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Polêmica

Acusada de racismo, Sexo e as Negas é vítima de preconceito

Estevam Avellar/TV Globo

Lilian Valeska, Maria Bia, Karin Hils e Corina Sabbas, as quatro amigas negras de Sexo e as Negas - Estevam Avellar/TV Globo

Lilian Valeska, Maria Bia, Karin Hils e Corina Sabbas, as quatro amigas negras de Sexo e as Negas

DANIEL CASTRO

Publicado em 28/9/2014 - 10h25
Atualizado em 28/9/2014 - 11h54

No ar há duas semanas na Globo, a série Sexo e as Nega está sendo vítima de preconceito. Antes mesmo de estrear, foi alvo de mais de uma dezena de denúncias de racismo à Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República. Depois da estreia, o número de queixas contra a ficção de Miguel Falabella saltou para mais de cem.

Sexo e as Nega sofreu julgamento antes mesmo de se conhecer seu conteúdo. Muita gente deixou de ver o programa por causa dessa suspeita, mas a série não é racista. Não fosse seu título, não causaria nem 10% do barulho que vem provocando. Duas palavras incomodam: Sexo e Negas. Sexo conecta o seriado à ideia de mulher-objeto, no caso, mulheres negras objetos sexuais; Negas é um termo que, dependendo do contexto, é racista, sim.

Sexo e as Nega tem esse título porque é uma paródia de Sex and The City, série sobre quatro mulheres ricas de Nova York, exibida entre 1998 e 2004. Antigo projeto de Falabella, traz quatro mulheres negras lindas, sexualmente bem resolvidas e ativas, mas pobres, moradoras de uma comunidade do Rio de Janeiro.

Ao retratar esse universo, Sexo e as Negas, ao contrário do que se denuncia, pode servir de peça para discutir o racismo:

1) Sexo e as Nega é afirmativa. As subprotagonistas (a protagonista é Claudia Gimenez) são donas de suas vidas, independentes. Elas trabalham, vão à luta, compram seu próprio carro, não dependem de maridos, amantes ou do Estado. Elas não se prostituem ou se deixam explorar por homens. São elas que dão as cartas na cama, embora isso possa ser confundido com promiscuidade.

2) Sexo e as Nega não repete o clichê da representação do negro na televisão. Só uma delas, Soraia (Maria Bia), é cozinheira em casa de família e aparece com uniforme de empregada doméstica, como as negras das novelas das nove. No segundo episódio, Soraia leva uma cantada do patrão ao receber um adiantamento de R$ 200 para cuidar do cabelo. Ficou constrangida, extremamente incomodada. O programa não a mostrou indo para a cama com o playbou da zona sul. Ela surgiu fazendo sexo, mais tarde, com o capanga do bicheiro do morro, que a conquistou elogiando... seus cabelos.

3) Sexo e as Nega quebra a ditadura da loira-magra como modelo de beleza. Eventualmente, mostra as mulheres negras nuas, como na cena de Soraia com o capanga de Alaor (Marcos Breda). Mas isso, necessariamente, não é culto à mulher-objeto. No episódio de estreia, quem ficou pelada foi a camareira Zulma (Karen Hils), que é gordinha. Uma imagem poderosa: o belo não é magro nem loiro, é negro e "cheinho".

4) Sexo e as Nega traz afirmações racistas. Gaudéria, a cabeleireira loira e gaúcha de Alessandra Maestrini vive falando termos que não constam no dicionário do politicamente correto. "O cabelo [da negra Tilde/Corina Sabbas] é ruim, mas eu sou pior do que ele", avisou na última terça. É preciso explorar as manifestações do racismo para denunciá-lo. E, como disse Miguel Falabella a Nelson de Sá na Folha de S.Paulo deste domingo (aqui, para assinantes), toda dramaturgia precisa de conflito.

5) Em sua crítica semanal, também na Folha deste domingo (28), Maurício Stycer toca em uma ponto ainda mais delicado, mas talvez revelador de toda a celeuma: Sou branco, posso avaliar racismo?, pergunta ele no título. Miguel Falabella é branco. Pode ele debochar do racismo?


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