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CRÍTICA

Duna: Visual surpreendente não esconde falhas na adaptação de um clássico

Divulgação/Warner Bros.

Timothée Chalamet e Rebecca Ferguson em cena de Duna

Timothée Chalamet e Rebecca Ferguson em cena de Duna; superprodução estreia nesta quinta (21)

ANDRÉ ZULIANI

andre@noticiasdatv.com

Publicado em 21/10/2021 - 6h15

Um dos filmes mais aguardados do ano, Duna vai dividir opiniões. Desde a primeira apresentação pública do longa, no tradicional Festival de Filmes de Veneza, em setembro, críticos internacionais destacavam o visual grandioso de uma superprodução, mas que pecava em pontos importantes na história. Com a sua estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (21), essa descrição fica ainda mais evidente.

Para os iniciantes neste universo, Duna é a adaptação do clássico livro de 1968 escrito por Frank Herbert (1920-1986). Sua história se tornou um ícone do gênero de ficção científica e influenciou outras grandes obras da cultura pop, como Star Wars e Game of Thrones (2011-2019). E, assim como o segundo exemplo, o filme sofreu com as dificuldades de transportar uma narrativa tão detalhada no papel para as telonas.

O encarregado da missão de levar a história de Duna novamente para os cinemas foi Denis Villeneuve, diretor canadense que trabalhou em outras ficções muito elogiadas como A Chegada (2016) e Blade Runner 2049 (2017). Além do peso de adaptar uma série literária tão icônica, ele ainda enfrentou a ingrata "concorrência" da adaptação de 1984 feita por David Lynch, rejeitada por quase todos --inclusive pelo seu comandante.

A seu favor, Villeneuve recebeu o sinal verde da Warner Bros., detentora dos direitos, para dividir a história do primeiro livro em duas partes. Desta maneira, o vasto universo criado por Herbert poderia ser abordado da maneira fiel que a obra e seus fãs mereciam.

Infelizmente, nem os mais de 150 minutos da Parte 1 foram capazes de recriar a atmosfera fantástica de Duna para o cinema. Como superprodução, o longa é visualmente espetacular. Da fotografia aos efeitos especiais, da customização dos trajes às paisagens lindíssimas, o longa de Villenuve é impecável. O grande problema é que, ao se importar demais com a construção de seu mundo, o cineasta deixou de lado fatores importantes da narrativa.

Mais do que uma ficção fantasiosa, Duna é uma história sobre política, poder, religião e pessoas. Há golpes, conspirações, diálogos densos e (muitas) trocas de informações. O livro de Herbert é rico em detalhes, quase todos essenciais para se entender como funciona esse universo tão vasto.

Como quase todas as adaptações de livros para o cinema, era esperado que Duna de Villeneuve deixasse alguns pontos de fora. Mesmo com uma segunda parte já em vista, é difícil levar para as telas as mais de 700 páginas da obra inicial. Mas o roteiro escrito a seis mãos pelo cineasta e pela dupla Jon Spaihts e Eric Roth excluiu sequências importantes para a base de toda a narrativa e que fizeram fãs se apaixonarem desde o início.

DIVULGAÇÃO/WARNER BROS.

Parte do elenco estelar de Duna

Bem-vindo à Duna

Situado 8 mil anos no futuro e em nenhuma parte reconhecível do universo, Duna retrata a violação do meio ambiente pela humanidade e sua exploração de povos de classe baixa --pontos que podem ser ainda mais oportunos hoje do que em 1965--, mas é principalmente um enorme épico familiar do nobre clã Atreides tentando sobreviver em um planeta árido e desértico e em um universo de déspotas famintos por poder.

O protagonista da trama é Paul Atreides (Timothée Chalamet), herdeiro do clã e filho do duque Leto Atreides (Oscar Isaac). O ano é 10191, e a família e seus serviçais foram recrutados pelo imperador para deixar sua terra natal e comandar o planeta desértico Arrakis, um lugar árido cujo único comércio é a exportação de um produto singular chamado "especiaria". Sem ela, em um mundo no qual computadores são proibidos, não existiriam viagens espaciais.

Os nativos de Arrakis que conseguem sobreviver da agricultura de subsistência são conhecidos como Fremens, humanos cujos olhos se tornaram azuis devido à necessidade constante de ingerir a especiaria. Essas pessoas se adaptaram à vida no deserto e são consideradas selvagens por outros clãs.

Desde jovem, Paul sofre com sonhos de uma jovem Fremen em particular, Chani (Zendaya). Estas visões perturbadoras, que vêm a ele de maneira pouco confiável e frequentemente sem contexto, parecem pressagiar eventos futuros reais. Para Lady Jessica (Rebecca Ferguson), sua mãe e membro de uma antiga ordem exclusivamente feminina conhecida como Irmandade Bene Gesserit, é mais uma prova de que seu filho pode de fato ser o Escolhido para salvar a todos.

DIVULGAÇÃO/WARNER BROS.

Josh Brolin e Oscar Isaac em Duna

Em outras palavras, Arrakis é um lugar terrível para Paul e sua família, mas o imperador, por razões coniventes, enviou o duque e seu clã para o planeta para supervisionar o lugar, que foi recentemente desocupado pelos malvados Harkonnens --rivais históricos dos Atreides--, que enriqueceram com uma boa fatia da mineração de especiarias.

Villeneuve trabalha duro para permanecer fiel à expansão conspiratória do livro de Herbert, mas ele simplifica (e encurta) a narrativa até em suas cenas mais importantes. Chalamet, alto e magro, com uma inocência curiosa por seu rosto quase infantil, interpreta Paul como um herói não testado com habilidades que ele mal entende. Para os fãs mais ardorosos da franquia, o retrato nem tão fiel do protagonista também pode desagradar.

O tempo que a adaptação leva para introduzir seu universo e sua trama é extremamente reduzido na hora de desenvolver seus personagens e suas complexidades. Como no livro, as primeiras reviravoltas também acontecem em seu primeiro terço, mas Villeneuve faz pouco para criar uma ligação com seus heróis e vilões.

Desta forma, peças importantes do tabuleiro de Duna começam a cair sem que suas faltas sejam realmente sentidas. Isso faz com que parte do elenco estelar escalado pelo diretor acabe subaproveitado, salvo algumas exceções.

Esse desenvolvimento acelerado faz com que a segunda metade do filme funcione de maneira inversa. A jornada de Paul torna-se pacata e menos interessante, assim como o clímax --que faz a virada mais importante para a introdução da continuação já anunciada.

Talvez o medo de criar um longa maçante tenha feito Villeneuve mais ousado no visual do que em sua própria história, mas a Marvel e seu Vingadores: Ultimato (2019) já mostraram recentemente que três horas de filme passam rápido se bem construídas e costuradas. Há material suficiente para isso em Duna, mas a sensação final é de que faltou um algo a mais quando os créditos começam a subir.

De todo modo, Duna não passa nem perto de ser um filme ruim. O esplendor com que foi criado esse universo é de fato surpreendente e pode aumentar ainda mais em escala caso a Parte 1 faça o sucesso necessário para a continuação ser oficializada. Fica a dúvida se o público, aquele que realmente importa, vai se jogar de cabeça nessa franquia tão importante para a cultura pop como um todo.

Assista ao trailer legendado de Duna:

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