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CACO CIOCLER

Em 1998, ator se surpreendeu com resposta do público a casal gay no Você Decide

JOÃO MIGUEL JUNIOR/TV GLOBO

O ator Caco Cicoler com boné, de bigode, posa em frente a uma janela com rede de proteção

Caco Ciocler passa a quarentena em sua casa em São Paulo; ator fez diversos episódios do Você Decide

DANIEL FARAD, do Rio de Janeiro

Publicado em 19/8/2020 - 7h00

Em 1998, o desfecho escolhido pelo público em um dos episódios do Você Decide (1992-2000) pegou Caco Ciocler de surpresa. Ao lado de Tuca Andrada, o ator deu vida a um casal gay que batalhava na Justiça pela guarda de uma criança. Ao contrário de suas piores expectativas, os telespectadores decidiram a favor dos dois.

"Vocês nem eram nascidos (risos), mas as pessoas tinham que decidir se a gente podia ou não adotar uma menina. A resposta foi sim. E olha que isso tem 22 anos", pondera o artista em entrevista ao Notícias da TV.

Na época, a Globo tomou todo o cuidado para evitar uma rejeição recorde à trama, já que Sílvio de Abreu tinha precisado "explodir" as lésbicas Ângela (Claudia Raia) e Leila (Silvia Pfeifer) poucos meses antes para salvar Torre de Babel (1998). Para piorar a situação, Caco tinha acabado de sair de um papel religioso --ele fazia o rabino Davi de O Amor Está no Ar (1997).

A história de Um Lar para Clarice girava em torno da empregada Fátima (Luciana Braga), mãe solteira de uma menina de um ano, que morava na casa de Roberto (Tuca Andrada) e Bruno (Caco Ciocler). Após a morte trágica da funcionária, o casal entrava em uma disputa judicial com a tia da criança --ela defendia que a criança ficasse sob a tutela de alguém "do mesmo sangue".

Há duas décadas, pouco se discutia sobre novos arranjos familiares e muito menos sobre famílias formadas por parceiros homoafetivos. A figura do pai que sustentava e controlava a casa com mãos de ferro ainda era bastante presente na dramaturgia brasileira e pouco problematizada.

Ciocler, aliás, observa que houve uma mudança substancial na sociedade brasileira desde então, sobretudo na construção da masculinidade --mais afetiva e menos tirânica. "Os nosso filhos são criados desde já para não serem homens tóxicos, mas é algo que ainda vai demorar, porque passa de geração em geração", avalia.

Ele acredita, no entanto, que as figuras paternas na televisão não acompanharam essa evolução. "O pai é pouco explorado na ficção na sua complexidade, ou é aquela pessoa permissiva ou o vilão malvado, abusador. Acho que tem a ver com o fato de que nós homens somos poucos preparados para discutir isso. É difícil", ressalta o intérprete de Peter na reprise de Novo Mundo.

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