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NA LIFETIME

Cinco motivos para conferir Lorena Bobbitt: A Mulher Que Castrou o Marido

FOTOS: REPRODUÇÃO/LIFETIME

Dani Montalvo em cena de Lorena Bobbitt: A Mulher Que Castrou o Marido, da Lifetime

Dani Montalvo em cena de Lorena Bobbitt: A Mulher Que Castrou o Marido, da Lifetime; drama real

ELBA KRISS

elba@noticiasdatv.com

Publicado em 25/11/2020 - 6h55

Em 1993, o nome de Lorena Bobbitt circulou na imprensa internacional em um crime bárbaro. Então com 22 anos, a jovem natural do Equador casada com um militar norte-americano virou notícia ao cortar o pênis do marido, John Bobbitt. O ato, na verdade, era uma resposta após anos de abuso. O relato dramático virou filme, Lorena Bobbitt: A Mulher Que Castrou o Marido, grande estreia desta quarta-feira (25), no canal Lifetime. A exibição será às 20h55.

No passado, o caso de polícia ocorrido na cidade de Manassas, na Virgínia, virou piada nos tabloides dos Estados Unidos. Agora, 27 anos depois, a mulher que mutilou o parceiro revela que sua história é uma consequência da violência doméstica, sem espaço para risadas. 

Aos 50 anos, ela hoje é Lorena Gallo, reconstruiu sua vida, se casou novamente e tem uma filha. A mulher é ativista da causa contra a violência doméstica e criou uma organização própria, a Lorena Gallo Foundation, que tem como missão disseminar informações sobre o tema e, principalmente, ajudar as vítimas.

O lançamento do filme nesta quarta-feira tem um motivo especial: 25 de novembro marca o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Soma-se a isso o fato de que, por causa da pandemia do coronavírus, o feminicídio aumentou no mundo inteiro. No Brasil, por exemplo, foram registrados 936 casos entre 1º de janeiro a 31 de outubro último.

E foi em nome de sua luta que Lorena decidiu contar a história em um filme, estrelado por Dani Montalvo (Lorena) e Luke Humphrey (John). Para ela, é uma maneira de educar novas gerações sobre a questão. Mais do que isso, ela quer alertar jovens que se encontram em situações semelhantes.

"É importante que todo mundo veja o filme. Essa situação de violência doméstica é uma realidade. Temos que ter consciência do que está acontecendo. Estamos vivendo uma epidemia social em meio a uma epidemia viral. Isso não pode continuar assim. Temos que quebrar o silêncio", desabafa Lorena.

O Notícias da TV lista cinco motivos para você conferir o drama. Confira:

Realidade sufocante

Em 1993, Lorena já estava casada há quatro anos com John Bobbitt. A união foi marcada por uma série de abusos. A jovem era vítima de agressão física, psicológica, moral e sexual. Sua vida se tornou um inferno. Na noite fatídica do acidente, ela foi estuprada após o parceiro chegar bêbado em casa. 

Lorena Gallo com Dani Montalvo, atriz que a interpretou no filme que o canal Lifetime exibe nesta quarta (25)

Em um momento de desespero, cortou o pênis do marido com uma faca de cozinha. Fora de si, saiu pela cidade em seu carro. Ao perceber que ainda estava com o órgão mutilado nas mãos, jogou o membro pela janela.

A polícia foi acionada, o pênis decepado foi encontrado por cães farejadores em um matagal próximo a uma rodovia e reimplantado no rapaz. Toda essa narrativa virou chacota na imprensa norte-americana durante meses. Agora, o que o longa revela é que Lorena passou por um episódio limite e seu ato foi resultado de anos de horror. 

"O que vocês verão é exatamente o que aconteceu. O filme mostra as atrocidades que passei, a vulnerabilidade da vítima e a monstruosidade do abusador", declara ela à reportagem.

"Meu caso aconteceu há 30 anos. Nessa situação, eu não tinha muita informação. Quando eu ligava para a polícia, muitos oficiais não sabiam como enfrentar a situação nem como falar com as vítimas. Eu tinha muito medo de falar ou ligar para a polícia porque era algo íntimo. Muitos psicólogos me disseram que eu sofria da síndrome da mulher abusada. Eu estava presa a ele e tinha fé que meu marido ia mudar. Mas ele nunca melhorou, só piorou", relembra.

Não é uma piada

No passado, John Bobbitt, o agressor, foi acusado de violência sexual e inocentado. Lorena também foi a julgamento. O júri a considerou inocente por insanidade temporária. Com o passar dos anos, o ex-marido abusador teve uma trajetória bem diferente da ex-parceira. Ele virou ator pornô e circulou na mídia norte-americana em diversos escândalos, motivando ainda mais as risadas ao redor dos fatos. Anos depois, respondeu por outros casos de abuso contra mulheres.

Para Lorena, o circo montado ao redor de sua história camuflaram o verdadeiro drama. "Não posso falar por ele nem explicar as coisas que fez, os filmes e a chacota. A sociedade se baseia no que os meios de comunicação noticiam. Infelizmente, perderam uma oportunidade de dar informação para o público sobre essa situação. A essência do episódio é de violência doméstica e abuso sexual", lamenta.

"Nunca deixei de contar a minha história, porque tive muito apoio durante meu julgamento. Tive apoio de comunidades latinas e do mundo inteiro. Isso me deu força para seguir adiante com minha missão e continuar contando minha história. Tive a necessidade de que o mundo soubesse", desabafa ela.

Filme feito por mulheres

Lorena é a produtora-executiva do filme e também a narradora do longa. É a voz dela que detalha os anos de terror que passou em seu casamento. Além disso, ela fez questão de que a equipe que trabalhou nos bastidores fosse feminina. 

"Nessa produção, eu narrei, a escritora foi uma mulher, a diretora foi uma mulher e tínhamos mulheres como câmeras. Também haviam homens, mas eram mais mulheres", conta.

"Estive muito envolvida [na produção], aprendi muito sobre filmagem. Como fui narradora, tive que me preparar porque eu não estava à vontade em reviver essas situações obscuras da minha vida e meus traumas. Mas era importante e deu mais valor ao fato de eu poder dizer: 'Esse filme é meu, eu que fiz e essa é a verdade'", completa.

Vítima é ativista

Desde 2018, Lorena transformou seu drama em inspiração para criar a Lorena Gallo Foundation, que visa conscientizar, ajudar e intervir por vítimas de violência doméstica e abuso sexual. 

"Minha missão é que as vítimas possam sair da situação de abuso. Levo isso para o lado pessoal, porque vivi esse calvário. Não quero que ninguém sofra outra vez. Por exemplo, eu tentava sair da minha casa e até dormia no carro porque não tinha para onde ir. Não quero que nenhuma mulher passe por isso. Então, gostaria de ter um albergue para que as vítimas tenham para onde ir com seus filhos e quebrem esse ciclo de violência", adianta.

Heroína?

Em suas redes sociais, Lorena costuma ler comentários de mulheres que a consideram até uma heroína pelo episódio de 1993. Não é difícil uma mulher chamá-la de "ícone". O ato extremo de defesa para ela é, na verdade, sinônimo de algo negativo. Ela aceita ser um símbolo, sim, mas da luta contra a violência.

"Cada pessoa tem uma opinião. Eu não sei o que aconteceu na minha mente [naquele dia]. Não foi algo planejado. Não foi um episódio que pensei: 'Ah, isso vai acontecer com ele'. Pessoas que pensam que sou uma heroína, uma salvação ou algo assim... É, simplesmente, a opinião de cada um. Eu respeito. Mas não sinto que fiz algo heroico", declara.

"O que vivi foi violência doméstica. E isso é negativo porque estamos sofrendo. A vítima sofre, e o abusador também, às vezes. São duas pessoas que estão vivendo nesse ciclo tóxico. Violência doméstica é questão de sobrevivência. É questão de vida ou morte", finaliza.

Veja chamadas de Lorena Bobbitt: A Mulher Que Castrou o Marido:


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