Sharp Objects

Maquiador de mutantes revela como fez 350 cicatrizes no corpo de Amy Adams

Imagens: Divulgação/HBO

A atriz Amy Adams na minissérie Sharp Objects, com o braço todo cheio de palavras rabiscadas - Imagens: Divulgação/HBO

A atriz Amy Adams na minissérie Sharp Objects, com o braço todo cheio de palavras rabiscadas

REDAÇÃO - Publicado em 08/08/2018, às 06h03

O telespectador de Sharp Objects viu pela primeira vez, no último domingo (5), o corpo da personagem Camille Preaker coberto de cicatrizes. A atriz Amy Adams, que dá vida à jornalista perturbada da nova minissérie da HBO, ficou duas horas imobilizada para receber, dos pés ao peito, tatuagens temporárias de 350 palavras rabiscadas, todas produzidas pelo maquiador Adrien Morot, que trabalhou nos dois últimos filmes da franquia X-Men.

Em entrevista ao site Vulture, Morot descreveu o processo, justificou o porquê de todo o tempo gasto com Amy e como procurou deixar cada palavra mais próxima da realidade de quem corta seu próprio corpo, um dos temas centrais da produção.

"É fácil maquiar um mutante coberto de azul, porque não há uma preocupação com a fidelidade, ninguém sabe como um mutante realmente é", falou Morot. "Mas com Camille, foi necessário um cuidado maior com a exatidão [dos cortes]." 

Morot usou uma dublê para que ela escrevesse em si mesma algumas palavras. Usando um marcador, a modelo rabiscou cada letra como se estivesse usando uma lâmina ou faca, seguindo as instruções do maquiador, que estudou a fundo casos reais de pessoas que se automutilam.

No livro no qual a série se baseia, chamado no Brasil de Objetos Cortantes, são citadas 60 palavras que estão no corpo da jornalista Camille. Morot notou que tal número seria insuficiente para preenchê-la por completo. Daí, com ajuda do time de roteiristas, ele escolheu outras 290 palavras para chegar no número ideal.

Barriga de Amy Adams coberta de rabiscos no quinto episódio da minissérie Sharp Objects

As palavras escritas no corpo da modelo serviram como base para criar moldes. O maquiador bolou uma técnica inédita para fazer as cicatrizes. Ao invés de silicone, material comumente usado nesse tipo de trabalho, Morot inventou um produto feito com adesivo medicinal, parecido com aqueles curativos para aliviar dores musculares.

Em seguida, ele pressionou os emplastros contra os moldes em que estavam escritas as palavras. O material resultado foi aplicado no corpo de Amy como se fosse uma tatuagem temporária.

Esse processo se repetiu todos os dias. Em filmagens de cenas nas quais Amy ficou totalmente exposta, o processo demorou duas horas (e mais duas horas no final do dia para retirar os adesivos). Caso apenas alguma parte do corpo ficasse à mostra, o trabalho não passava de 20 minutos.

Houve também o cuidado de fazer com que o material não perdesse a consistência nas variações de temperatura. Como a minissérie foi rodada no Estado da Georgia (terra de Walking Dead), era resistente o suficiente ao calor e à água fria, já que a personagem é adepta dos banhos de imersão.

De blusa no calor
Sharp Objects acompanha o trabalho da jornalista Camille Preaker (Amy), encarregada de escrever sobre a morte de uma garota pré-adolescente e o desaparecimento de outra, em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde ela cresceu. Ao mergulhar na investigação, relembra momentos aterrorizantes do próprio passado.

Somente no episódio do último domingo, o quinto, o telespectador viu Camille toda rabiscada. Ela estava em uma loja com a mãe, Adora Crellin (Patricia Clarkson), e a irmã, Amma (Eliza Scanlen), provando vestidos para irem a uma festa. Rolou um desentendimento, e Camille, só de sutiã e calcinha, saiu do provador e ficou exposta, para choque da irmã, que nunca tinha visto os cortes.

Isso porque, mesmo em dias ensolarados e quentes, Camille só anda de calça e blusa de manga longa. Até então, apenas o telespectador conhecia um pouco do que estava escrito no corpo dela, exibido em momentos de intimidade.

 

Os episódios têm títulos extraídos de cicatrizes de Camille, como Vanish (desaparecer)

O curioso é que o título de cada episódio é uma palavra retirada da pele da jornalista. Em algum momento do capítulo, a câmera fecha na palavra do dia. No episódio de domingo, a palavra foi closer (traduzida pela HBO como "mais íntima"), escrita na nádega da personagem.

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