Claudia Souto

Sucesso no Ibope, autora de Pega Pega ignora críticas: 'Escrevo para o público'

Maurício Fidalgo/TV Globo

Claudia Souto comemora sucesso de audiência de Pega Pega sem ler comentários negativos - Maurício Fidalgo/TV Globo

Claudia Souto comemora sucesso de audiência de Pega Pega sem ler comentários negativos

ODARA GALLO - Publicado em 26/12/2017, às 05h39

A menos de duas semanas para o capítulo final, no próximo dia 8, Pega Pega é um inegável sucesso de público. Com média de 28,8 pontos na Grande São Paulo, soma a maior audiência da faixa das 19h da Globo desde o fenômeno Cheias de Charme, em 2012. Mas nem essa marca heroica livrou a estreante autora Claudia Souto de críticas.

A trama embolada, o texto considerado simples demais e o casal de mocinhos mamão com açúcar foram alguns dos aspectos crucificados pelos jornalistas especializados. Claudia, no entanto, diz que nem se deu ao trabalho de ler as análises. "Escrevo para o público", diz ao Notícias da TV, em uma rara entrevista.

"Eu não leio [as críticas]. Mesmo. Mas, de alguma forma, fico sabendo. E acho uma pena que a crítica esteja tão distante do público. Em primeiro lugar, é preciso entender que a novela das sete é um gênero em si. É um despressurizador para quem chega em casa, depois de um longo dia de trabalho, da condução. A novela das sete relaxa o telespectador e o prepara para a programação dramática a seguir: novela das nove, séries, etc. Daí o sucesso de Pega Pega", ensina.

Além dessa compreensão do contexto social, cultural e econômico em que a novela é consumida, Claudia enumera outros fatores que ajudam a explicar o sucesso de Pega Pega. "O respeito ao público, ao gênero, a paixão com que a novela é feita. Os ganchos. E, sobretudo, a trama original", diz.

"Por entender e respeitar esse horário, a narrativa é leve, os diálogos são palatáveis, de fácil entendimento, mesmo numa trama intrincada como essa. Se você não entende o contexto e o target [alvo], fica difícil criticar a obra", devolve a autora a seus detratores.

Apesar dos diálogos simples e da leveza característica das tramas das sete da Globo, Pega Pega abordou temas como preconceito contra drag queens e racismo, o que para a autora já é um contraponto ao argumento de superficialidade da história.

"Pra você ver que essa não é uma trama superficial ou imatura (risos). Escrever novela é jogar um assunto na roda. E o retorno da abordagem desses temas foi excelente", comemora.

Eric e Luiza dividiram opiniões e não convenceram os críticos especializados (Rafael Campos/TV Globo)

Claudia, obviamente, rebate as acusações de que faltou química aos protagonistas Mateus Solano, como Eric, e Camila Queiroz, a mocinha Luiza.

"Eu não propus um casal óbvio. Eric era um homem atormentado por uma tragédia, com relacionamento difícil com a filha, que reaprenderia a amar. Luiza, uma quase dondoca, sem problemas na vida, que teria que lutar para se reerguer. Mateus Solano e Camila Queiroz defenderam lindamente esse casal que cresce e se fortalece ao longo da trama. O fã-clube Eriza é enorme. Eu não poderia estar mais feliz", argumenta.

A certa altura da história, o flerte entre o mocinho e Sandra Helena (Nanda Costa) deu pistas de uma possível troca de casais. Mas a autora afirma que não mudou uma vírgula do texto para melhorar a imagem de Eric e Luiza diante do público.

"Novela é uma obra aberta e tudo é possível (risos)! Mas, assim como Eric e Luiza construíram uma família com Bebeth [Valentina Herszage], Sandra Helena e Agnaldo [João Baldasserini] nasceram um para o outro. O flerte de Sandra e Eric serviu apenas para apimentar a relação dos casais", explica.

César Alves/tv globo

O casal Malagueta (Marcelo Serrado) e Maria Pia (Mariana Santos) roubou a cena na novela

Balanço positivo
Se o casal de mocinhos dividiu o gosto do público e irritou a crítica, o mesmo não se pode dizer dos vilões interpretados por Marcelo Serrado e Mariana Santos. A escritora da novela reconhece que o sucesso da dupla  foi uma surpresa.

"Eu já esperava que fosse dar samba, mas o casal Malagueta e Maria Pia explodiu. Marcelo Serrado e Mariana Santos estão em um grande momento! Brilhando", elogia.

Segundo a autora, nenhum personagem ou história precisou ser alterado para evitar rejeição. "Nenhum personagem foi rejeitado. Isso é raro e dá trabalho, porque não pude deixar ninguém pelo caminho, tive que escrever todas as histórias até o último capítulo", revela. "E eu me sinto realizada e feliz por proporcionar diversão e reflexão em um momento tão difícil como o que atravessamos", conclui.

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