Unsolved

Com elenco afiado, série destrincha treta mais sangrenta da história do rap

Fotos: Divulgação/USA Network

Marcc Rose (à esq.) e Wavyy Jonez na série Unsolved, sobre as mortes de Tupac e Notorious B.I.G. - Fotos: Divulgação/USA Network

Marcc Rose (à esq.) e Wavyy Jonez na série Unsolved, sobre as mortes de Tupac e Notorious B.I.G.

JOÃO DA PAZ - Publicado em 18/06/2018, às 05h45

Explorado em reportagens e documentários, o mistério acerca das mortes dos rappers Tupac Shakur e Christopher Wallace chega ao mundo das séries. Nesta segunda (18), estreia na Netflix a série Unsolved: Os Assassinatos de Tupac e The Notorious B.I.G.. Com um elenco afiado, a produção destrincha como a amizade entre as lendas do rap terminou em tragédia, num dos capítulos mais triste da história da música.

A ideia de Unsolved (algo como Não Solucionado) é mergulhar nas investigações policiais que, no fim, não conseguiram encontrar os verdadeiros assassinos dos rappers. Até hoje, ninguém sabe ao certo por que eles morreram, nem quem encomendou os crimes. Os casos não foram oficialmente resolvidos.

O desafio da série, que promove uma ótima reunião de atores, é explicar os mistérios do caso ao longo de dez episódios.

A trama é simples de acompanhar, mesmo dividida em três linhas narrativas, misturadas em cada capítulo. A primeira se passa em meados dos anos 1990, época na qual Tupac (1971-1996) e B.I.G. (1972-1997) eram bons amigos, embora o primeiro morasse na Costa Oeste dos Estados Unidos (no Estado da Califórnia) e o segundo, na Costa Leste (em Nova York).

Após desentendimentos e brigas envolvendo gangues, o bom convívio se transformou em uma rixa de proporções gigantescas no mundo do hip-hop.

Montagem/divulgação/usa network

Parecido? O ator Marcc Rose (à esq.) como Tupac em Unsolved; ao lado, o rapper lendário

Para quem já viu algum clipe dos músicos, é impressionante a semelhança dos atores que trazem os personagens à vida. Marcc Rose é assustadoramente parecido com Tupac. Ele interpretou o rapper no filme Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (2015). Em seu primeiro trabalho na TV, Rose pegou bem os trejeitos do rimador, assim como consegue imitar na medida o timbre de sua voz.

Também estreante, Wavyy Jones não tem fisionomia idêntica à de B.I.G., mas compensa com a voz parecidíssima e uma boa interpretação. Jones nunca teve pretensão de ser ator e foi escalado para o papel por acaso, em uma seleção de atores aberta ao público. A investida deu certo, e seu trabalho foi reconhecido. Após Unsolved, ele assinou contrato com uma agência de talentos.

Jimmi Simpson (de Westworld) praticamente incopora o detetive Russell Poole em Unsolved

Polícia entra em cena
A segunda linha do tempo mostra detetives em ação, em 1997, logo após a morte de B.I.G., em Los Angeles, em março daquele ano. Seis meses antes, Tupac havia morrido em Las Vegas. Entra em cena Jimmi Simpson (o William de Westworld), que dá show com sua atuação magnética como o detetive Russell Poole, encarregado pela polícia de Los Angeles para trabalhar no caso do rapper nova-iorquino.

Simpson consegue passar ao telespectador todas as angústias de Poole, que quer realmente encontrar o assassino de B.I.G., mas encontra resistência no departamento de homicídios por tentar ligar o caso de Los Angeles com o que ocorreu em Las Vegas e por especular envolvimento de policiais na morte.

Por fim, a terceira linha narrativa tem início em 2006, assim que a mãe de B.I.G., Voleta Wallace (Aisha Hinds), processa a polícia de Los Angeles por não ter resolvido o caso, encorajada pela teoria levantada por Poole no passado. Para livrar a cidade de perder US$ 400 milhões (R$ 1,5 bilhão, nos valores de hoje) na Justiça, uma nova investigação é aberta.

Dessa vez, quem chefia os trabalhos é o detetive Greg Kading, defendido muito bem por Josh Duhamel (da franquia Transformers). O Kading da vida real escreveu o livro Murder Rap (2011), que mostra a perspectiva da polícia nesses casos. A obra inspirou a série, que conta com o detetive como um dos produtores-executivos.

Bokeem Woodbine (à esq.) e Josh Duhamel formam uma dupla de detetives entrosados

O núcleo policial de 2006 conta com outros excelentes atores. O braço direito do detetive Kading é Daryn Dupree, vivido por Bokeem Woodbine (o ator brilhou na segunda temporada de Fargo como um matador de aluguel). Também estão na investigação o detetive Lee Tucker (Wendell Pierce, de The Wire) e a agente do FBI Justine Simon (Amirah Vann, de How to Get Away with Murder).

Com os rappers, mas sem as músicas
Embora a série trate de Tupac e B.I.G., Unsolved não toca uma música sequer dos artistas. Isso porque a produção não conseguiu licenciar as canções. Sendo assim, foi necessário dar um jeitinho para montar uma trilha sonora adequada.

A série usa canções de artistas da mesma época, dos mais conhecidos do público do rap, casos de Too $hort (Gettin' It) e Slick Rick (Children's Story), aos menos famosos, como de DJ Quik (Born and Raised In Compton).

Há ainda espaço para artistas de R&B de outras épocas, do nível de Jennifer Hudson (Feeling Good) e Aretha Franklin (Bridge Over Troubled Water). Até rock e pop ganham espaço, principalmente nas cenas com o detetive Kading, que tem na sua trilha sonora a banda 3 Doors Down, com a música Kryptonite.

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