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MEMÓRIA DA TV

Há quase 60 anos, primeira novela diária venceu precariedade e torcida contra

REPRODUÇÃO/TV EXCELSIOR

Glória Menezes e Tacísio Meira (1935-2021) em cena de 2-5499 Ocupado, novela da TV Excelsior (1960-1970)

Glória Menezes e Tacísio Meira (1935-2021) em 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior (1960-1970)

THELL DE CASTRO

Publicado em 31/7/2022 - 8h15

Há 59 anos, no dia 22 de julho de 1963, estreava uma trama histórica, porém pouco conhecida das novas gerações. Trata-se de 2-5499 Ocupado, novela produzida pela extinta TV Excelsior (1960-1970) a partir da adaptação de Dulce Santucci (1921-1995) para o original de Alberto Migré (1931-2006).

Se não é lembrada pela sua repercussão ou, então, pela qualidade de produção, ainda precária, a atração ficou marcada por ter sido a primeira novela diária da televisão brasileira. Na verdade, no início a exibição ocorria às segundas, quartas e sextas. Pouco mais de um mês após a estreia, a emissora resolveu exibir a trama diariamente.

Para isso, contou um esforço hercúleo dos artistas e da equipe técnica e venceu a desconfiança dos profissionais do meio, que acreditavam que uma novela diária não daria certo.

"Fazíamos a novela no Teatro Cultura Artística (alugado pela Excelsior para gravações). A gente esperava a TV fazer os programas e gravávamos à noite inteira, até de manhã. Tínhamos de esperar a montagem e desmontagem dos cenários. Era muito desgastante", contou a atriz Lolita Rodrigues ao jornal O Estado de S. Paulo de 22 de julho de 2013.

Outro fato que coloca 2-5499 Ocupado na história é que foi a primeira novela a reunir Tarcísio Meira (1935-2021) e Glória Menezes, que tinham se casado no ano anterior.

Eles foram, respectivamente, os protagonistas da trama, Larry, um advogado, e Emily, uma detenta que trabalhava como telefonista no presídio. Após uma ligação feita por engano, eles conversam e se apaixonam apenas pelas suas vozes, sem nunca terem se visto.

Críticas

"Era uma novela muito chata, muito ruim", declarou Tarcísio certa vez ao Vídeo Show. Em seu O Livro do Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que passou pela Excelsior antes de brilhar na Globo, também detonou a produção.

"Em uma viagem à Argentina, o Edson [Leite (1923-1983), executivo da emissora] viu uma novela que fazia sucesso e resolveu comprá-la. Era a 2-5499 Ocupado, um texto péssimo e brega. [...] O produto era ruim demais e fez sucesso nas costas do Tarcísio Meira e da Glória Menezes. Ainda bem que só estreou quando eu não estava mais lá. [...] A primeira novela diária da televisão brasileira e uma das piores já exibidas por aqui", disparou o executivo.

Apesar disso, o doutor em teledramaturgia Mauro Alencar, ao Estadão, ressaltou a importância da atração. "Além do par romântico, estabeleceu a estrutura narrativa dos ganchos no final de cada capítulo, como já se fazia em Cuba e na Argentina", pontuou.

Para finalizar, mais duas curiosidades: na época da exibição, um rapaz do sul do Brasil acabou mudando seu número de telefone por coincidir com o título da novela. Já em 1999, a Record produziu Louca Paixão, com Maurício Mattar e Karina Barum, baseada no mesmo texto argentino.


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