QUEDA LIVRE

TV paga retrocede a 2012 e se rende ao streaming para diminuir estrago

Divulgação

Espectador olha para a televisão em busca de um programa para assistir em imagem estilo stock

Clientes têm cancelado suas assinaturas de TV paga: só em 2019, foram 1.728.196 clientes a menos

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 06/02/2020, às 04h40

Em uma das piores crises de sua história no Brasil, a TV paga fechou 2019 com o tamanho que tinha em 2012. Só que o movimento é no sentido contrário: enquanto há sete anos o mercado estava em crescimento acelerado, agora o ritmo é de queda livre. Sem poder vencer a concorrência com o streaming, as operadoras decidiram se unir ao inimigo.

Segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) divulgados nesta semana, a TV por assinatura fechou o último mês de dezembro com 15.786.280 clientes no país. É o pior índice do mercado desde outubro de 2012, quando contabilizou 15.700.558 assinantes.

Não bastasse o retrocesso, também chama a atenção a fuga acelerada de contratantes: em apenas um ano, a TV paga perdeu 1.728.196 contratos. Isso equivale a 4.734 clientes por dia, ou impressionantes 197 por hora. O número é preocupante --em 2012, o mercado ganhava 394 assinantes por hora.

Se continuar nesse andamento, a TV paga no Brasil não sobrevive até o fim da próxima década: em nove anos, o número de assinantes chegaria a zero.

Boa parte desses clientes estão migrando para o streaming, como Netflix, Prime Video e Globoplay, e muitos já estão de olho no Disney+, que chega ao Brasil em novembro. A popularização desses serviços mudou a mentalidade de quem paga para ter acesso a conteúdo diferenciado, e o panorama de quem o vende.

Para valer a máxima "se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele", operadoras estão fazendo pacotes que incluem plataformas de streaming. A Claro, por exemplo, anunciou nesta semana que concederá descontos a clientes que comprarem combos de telefonia móvel e banda larga com a assinatura premium da Netflix.

A operadora, apesar de líder do segmento no Brasil, já está muito atrás da gigante do streaming: segundo o colunista Ricardo Feltrin, do UOL, a Netflix havia passado de 10 milhões de assinantes no país em julho do ano passado. A Claro fechou 2019 com 7,7 milhões --834 mil a menos do que registrava em 2018. Já Sky, Oi e Vivo, juntas, somam 7,5 milhões de contratos após perderem 920 mil clientes no ano.

São Paulo domina

Estado com maior população do país, São Paulo também lidera no número de assinantes da TV paga: em dezembro de 2019, segundo a Anatel, 5.827.645 contratos eram paulistas. Em comparação com 12 meses antes, a queda foi de 10,1%, bem próximo da média nacional (9,9%).

Rondônia foi o Estado com maior índice percentual de cancelamentos: 22,1%. Agora, apenas 45.136 clientes mantêm contrato com as operadoras por lá. O Ceará e o Rio Grande do Norte, por outro lado, contrariaram o movimento geral e apresentaram crescimento discreto no número de assinantes (3,6% e 0,8%, respectivamente).

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