PEDRO MAYA

'Policiais apontaram armas para mim só por eu ser negro', diz ator de Malhação

FOTOS: MAURICIO FIDALGO/TV GLOBO

O ator Pedro Maya interpreta o ex-morador de rua Garoto em Malhação - Vidas Brasileiras - FOTOS: MAURICIO FIDALGO/TV GLOBO

O ator Pedro Maya interpreta o ex-morador de rua Garoto em Malhação - Vidas Brasileiras

GABRIEL PERLINE - Publicado em 01/07/2018, às 06h51

Assim como Garoto, seu personagem em Malhação - Vidas Brasileiras, Pedro Maya também foi vítima de diversos casos de preconceito. Protagonista da última quinzena, o ator lembra de uma situação em especial: quando policiais o pararam na rua de sua casa e apontaram armas para a sua cabeça. Ele classifica a cena como a mais traumática de sua vida.

"Eu estava correndo na rua e fui parado por dois policiais que estavam em uma moto. Mandaram eu botar a mão na cabeça e aí sacaram a arma. Eu tinha 17 anos e os policiais apontaram armas para mim só por eu ser negro. Já vi casos de brancos correndo e que nunca foram parados pela polícia. Pelo contexto social que a gente vive no Brasil, com certeza fui parado por ser negro", diz.

Pedro conta que os policiais foram ríspidos na abordagem. Revistaram-no e fizeram diversas perguntas. E a justificativa para ele ser interpelado de tal maneira era pelo simples fato de estar correndo.

"Tinha saído do banco, aí eu precisava pagar uma conta. Estava com a minha mãe, deixei ela no banco, e fui para casa pegar os meus documentos. Voltando pra casa eu fui abordado. Já fui parado em outras vezes em que eu era o único negro do bonde, e o único parado e revistado fui eu. Não tem como não enxergar como racismo explícito. É estrutural o racismo", avalia.

Em Malhação, seu personagem também passou por situações constrangedoras. Morava na rua e foi salvo por Gabriela (Camila Morgado) de um linchamento em um túnel no Rio de Janeiro. Sensibilizada com a cena, a professora descobriu que o sonho do menino era voltar a estudar e poder fazer refeições decentes. Ela, então, inicia sua movimentação para ajudá-lo a sair da situação de vulnerabilidade.

Pedro Maya na gravação do clipe de seu personagem, Garoto, em Malhação - Vidas Brasileiras

E ele deu um salto gigantesco na trama. Começou a se alimentar no Le Kebek, restaurante de Paulo (Felipe Rocha), organizou sua vida escolar na ONG de Rafael (Carmo Dalla Vecchia), estudou música e foi adotado por Heitor (Luis Gustavo), que lhe ajudou a investir na carreira de funkeiro.

"Ele é um garoto muito humilde, como tantos outros. E a condição de popstar surge em um piscar de olhos. Penso que o Garoto é um personagem que não se deslumbra fácil pela fama, até mesmo porque ele era garoto de rua, já viu muitos tipos de realidades, teve muitas falsas promessas. É um momento muito empolgante para ele, é claro, mas ele tem o pé no chão", avalia.

Esta é a segunda passagem de Pedro Maya por Malhação. Em 2010, ele interpretou Obama, uma criança de classe média que tinha uma pequena participação na história. Foi seu único personagem na TV que não condicionou sua cor de pele com uma situação tradicionalmente direcionada aos negros: pobreza ou criminalidade.

Em 2015, interpretou Bola em A Regra do Jogo, o "laranja" de Romero (Alexandre Nero), responsável por colocar drogas na bolsa do mocinho Juliano (Cauã Reymond). E em 2017, apareceu em Cidade dos Homens, como Pitbull.

"Falta representatividade. A gente está caminhando a passos pequenos, mas estamos. Acho importante pensar em retratar os negros em outros lugares, em outras posições sociais. O Garoto, de Malhação, é superdócil, carismático, simpático, mas é um estereótipo. E é isso que eu falo, que a gente precisa buscar outras referências para construir essa família negra brasileira", avalia.

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