COISA MAIS LINDA

Feminismo precoce e bossa nova: Netflix faz série nacional para gringo ver

Fotos: Aline Arruda/Netflix

Maria Casadevall e Leandro Lima em cena da série Coisa Mais Linda: pegada de James Dean - Fotos: Aline Arruda/Netflix

Maria Casadevall e Leandro Lima em cena da série Coisa Mais Linda: pegada de James Dean

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 22/03/2019, às 05h23

Quarta série brasileira da Netflix, Coisa Mais Linda chega à plataforma de streaming nesta sexta (22) de olho no mercado estrangeiro. Ritmo nacional muito valorizado no exterior, a bossa nova serve de pano de fundo para a história de quatro mulheres empoderadas em 1959, antes mesmo de o movimento feminista chegar por aqui. O cenário? O Rio de Janeiro, com belas praias e um morro idealizado, para gringo ver.

O foco no exterior chega a tal ponto que a produção brasileira conta com uma norte-americana em sua equipe. Heather Roth divide a criação de Coisa Mais Linda com o brasileiro Giuliano Cedroni (de Copa Hotel e Passionais), e leva um pouco de sua visão internacional para o que poderia se tornar uma história tupiniquim demais.

A estratégia faz sentido. Afinal, produções originais da Netflix estreiam ao mesmo tempo em mais de 190 países e territórios, e atingir o maior público possível significa conquistar não apenas o mercado local. Pioneira do Brasil no serviço de streaming, a ficção científica 3% conseguiu superar os limites territoriais: 50% do público da atração veio de outros países, segundo a própria plataforma.

Os produtores de Coisa Mais Linda, no entanto, defendem que sua história tem DNA brasileiríssimo. "O nosso objetivo é o mercado interno. Quando a aproximação com a Netflix aconteceu, a ideia era fazer uma série para o Brasil. Ela tem que funcionar bem aqui dentro. Se ela for para fora também, melhor", define o produtor Beto Gauss.

Heather Roth, por sua vez, não disfarça sua admiração tipicamente gringa pelo jeitinho brasileiro. "Eu já era atraída pela música, tinha visitado o Brasil várias vezes, tenho uma afinidade com a cultura daqui. Quando me envolvi com a série, a história se tornou sobre Maria Luísa [Maria Casadevall], sobre essas mulheres fortes, um tema que eu considero universal", explica a norte-americana.

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Música e romance

Coisa Mais Linda gira em torno de Maria Luísa, uma paulistana da alta sociedade que sempre levou uma vida de conforto, mimada pelo pai. Tudo muda quando ela vai para o Rio de Janeiro com o marido para gerenciar um restaurante e, assim que desembarca na cidade, descobre que ele roubou todo o seu dinheiro e desapareceu.

Sem querer admitir derrota nem voltar para o conforto da família, Malu decide ficar no Rio e abrir um clube musical no local onde ficaria o restaurante do casal. Para isso, conta com o apoio de duas amigas, a oprimida Lígia (Fernanda Vasconcellos) e a jornalista Thereza (Mel Lisboa), que tem pensamentos moderninhos para a época.

Nas rodas da sociedade carioca, Malu conhece o violonista Chico (Leandro Lima), que toca bossa nova em um período no qual o gênero ainda engatinhava. Ela também começa a frequentar rodas de samba no morro e se aproxima da batalhadora Adélia (Pathy Dejesus), que luta contra o preconceito e vive um relacionamento intenso com o músico Capitão (Ícaro Silva).

Os caminhos dessas quatro mulheres se cruzam e, cada uma à sua maneira e com os próprios problemas, elas vão batalhar para conquistar seu espaço e deixarem sua marca no mundo. "Queríamos tratar de mulheres fortes, mas sem ser óbvio, ativista nem levantar bandeira. O bacana é que, na primeira temporada inteira, nós não usamos a palavra 'feminismo' nenhuma vez", ressalta o diretor-geral Caito Ortiz.

"É porque elas não são [feministas], né? Elas não têm essa consciência ainda. É muito mais um despertar da possibilidade de se libertar dos homens e viver as próprias vidas, fazer as próprias escolhas, do que um movimento. São jornadas individuais, cada uma está buscando viver a própria história melhor. Mas tem sororidade, tem apoio mútuo, tem parceria", resume a diretora Júlia Rezende.

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