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IRMANDADE

Seu Jorge abre mão da liberdade para estrear na TV: 'Regime semifechado'

Aline Arruda/Netflix

Seu Jorge em cena no presídio de Irmandade, novo drama nacional da Netflix

O ator e cantor Seu Jorge em cena da série Irmandade, na qual interpreta o líder de uma facção

LUCIANO GUARALDO

Publicado em 28/10/2019 - 5h17

Aos 49 anos, o ator e músico Seu Jorge faz sua estreia no elenco fixo de uma série de TV em Irmandade, atração nacional da Netflix que mostra o surgimento de uma facção criminosa. Ele interpreta o líder do grupo, Edson, que comanda tudo de dentro do presídio onde cumpre pena. As gravações ocorreram em um centro de detenção de verdade, e o artista abriu mão da própria liberdade. "Era um regime semifechado", define.

A brincadeira é uma referência à rotina que equipe e elenco levaram durante as cenas rodadas na Penitenciária Estadual de Piraquara, na Grande Curitiba. "A gente chegava de manhã, ficava o dia inteiro lá e só saía à noite. Mas a equipe teve de seguir todas as restrições do local. Não podia nem usar celular, porque a 500 metros de lá os aparelhos já não pegam", justifica o cantor do hit Burguesinha.

Apenas um pavilhão do complexo estava desativado para as gravações, e o resto era usado por presos reais --que podiam acompanhar tudo das janelas de suas celas e até "adotaram" a Irmandade como uma facção real, com direito a gritos de apoio.

A experiência no presídio marcou Seu Jorge. "Foram muitas semanas ali, um plano de gravações muito grande, com elenco e equipe enormes, várias restrições, porque a gente tinha de seguir as regras do sistema carcerário ali. E eu via os presos nos outros pavilhões e ficava preocupado, porque não queria cair no estereótipo. A gente estava, de certa forma, representando todos ali também."

Os dias na cadeia também renderam um perrengue para a equipe. "Teve um dia que veio uma identidade colada com a minha, e o dono dela ficou preso lá. Só pôde sair quando o documento dele voltou, porque tem todo um regulamento", lembra ele.

reprodução/netflix

Seu Jorge em cena tensa da rebelião dos presos em Irmandade: líder também nos bastidores


Líder na ficção e nos bastidores

Em A Irmandade, o ator interpreta o líder da facção criminosa, e nos bastidores da série Seu Jorge acabou assumindo também uma posição de comando do elenco de apoio. Principalmente durante as tensas cenas de rebelião no presídio.

"Eu olhava para a figuração, uma turma que não tem as mesmas oportunidades, e queria ajudar, pegar esses caras para mim, cuidar mesmo. Tinham umas sequências perigosas, a gente correndo em cima do telhado, e a construção é antiga, não tinha muita segurança. Todo mundo com pau, pedra, a equipe com câmera, cabo... Eles precisavam entender os riscos, o limite de até onde a gente podia ir, mas no meio daquela gritaria, ninguém ouvia o comando [da direção]. Alguém tinha que liderar esse negócio, e eu peguei essa responsabilidade para mim", explica o ator.

Apesar dos riscos e das privações, ele valoriza a oportunidade de ter gravado os episódios em um presídio de verdade. "Acho que eu consegui o acabamento do personagem só no presídio. Fui entender o Edson quando cheguei na locação, vi o ambiente, os objetos de cena. Ali as coisas foram acontecendo."

O ator e cantor ainda defende a abordagem que a série dá a Edson: apesar de liderar uma facção criminosa e de cometer barbaridades ao longo da temporada, o personagem é humanizado, e o público chega até a se identificar com ele em alguns momentos.

"É um homem que vive na angústia, tem muita força, mas tem princípios. Para ele, o caminho do certo não tem volta. Em um universo em que tudo está por um fio, eles têm de manter o mínimo de decoro no dia a dia, senão vira o caos."

A primeira temporada de A Irmandade está disponível na Netflix desde sexta-feira (25). Confira o trailer da atração criada por Pedro Morelli:

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