SERÁ QUE EMPLACA?

Criticado por atrizes, reboot de Charmed adiciona questões sociais à magia

Reprodução/The CW

Sarah Jeffery (à esq.), Madeleine Mantock e Melonie Diaz são as protagonistas da nova Charmed - Reprodução/The CW

Sarah Jeffery (à esq.), Madeleine Mantock e Melonie Diaz são as protagonistas da nova Charmed

LUCIANO GUARALDO, em Nova York - Publicado em 08/10/2018, às 06h13

Em meio à onda de reboots que invadiu a TV norte-americana nos últimos anos, nenhum é mais controverso do que o de Charmed (também chamado de Jovens Bruxas no Brasil). A ideia de reinventar a série foi detonada pelas atrizes originais, e os fãs ficaram com o pé atrás após a notícia de que o clima descontraído seria substituído por um tom mais político, com inclusão social e citação ao movimento #MeToo (de combate ao assédio sexual).

Charmed, originalmente exibida entre 1998 e 2006, contava a história de três irmãs que descobriam pertencer a uma linhagem poderosa de bruxas e precisavam usar seus poderes recém-conquistados para derrotar demônios poderosos que ameaçavam humanos e outros seres mágicos, como sereias e fadas.

Mesmo na grade da nanica (e já extinta) rede The WB, a série conseguiu uma média de 5,4 milhões de espectadores por episódio em sua primeira temporada _índice que hoje a colocaria no mesmo patamar de um hit como Grey's Anatomy.

A série também fez história ao se tornar a produção que contava com apenas mulheres como protagonistas mais duradoura da história da TV _em oito temporadas, chegou a 178 episódios, marca que só foi superada seis anos depois, quando Desperate Housewives (2004-2012) atingiu 180 capítulos.

E é justamente na valorização das mulheres que a situação aperta. Holly Marie Combs, que viveu Piper Halliwell na série original, ficou ofendida quando a rede CW, que vai exibir o reboot, anunciou que a nova versão vai adicionar feminismo à trama.

"Acho que esquecemos de fazer isso da primeira vez", ironizou ela em seu Twitter. "Eu nunca vou entender o que há de forte, engraçado ou feminista em uma série que basicamente está dizando que as atrizes originais estão velhas demais para voltar a um papel que elas fizeram 12 anos atrás", detonou em outra mensagem.

Já Alyssa Milano, que interpretou Phoebe Halliwell, reclamou do fato de não ter sido ouvida ou sequer procurada pela equipe da nova série. "Gostaria que eles tivessem vindo até nós, que estivéssemos envolvidas desde o início. Mas espero que essa versão possa fazer para a atual geração o que a nossa série fez para a geração dela."

divulgação/the wb

Rose McGowan, Alyssa Milano e Holly Marie Combs estrelaram a versão original de Charmed

Homenagem ou heresia?
Tentando virar esse jogo, produtores e elenco da nova Charmed foram à New York Comic-Con, evento de cultura pop, para exibir o primeiro episódio ao público na tarde de domingo (7). A escolha da data foi intencional: em 7 de outubro de 1998, exatos 20 anos antes, estreava a série original _na fila para entrar no salão, alguns fãs consideraram a "coincidência" uma homenagem; outros, uma heresia.

O painel foi curto, de apenas uma hora, com boa parte desse tempo dedicado à exibição do capítulo. Assim, a equipe conseguiu se esquivar de eventuais críticas dos fãs e de questionamentos sobre as reclamações das atrizes do passado.

Quem assistiu ao piloto, porém, percebeu que a produção, de fato, está mais politizada do que a anterior. O demônio que as irmãs bruxas enfrentam logo de cara é, em sua forma humana, um assediador em série, jogando na pauta um debate que está em voga em Hollywood. "A série tem uma consciência, e isso foi a primeira coisa que me atraiu para esse projeto", explicou Madeleine Mantock, que vive Macy.

Charmed também tem um viés social relevante: enquanto as irmãs Halliwell eram brancas, heterossexuais e de classe média alta, as três protagonistas têm sangue latino e negro, e uma delas é lésbica e engajada na luta pelos direitos das mulheres. E, embora esse não seja o foco da produção, é algo que as atrizes desejam debater.

"Eu quero que todo mundo veja a série, claro. Mas torço especificamente para que mães e filhas possam assistir juntas, e que os temas abordados sejam uma faísca para que elas tenham conversas importantes e desenvolvam um laço forte, uma irmandade feminina", completou Melonie Diaz, que interpreta Mel.

A nova Charmed estreia nos Estados Unidos no próximo domingo (14). A série ainda não tem exibição prevista no Brasil.

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