FLÁVIA CINTRA

Sem acessibilidade, jornalista cadeirante da Globo interrompe reportagem no meio

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Glória Vanique (à esq.), Flávia Cintra (centro) e Sabina Simonato (à dir.); Bom Dia SP mostrou falta de acessibilidade - REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Glória Vanique (à esq.), Flávia Cintra (centro) e Sabina Simonato (à dir.); Bom Dia SP mostrou falta de acessibilidade

REDAÇÃO - Publicado em 16/07/2019, às 09h04 - Atualizado às 09h14

A repórter Flávia Cintra pediu desculpas durante o Bom Dia São Paulo, da Globo, desta terça-feira (16) por não conseguir terminar sua matéria sobre acessibilidade na capital paulista. Cadeirante, a jornalista demorou para embarcar em um ônibus e depois não conseguiu atravessar uma calçada estreita e esburacada. Ao fim da edição do jornal, ela deixou clara sua frustração.

Com reportagens no quadro Anda SP, Flávia mostra sua realidade como cadeirante em São Paulo. Na edição de hoje, ela apresentava o trajeto para a Zona Cerealista, no centro da cidade, local onde há venda de produtos a granel a preços mais em conta do que em mercados comuns.

Apesar de Flávia fazer sinal para embarcar, um motorista quase não parou o ônibus. Ela perguntou se poderia entrar, mas ele explicou que o veículo estava muito cheio, e a aconselhou a esperar o próximo. A apresentadora Glória Vanique ficou indignada com a situação. "Você está nesse ponto desde o começo do jornal, desde as 6h, deu prioridade para outra cadeirante [embarcar], mas em mais de uma hora você não conseguiu embarcar. Isso é um absurdo!", disse a âncora. 

"É, está difícil. Alguns ônibus não têm acessibilidade, ou não param. Nesse último que mostramos ao vivo, o motorista educamente sugeriu para aguardar por outro", respondeu a repórter, sem graça.

A jornalista Sabina Simonato disse que ia cobrar explicações da Prefeitura sobre o desrespeito sofrido pela cadeirante.

Flávia ficou animada quando chegou um ônibus mais vazio, porém houve dificuldade para embarcar por causa da altura do veículo. Três pessoas tiveram que ajudá-la a subir com sua cadeira elétrica. O cinegrafista capturou o desconforto de alguns passageiros que aguardavam a repórter terminar seu embarque.

Durante o painel com comentários de espectadores, um internauta questionou quanto tempo Flávia levaria para conseguir entrar em um ônibus se não houvesse câmeras da Globo registrando tudo.

Com a voz embargada, a repórter disse que muitos motoristas dão a justificativa de que o elevador do ônibus está quebrado. "Essa má-vontade, e faz a pessoa sentir como se ela tivesse incomodando, sendo que ela está apenas exercendo um direito", desabafou Flávia. "Não é nada fácil", completou.

Após algumas reportagens, o estúdio voltou para o link da repórter, e Sabina aproveitou para dizer que a SPTrans, órgão responsável pelos ônibus do transporte público de São Paulo, respondeu aos questionamentos do jornal.

"Eles disseram que vão cobrar os motoristas que não pararam para o seu embarque", disse Sabina. Glória pontuou que foram quatro funcionários que recusaram Flávia e sugeriu fazer um curso de reciclagem com todos.

Ao desembarcar em uma avenida movimentada, a repórter tentou se locomover em uma calçada cheia de buracos e um pouco íngreme. Ela, então, percebeu que não conseguiria completar o trajeto porque a calçada era estreita demais, imposibilitando a chegada até a faixa de pedestres

"Estou muito chateada porque o jornal está acabando e eu não vou conseguir cumprir a minha promessa de mostrar a Zona Cerealista. Vocês me desculpam?", perguntou ela.

"Você está mais que desculpada, Flávia! O que a gente não desculpa é a condição dessa cidade, que é super inacessível para as pessoas cadeirantes", respondeu Glória. Constrangida, Flávia mal conseguiu se despedir do jornal.

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