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ANÁLISE

Divertida, mas apática: Por que Quanto Mais Vida, Melhor não emplacou?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Vladimir Brichta está dentro de um ônibus, com fones de ouvido apoiados nos ombros, e tem expressão de surpresa

Neném, vivido por Vladimir Brichta, é destaque entre os protagonistas de Quanto Mais Vida, Melhor!

RAPHAEL SCIRE

raphascire@gmail.com

Publicado em 20/1/2022 - 6h15

Elenco em boas interpretações, humor refinado e direção com uma pegada pop que casa muito bem com a faixa das sete das novelas da Globo. Quanto Mais Vida, Melhor!, atual titular do horário, tem tudo isso de sobra, mas ainda assim não emplaca na audiência. Até agora, a história de Mauro Wilson ostenta números bem tímidos e aquém das expectativas da emissora. A novela passa longe de ser ruim, mas alguns fatores ajudam a explicar a decepção no ibope.

Logo no início, os quatro protagonistas, Neném (Vladimir Brichta), Paula (Giovanna Antonelli), Guilherme (Mateus Solano) e Flávia (Valentina Herszage) sofreram um acidente aéreo e ganharam uma segunda chance da Morte (A Maia) para se redimirem de erros do passado. Só que um deles irá morrer ao final de um ano, e vire e mexe os quatro relembram o peso da finitude.

É de se admitir que o mórbido mote central da história, em uma época em que a pandemia do coronavírus (ainda) assola o mundo e não dá sinais de trégua, não é propriamente convidativo ao público. O que salva a novela de ser uma história sombria é o humor.

Acontece que em Quanto Mais Vida, Melhor a graça passa longe do popularesco. O texto de Mauro Wilson é refinado, flerta com a galhofa, guarda muita semelhança com a comédia vista em A Grande Família (2001-2014), da qual Wilson foi redator, mas por outro lado exige do telespectador um grau a mais de atenção.

Em vez de tortas na cara, o humor da novela prioriza a piada em si. Os diálogos são repletos de trocadilhos e insinuações sutis que, sim, arrancam o riso, mas quem assiste à história distraído pode deixar passar batido.

Vez ou outra, é verdade, há uma cena mais movimentada, em que as situações físicas acabam se sobrepondo à inteligência do texto. O que poderia ser uma qualidade acaba se tornando uma pedra no sapato, pois não fisga o público mais desatento.

Apesar de o elenco estar redondo, com atuações que não sobem o tom nem apelam para caras e bocas, falta um tiquinho de carisma aos quatro protagonistas. De todos, Neném é o que mais gera aproximação com a audiência. Existe toda uma tensão sexual presente nas entrelinhas da novela, principalmente no jogador de futebol interpretado por Brichta: das investidas de Teca (Karina Dohme) à relação dele com Paula.

Giovanna Antonelli, depois de anos em papéis insossos, parece se divertir em cena com sua perua deslumbrada. O antagonismo com Julia Lemmertz (Carmem) funciona, mas não há faísca suficiente para botar fogo na história. Já Guilherme cumpre a cota dramática, com sua relação conturbada com Rose (a ótima Bárbara Colen), e Flávia parece deslocada, transitando por todos os núcleos da trama.

Há, por fim, o descaso com a baixa divulgação da própria Globo. Assim como Um Lugar ao Sol, Quanto Mais Vida, Melhor parece ser uma história tapa-buraco, levada ao ar apenas para evitar mais uma reprise no horário enquanto as próximas produções são tocadas. O folhetim das sete tem tudo para se tornar uma daquelas pérolas cult da teledramaturgia, lembradas por poucos.


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