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DIA DE LUTA

Inclusiva, TV peca em representatividade de pessoas com deficiência: 'Ainda engatinha'

PAULO MAUZER/RECORD

No primeiro plano, uma mão segura uma câmera, o foco da imagem vai no segundo plano, no qual Daniel Toko está vestindo uma camiseta marrom e segura o microfone perto da boca enquanto fala

Daniel Toko é o primeiro e único repórter com agenesia de membro no Brasil

ISABEL MELLO

isabel@noticiasdatv.com

Publicado em 21/9/2021 - 6h35

Celebrado nesta terça (21), o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência volta a atenção para indivíduos invisibilizados na maior parte do tempo. Mesmo representando 25% da população brasileira segundo o censo de 2010, os PcDs ainda têm um longo caminho a percorrer rumo à igualdade de oportunidades. A televisão é uma das ferramentas mais poderosas no que diz respeito à força de representatividade, mas se mostra lenta no movimento de acolhimento de profissionais com deficiência.

Daniel Toko é o primeiro e único repórter com agenesia de membro no Brasil. No caso dele, a síndrome provocou a má formação de seu braço direito.

Formado em Rádio e TV, ele iniciou sua carreira nos bastidores. Apesar de nunca ter tido o sonho de trabalhar frente às câmeras, sabia que seria um comunicólogo. "Eu trabalhava como produtor de televisão na Globo e depois fui para a Record", explicou.

Tem espaço?

Já na emissora de Edir Macedo, o paulista começou a fazer reportagens e entrevistas. Nesse momento, Daniel se sentiu atraído pela profissão de repórter, mas foi pego pela insegurança. "Eu olhei para TV e falei: 'Não, não tem essa vaga para mim, não existe'. Nunca existiu uma vaga. Nem a Record estava procurando por uma pessoa com deficiência, não tinha um planejamento para isso. Eu aconteci dentro da Redação."

Eu convenci uma diretora a fazer um piloto às escondidas para apresentar para a Redação, a direção e a presidência, e acabou acontecendo. A gente gravou, e a presidência gostou, então me chamaram para ir ao ar de vez.

Daniel explicou que não passou por experiências nas quais a sua condição se mostrou um impeditivo para a aprovação de uma oportunidade de trabalho, mas ressaltou: "Na minha vida, eu sempre procurei por vagas para pessoas com deficiências, nunca saí fora da caixa. A primeira vez que eu saí foi como repórter da Record, e acabou dando certo".

Ponto fora da curva, o profissional reforça a falta de representatividade no ramo. Para ele, a TV está "engatinhando" bem devagar nesse aspecto e deveria acompanhar as transformações vistas com potência nas redes sociais. "Na internet, as pessoas com deficiência estão se empoderando, virando influencers, tendo milhares de seguidores. A TV tem que se render, não tem mais volta", afirma.

Lorrane Silva, conhecida como Pequena Lo pelos internautas, ganhou visibilidade por meio de seus vídeos de humor compartilhados no TikTok. A mineira de 25 anos tem os membros encurtados por conta de uma deficiência não identificada.

Formada em Psicologia, foi na internet que ela se encontrou. Além de um fenômeno das redes, Lo se tornou um exemplo de que a web abre caminhos para novas possibilidades --muitas vezes, inalcançáveis no imaginário do criador de conteúdo. Em 2020, o Multishow fechou um contrato com a jovem, e ela passou a apresentar o programa Prazer, Luísa! ao lado de Luísa Sonza.

A nova era

Apesar de mais diversa e inclusiva, a TV ainda peca na representatividade de pessoas com deficiência. Pautas imprescindíveis e de extrema relevância, como a luta contra o racismo, o sexismo e a LGBTQIfobia, vêm sendo trabalhadas com mais ênfase nos últimos anos e podem servir de inspiração para fomentar a necessidade de incluir a temática dos PcDs.

"A nova era chegou, e a nova era é para todos. Era da coletividade. Era da inclusão. Já somos iguais perante o universo, agora é a hora de manifestar essa igualdade", declara Daniel.

Além dele, outros profissionais da comunicação que têm alguma deficiência conseguiram espaço no telejornalismo. Flávia Cintra, por exemplo, é cadeirante e repórter do Fantástico. Juliana Coutinho Oliveira é tetraplégica e, assim como Fernanda Honorato, que tem síndrome de Down, trabalha na TV Brasil.

Na visão do repórter, sair da posição de vítima é essencial para alcançar os seus sonhos. "É uma coisa meio dura de falar, mas quando eu me vitimizava e me colocava como a pessoa com deficiência, como um coitado, as pessoas assim me olhavam. Os comentários que eu recebia, os olhares eram exatamente iguais aos que eu emanava de dentro de mim."

Ainda são poucas as referências, mas Toko afirma que é preciso coragem para enfrentar o mundo. "Tenham muita coragem, encarem qualquer desafio, qualquer pessoa que diz que não dá, [seja] amigo, familiar, qualquer gestor de empresa, vá e faça."


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