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Netflix desencanta e consegue dez indicações ao Oscar com Roma

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A atriz Yalitza Aparicio foi indicada ao Oscar de melhor atriz por sua atuação em Roma, da Netflix - Divulgação/Netflix

A atriz Yalitza Aparicio foi indicada ao Oscar de melhor atriz por sua atuação em Roma, da Netflix

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 22/01/2019, às 12h33

A Netflix finalmente conseguiu desencantar e emplacou uma de suas produções originais no Oscar. E estreou na premiação máxima do cinema em grande estilo: o longa Roma, dirigido por Alfonso Cuarón, teve dez indicações --inclusive melhor filme, diretor, atriz (para Yalitza Aparicio), atriz coadjuvante (para Marina de Tavira) e filme estrangeiro.

Roma ainda concorre aos prêmios de melhor fotografia, roteiro original, design de produção, edição de som e mixagem de som. O longa, baseado na própria vida de Cuarón, tem grandes chances de ser premiado --os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas adoram o diretor, para quem já deram dois Oscars.

A Netflix também emplacou outras três indicações com o filme The Ballad of Buster Scruggs, que disputa os prêmios de melhor figurino, roteiro adaptado e canção original para a música When a Cowboy Trades His Spurs for Wings.

Levar uma estatueta seria uma reviravolta e tanto para a plataforma de streaming. Até então, o mais perto que a empresa tinha chegado do Oscar com longas de ficção havia sido com as quatro indicações de Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi.

O filme, porém, sequer está disponível para assinantes brasileiros, já que a plataforma de streaming adquiriu seus direitos de exibição apenas para os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Espanha, Austrália, Alemanha, França e Cingapura.

Emplacar dez indicações é uma vitória e tanto para Roma --e para a Netflix. Mostra que a empresa conseguiu mudar a mentalidade dos votantes mais antigos, que consideram o streaming uma ameaça aos cinemas tradicionais.

A batalha para ganhar respeito não é simples, e o pensamento antiquada de alguns setores da indústria cinematográfica tem atrapalhado a ascensão da Netflix. No ano passado, por exemplo, a plataforma de streaming rompeu relações com o festival de Cannes, um dos mais badalados do mundo.

O motivo: os votantes do evento exigiram que todos os filmes concorrentes tivessem exibição em cinemas franceses, e uma lei do país impõe que longas lançados no circuito comercial só sejam disponibilizados em serviços domésticos após 36 meses. Ou seja, só para ter a chance de concorrer a uma estatueta em Cannes, a Netflix teria que segurar seus lançamentos durante três anos.

Para o Oscar, as regras são mais simples: exige-se apenas que os longas sejam exibidos comercialmente em uma sala de cinema na região da Grande Los Angeles durante sete dias consecutivos, com pelo menos três sessões diárias. As estreias no cinema e na plataforma podem, inclusive, ocorrer no mesmo dia.

Com o reconhecimento da Academia, a Netflix dá um passo importante na sua jornada para se tornar aquilo que ela já declara ser: "a nova casa do cinema". Depois de investir bilhões para se firmar como produtora de séries, ela fechou acordos com nomes de peso para trabalhar em longas exclusivos, à frente e atrás das câmeras.

De fato, os profissionais envolvidos com filmes da Netflix são grandiosos. Nos bastidores, estão diretores como Steven Soderbergh (ganhador do Oscar por Traffic: Ninguém Sai Limpo), Martin Scorsese (premiado por Os Infiltrados), Michael Bay (da franquia Transformers) e o brasileiro Fernando Meirelles (de Cidade de Deus).

No elenco, fecharam com a plataforma desde atores que levaram o prêmio máximo do cinema, como Meryl Streep, Anthony Hopkins, Sandra Bullock, Robert De Niro e Anne Hathaway, a outros mais populares, como Jennifer Aniston, Adam Sandler, Ben Affleck, Antonio Banderas e Ryan Reynolds.

Mas a Netflix precisará esperar algumas semanas para saber se conseguiu mesmo reverter o preconceito dos votantes e se sairá da festa do Oscar com alguma estatueta. A premiação acontece no dia 25 de fevereiro, em Los Angeles. No Brasil, a transmissão não contará com comentários de Rubens Ewald Filho, afastado após fazer um discurso preconceituoso na cerimônia do ano passado.

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