Caos teen

Festival de pênis à parte, qual é a trama de Euphoria, drama polêmico da HBO?

Imagens: Divulgação/HBO

Zendaya no drama Euphoria; ex-Disney, atriz de 22 anos dá show na série que exibe uma festival de pintos - Imagens: Divulgação/HBO

Zendaya no drama Euphoria; ex-Disney, atriz de 22 anos dá show na série que exibe uma festival de pintos

JOÃO DA PAZ - Publicado em 03/07/2019, às 05h51

Drama polêmico da HBO, Euphoria ignorou todos os tabus acerca do nu masculino nas séries de TV e vem mostrando todo tipo de pênis, de grande e ereto a micro. Teve ainda uma cena com falos de todas as cores, tamanhos e formas. Além de uma aula, com direito a professora e alunos, de como tirar uma foto ideal do pinto para mandar para a(o) crush. Tudo isso nos três primeiros episódios. Pênis à parte, sobra algo na trama de Euphoria?

O teste é simples. Para saber se uma série tem uma trama de verdade, basta pensar em como explicar a história para um amigo, de forma concisa. O exemplo de 13 Reasons Why (Netflix), da mesma seara de Euphoria, é emblemático.

A história de 13 Reasons Why acompanha uma garota que sofre bullying na escola. O drama detalha como tal agressão pode levar a vítima à morte, de fato, e destrincha comportamentos desprezíveis, tratados por alguns apenas como brincadeirinhas.

E Euphoria, do que se trata? Provavelmente, quem chegou até o terceiro episódio vai dizer que a série da HBO acompanha a jornada de Rue Bennett (Zendaya), uma adolescente de 17 anos viciada em drogas.

Mas esse aspecto não é explorado ao seu máximo, em uma história linear. Euphoria não se cansou de mostrar Rue abusando de drogas, chocando telespectadores. Compreensivelmente, parte do público largou a série no meio do caminho devido às cenas pesadas, como a de Rue espumando pela boca após uma overdose.

Não fica muito claro para onde Euphoria quer levar Rue. Existem caminhos bons, mas até agora nada aconteceu, a não ser ela bater boca com seu traficante e passar por apuros. O ponto a ser explorado, com muito potencial, é a amizade dela com Jules Vaughn (Hunter Schafer), sua nova amiga trans da escola.

As duas têm boa conexão, só que a série flerta com um romance entre elas, um anticlímax total. Jules poderia ser não apenas um porto seguro para Rue desabafar sobre seus perrengues contra as drogas, mas também aquela que poderia ajudá-la a se livrar do vício.

Paralelamente à trajetória de Rue, os personagens satélites não ganharam corpo suficiente para dar um caldo razoável, pois têm suas histórias apresentadas esporadicamente, com pouco desenvolvimento. Isso vale para a gordinha que transforma um vazamento de um vídeo pornô em oportunidade de ganhar dinheiro ou para o machão atleta e marombado que tem tara por pênis de estranhos.

Rue (Zendaya) dá aula em Euphoria e pergunta: "Como seria essa rara foto de pau aceitável?"


Convite à balbúrdia

O caos de Euphoria é irônico. A balbúrdia da série serve como um espelho para a vida de adolescentes, americanos ou não. Contudo, é completamente plausível que os telespectadores duvidem da veracidade das vidas sexuais tão insanas dos personagens. Como mostram pesquisas recentes, os jovens de hoje fazem menos sexo do que os de gerações anteriores.

Por mais que o sexo pareça inverossímil em alguns casos e verídico em outros (como quando um jovem viciado em pornografia tenta replicar o que vê nos vídeos com sua namorada), Euphoria dá mole ao não focar em uma narrativa realmente boa, capaz de prender o telespectador.

O festival de pênis não precisa diminuir, pelo contrário, visto que isso colocou a atração em evidência por fazer em apenas em três episódios o que nenhuma outra série havia feito num curto período. Mas é lamentável notar que só se fala disso ao comentar sobre o drama e não de histórias interessantes que estão ali adormecidas, prontas para serem regadas e cultivadas.

Seja como for, Euphoria tem um motivo pelo qual merece ser vista, acima disso tudo: Zendaya. Aos 22 anos, a atriz reforça seu talento e crava seu nome na elite jovem hollywoodiana.

Ex-estrela da Disney, alçada à fama pela atração K.C. Undercover (2015-2018), ela se entrega ao papel de Rue e tem momentos marcantes que vão do êxtase à tristeza em um piscar de olhos. Sem dúvida, ela faz jus à menção na lista de melhores atrizes dramáticas do ano no mundo das séries.

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