KIKO MASCARENHAS

Militante em Éramos Seis, ator reclama que artistas viraram vilões no Brasil

Raquel Cunha/TV Globo

O ator Kiko Mascarenhas caracterizado como o personagem Virgulino em Éramos Seis, de chapéu, bigode e gravata borboleta

Kiko Mascarenhas será Virgulino na nova novela das seis; o personagem se envolverá com política

MÁRCIA PEREIRA e DANIEL FARAD, do Rio de Janeiro - Publicado em 26/09/2019, às 05h30

Depois de viver o guarda-livros Teófilo de O Tempo Não Para, Kiko Mascarenhas terá mais um papel de época em Éramos Seis. Dessa vez, o personagem terá fortes convicções políticas, característica que o ator acredita que o faria ser visto como um vilão na sociedade atual --algo que ele já percebe entre pessoas da classe artística contemporânea.

"De repente, inventaram que nós somos os vilões da nação, mamadores da teta do governo", indigna-se ele, ao lamentar que atores e músicos sofram com represálias e mentiras por parte dos políticos.

O ator de 55 anos se queixa que o setor cultural é visto como um gasto, e não como investimento pelos governantes. Lembra que a área gera empregos diretos e indiretos. "Dá lucro investir em cultura. Agora, para eles não é interessante, porque estimula o pensamento, inclusive crítico", reflete.

Pronto para a briga, Mascarenhas diz que, se for preciso, ele e outros atores continuarão bancando as iniciativas artísticas do próprio bolso. "A gente abre vaquinha, pede ajuda das pessoas. O teatro não para, o artista não para, esse país não para, mesmo que eles queiram", arremata.

O espírito combativo do intérprete fica distante da ficção. À primeira vista, Virgulino, seu personagem na novela das seis, será um banana. Cederá aos mandos e desmandos da mulher, Genu (Kelzy Ecard). Mas só dentro de casa, porque do portão para fora brigará nas ruas e discutirá por conta de suas ideologias.

Ele sofrerá até mesmo uma tragédia pessoal por conta desse envolvimento político. Afinal, a novela dará destaque à turbulência no Brasil entre as décadas de 1920 e 1940, em meio a greves e revoluções. Os acontecimentos afetarão as famílias de Virgulino e da vizinha Lola (Gloria Pires) diretamente.

"A política invadirá a vida dessas pessoas quando os filhos se envolverem com essas questões e aí teremos um desastre", adianta ele, que desconversa na sequência. "Mas não posso ficar aqui dando spoiler."

Se por um lado ele se identifica com a faceta doce do personagem, já que perto da família é um "banana, só que split", o ator também se espelha na militância de Virgulino para protestar contra a redução de incentivos públicos à Cultura e o cancelamento de espetáculos que não agradam os mais conservadores, como o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"A arte não pode parar, nem ficar à mercê de um governo que quer impor o que pode ou não pode ser ensinado, quem merece ou não ganhar dinheiro", encerra ele.


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