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De intolerância a imigração: Nova temporada de Queer Eye mexe em feridas dos EUA

Reprodução/Netflix

Um dos apresentadores do Queer Eye, Karamo Brown, abraça padre em igreja, em episódio do reality

Um dos apresentadores do Queer Eye, Karamo Brown, abraça padre que participa do reality da Netflix

REDAÇÃO

Publicado em 5/6/2020 - 5h18

Fenômeno da Netflix, o reality show Queer Eye estreia sua quinta temporada na plataforma nesta sexta (5), com novas histórias de transformação que provocam muitas lágrimas no público. Dessa vez, os episódios estão mais politizados e tocam em várias feridas da sociedade norte-americana, como homofobia, religião e comunidade imigrante.

Os dez episódios inéditos foram gravados na Filadélfia, cidade simbólica para os cidadãos norte-americanos: em 1776, foi assinada lá a Declaração de Independência do país. O reality usa o plano de fundo desse local para mostrar vidas de seus moradores. De forma mais ampla, eles retratam problemas enfrentados por muitas pessoas e pontos que são motivo de conflitos e polêmicas no país.

No primeiro capítulo, por exemplo, os Fab Five (cinco homens gays, cada um especialista numa área: beleza, moda, culinária, decoração e um coach) fazem a transformação na vida de um padre que é gay.

O conservadorismo e o fanatismo religioso fizeram parte da vida dele durante muitos anos, assim como influenciam diretamente políticas públicas (não só nos Estados Unidos, mas em um movimento global).

Os Fab Five têm a missão de ajudar o pastor a enfrentar o trauma que a homofobia no meio religioso lhe causou, além de fazer com que ele desenvolva autoestima, amor próprio e algumas habilidades culinárias e de estilo.

Já no nono episódio, a protagonista é uma mulher de origem coreana, muito dedicada ao trabalho como pediatra, que tem uma filha e um marido "dono de casa".

Os especialistas a ajudam a cuidar melhor de seu corpo e suas roupas, mas entram em questões mais profundas, como a culpa que mulheres sentem até hoje por trabalharem e deixarem filhos em casa e os estereótipos que acometem pessoas de ascendência asiática, tanto na sociedade ocidental quanto dentro de suas próprias comunidades de imigrantes.

Quem busca apenas um entretenimento leve, um reality que sempre mostra finais felizes e histórias emocionantes, encontrará em Queer Eye um produto satisfatório.

Mas os telespectadores mais observadores também poderão notar críticas sociais nesta nova temporada. Os Fab Five propõem ainda uma atualização progressista dos participantes do programa, com transformações de perspectivas e prioridades em suas vidas.

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