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ALGUÉM ENTENDEU?

Complexo, novo filme da Netflix é feito para questionar a própria inteligência

Divulgação/Netflix

Jesse Plemons (à esq), Jessie Buckley, Toni Collette e David Thewlis jantam em cena de Estou Pensando em Acabar com Tudo 2020), da Netflix

Jesse Plemons (à esq), Jessie Buckley, Toni Collette e David Thewlis; nem o elenco entendeu filme da Netflix

ANDRÉ ZULIANI

Publicado em 10/9/2020 - 6h45

Um grande debate tomou as redes sociais nos últimos dias: quem foi capaz de entender Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020), filme que estreou na última sexta (4) na Netflix? Escrito e dirigido por Charlie Kaufman, o longa apresenta uma narrativa complexa, que deixou os assinantes da plataforma questionando a própria inteligência.

As dúvidas em torno de Estou Pensando são tantas que até alguns críticos têm discordado sobre como rotular o filme. Enquanto alguns o citam como um thriller psicológico, outros o descrevem como um terror leve, mesmo que sem os tradicionais sustos que costumam aparecer nestas obras.

Na trama, uma jovem, interpretada por Jessie Buckley (Chernobyl) está em viagem para conhecer os pais de seu namorado, Jake (Jesse Plemons, o Todd de Breaking Bad). Ao chegar na casa dos sogros, localizada em uma fazenda no interior dos Estados Unidos, ela se depara com o excêntrico casal, vivido por Toni Collette (Inacreditável) e David Thewlis (Harry Potter).

A sinopse pode parecer simples na teoria, mas na prática é complicada até demais. O longa é uma adaptação do best-seller homônimo escrito pelo canadense Iain Reid lançado em 2016 --e igualmente complexo.

[Cuidado: spoilers abaixo]

Durante todo o trajeto, o público acompanha o casal principal conversando sobre assuntos mundanos e enfrentando o que promete ser o início de uma grande nevasca. É aí que a moça, inicialmente apresentada como Lucy, começa a apresentar seu grande questionamento: internamente, ela está pensando em acabar com tudo.

Como o casal não está junto há muito tempo, a garota começa a pensar se existe um futuro para os dois. Mesmo que Jake seja um bom namorado, existem certas questões na relação, mesmo que pequenas, que a fazem cogitar dar como encerrada essa "aventura" amorosa.

Por se tratar de uma obra de Charlie Kaufman, conhecido em Hollywood por escrever histórias peculiares e vencedor do Oscar de melhor roteiro por Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (2004), a trama poderia apenas ser uma discussão sobre a relação dos dois personagens e como ela influencia a vida de ambos. Mas, como dito, não é tão simples assim.

Na casa dos pais de Jake, nada é o que parece ser do cachorro da família ao segredo guardado no porão. Kaufman confunde o espectador com a sua troca de elementos básicos. Os cabelos e a aparência dos sogros, as roupas de Lucy e até mesmo o nome da protagonista --tudo se inverte em uma grande metamorfose.

É importante citar que, em meio à apresentação da narrativa principal, o diretor acrescenta cenas centradas em um idoso zelador de colégio. Mesmo na expectativa de que tudo se encaixe no final, o processo é longo e confuso. Para alguns, pode não ser tão esclarecedor assim. A falta de respostas nem sempre é interessante.

É normal se perder em uma análise sobre quais elementos do filme são reais e o que é apenas projeção. Essa discussão, no entanto, pode ser irrelevante. É uma produção para interpretações, e qualquer outro tipo de análise de terceiros pode causar uma desilusão que não convém. Assim como Jake e Lucy, cada um sente de um jeito.

Entre discussões sobre as relações humanas e as decisões que as pessoas enfrentam ao longo da vida, seja no aspecto profissional ou amoroso, Estou Pensando em Acabar com Tudo utiliza o surrealismo para mostrar que a vida pode ser dolorosa, mas que ainda é possível ver uma luz no fim do túnel.

Confusão bem-vinda

Se o longa deixou a maioria de seus espectadores confusos, a Netflix parece se divertir com a situação. Em vídeo publicado nas redes sociais, a plataforma colocou diretor e elenco para darem as próprias interpretações do filme. Nem eles, no entanto, conseguem afirmar sobre o que, de fato, diz a narrativa.

A pluralidade de opiniões parecia ser o objetivo principal de Kaufman. Em entrevista ao site Indiewire, o cineasta disse não ter a preocupação de explicar o filme. "Deixo as pessoas terem as próprias experiências, então não crio expectativas sobre o que elas vão achar", explica. "Eu apoio que todos tenham as próprias interpretações."

Veja abaixo o vídeo com o elenco falando sobre o filme:

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