônica Martelli, Pitty, Gaby Amarantos e Astrid Fontenelle, que elogiou a coragem do artista em falar sobre as agressões. 

"Ser abusado não é um crime. Eu teria vergonha de dirigir bêbado. Teria vergonha de avançar o sinal vermelho. Sabe? Teria vergonha de evadir impostos. Isso me daria muito mais vergonha do que ser vítima de abuso", comparou.

"Eu tive mais de 25 anos para pensar nisso. Para estar falando agora com vocês foram mais de 25 anos. Então, tem essas peculiaridades no meu caso. O ser humano é um universo e cada caso é um caso", manifestou. 

Astrid entrevista Adnet virtualmente no Saia Justa

"São várias camadas de dor, de complicação para se lidar. Hoje posso falar com tranquilidade porque tive tempo para lidar. Acho que a vítima não tem culpa. É uma cicatriz na minha vida, uma coisa traumática", disse ele. 

"É um tema pesado e necessário. É bom falar de tabu, adoro falar de tabu. Adoro acatar temas que são encarados como tabu, sempre gostei de abordar esses temas", complementou. 

O artista deu mais detalhes do abuso sofrido por um caseiro da casa em que costumava passar férias no Rio de Janeiro. "A primeira vez foi com sete anos de idade. Tive grande sorte dos meus pais e avós voltarem para casa logo no momento em que ele estava consumando o ato. Foi uma coisa quase mágica", contou. 

"A criança não sabe o que é sexo. Mas ela sabe que existe algo ali que não é certo, que é construído em cima de uma ameaça. No meu caso, tinha morrido a cachorra da casa, e ele [o agressor] me falou que poderia me trazer a cachorra de volta se eu fizesse o que ele mandava. Essa foi a ameaça", denunciou. 

Anos depois, a situação se repetiu com uma pessoa próxima da familia, que não chegou a consumar o ato. "Falei para minha mãe muitos anos depois. Na minha cabeça, eu achei que tinha falado com meus pais", frisou. 

"Falei com a minha mãe há poucos anos sobre isso. Em algum momento, eu não queria ferí-los. Não queria que eles sentissem uma dor que não era deles. Não houve culpa direta dos meus pais. Queria poupá-los dessa chateação, que não ia levar a nada", analisou. 

Durante o bate-papo, Adnet ainda falou sobre a importância da educação sexual para as crianças. "Não é ensinar a fazer sacanagem", enfatizou. "A criança pode se sentir mais à vontade de falar sobre isso com um professor ou um educador do que com um pai ou uma mãe", finalizou.

O Saia Justa ganhou um novo formato durante a quarentena. O programa segue ao vivo, com Astrid comandando o debate diretamente do estúdio da GNT. Suas colegas de sofá entram ao vivo direto de suas casas. Os convidados participaram virtualmente para respeitar a recomendação do distanciamento social. 

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