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ANÁLISE

Globo faz festa para dizer que ficou moderninha e não precisa de Bolsonaro

Reprodução/TV Globo

Caricatura de Jair Bolsonaro no Zorra de ontem (10): Globo não convidou políticos para sua festa  - Reprodução/TV Globo

Caricatura de Jair Bolsonaro no Zorra de ontem (10): Globo não convidou políticos para sua festa

DANIEL CASTRO

dcastro@noticiasdatv.com

Publicado em 11/8/2019 - 6h46
Atualizado em 11/8/2019 - 7h18

A última quinta-feira (8) foi mais agitada do que o normal no outrora Projac, hoje Estúdios Globo, por onde passam 220 mil pessoas por mês. A Globo tirou o dia para celebrar a expansão em 40% de sua capacidade de produção de séries e novelas, com a inauguração do moderno e high-tech MG4, o seu quarto módulo de gravações.

Mais do que fazer barulho para um fato relevante em sua linha do tempo, a Globo quis deixar muito evidente que está mudando, que a história de que está se transformando em uma empresa moderna e tecnológica (media tech) não é conversa furada.

Nas entrelinhas de seu discurso, a Globo disse também que não precisa do dinheiro de propaganda do governo Bolsonaro para continuar crescendo, haja vista seu papel de protagonista no mercado publicitário e sua envergadura financeira, com mais de R$ 10 bilhões em caixa. E que está disposta a se arriscar para garantir seu futuro, mantendo um alto nível de investimento em produção de entretenimento e tecnologia (R$ 5,3 bilhões por ano até 2021).

"Isso está levando, olhando pelo lado financeiro, a nossa base de custos a subir. Portanto, a gente pode esperar, a gente vai sacrificar uma parte do nosso resultado operacional nos próximos três anos para financiar esse processo de transformação. Ano passado a gente [o grupo todo] teve em torno de R$ 15 bilhões de receita e um lucro operacional de R$ 1,5 bilhão. A gente vai sacrificar uma parte desse resultado para financiar esse processo de transformação", disse o presidente-executivo do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, a um grupo de jornalistas.

Nóbrega, não à toa, vestia na ocasião um figurino de executivo descolado do Vale do Silício. Usava jaqueta e óculos despojado. Ninguém estava engravatado na cerimônia.

Mais de 1.500 pessoas foram convidadas para pelo menos um dos quatro eventos que marcaram o dia de celebração da Globo. Nenhuma delas era político. Havia muito artista, gente de publicidade, profissionais de produtoras independentes, empresários. Nenhuma autoridade.

A Globo confirma a ausência de políticos e justifica: "A ideia era celebrar com a comunidade audiovisual, com os segmentos que participam conosco da economia criativa".

É uma boa resposta, mas é óbvio que a ausência de políticos ajuda a reforçar sua imagem atual de "independente" do poder. Se convidasse, seria constrangedor ouvir um eventual "não" do presidente Jair Bolsonaro, que não esconde sua percepção de que a Globo é sua inimiga e que assim deve ser tratada.

Igualmente desafeto político da Globo, talvez até mais do que Bolsonaro, é o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, sobrinho do bispo Edir Macedo, dono da rival Record. Sem relações com a Presidência da República e com a Prefeitura do Rio, não faria sentido convidar o governador de um Estado em que todos os ex-governadores estão presos. E nenhum deputado, senador ou vereador.

Divulgação/tv globo

Adriana Esteves com João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto Marinho na festa do MG4

Pacotes de canais na internet

No evento de inauguração do MG4, a Globo também deixou claro onde quer estar quando for uma "media tech" e "Uma Só Globo", processos que correm paralelamente e que devem estar concluídos até o final de 2021: a Globo quer ser como uma Netflix, Amazon ou (em breve) Disney, uma empresa que produz seus conteúdos e os distribui diretamente, através de sinal aberto e plataforma própria (o Globoplay), sem a necessidade de intermediação de operadoras de TV por assinatura, mas também sem excluí-las.

Segundo Jorge Nóbrega, a emissora já está pronta para ofertar pacotes de canais diretamente ao telespectador, sem autenticação de operadora de TV paga. Já faz isso com os canais Telecine, de cinema, e Premiere, de futebol (per-per-view), por preços inferiores aos da TV paga.

No evento da quinta-feira, Nóbrega falou que vai haver uma "mudança na forma de vender o nosso conteúdo, em todas as plataformas".

"Vamos criar condições mais flexíveis para que as pessoas possam acessar nossos conteúdos via digital, em nossa própria plataforma. [Vamos] Oferecer para cada um o que cada um quer. Quer Globoplay e futebol, você vai ter um pacote Globoplay e Premiere. Quer Globoplay e filmes, você tem um pacote Globoplay e Telecine. E assim por diante. A gente poder fazer ofertas mais diversificadas para os nossos clientes. Uma só empresa [Globo e Globosat], que vai operar diferentes produtos e diferentes serviço", disse.

Em outras palavras, a Globo está se preparando par entregar ao telespectador, hipoteticamente, um pacote que tenha apenas determinados canais do grupo, como a própria Globo, o GNT e o Viva.

Na verdade, já pode fazer isso. Não o faz porque ainda lhe falta tecnologia para ter o mesmo padrão de qualidade de entrega de Netflix e Amazon e porque o modelo atual, de distribuição por TV por assinatura, ainda é muito lucrativo. Mas isso vai acabar, seja pela pressão da tecnologia ou do mercado ou por mudança na legislação.

Nesse sentido, a medida provisória que o governo Bolsonaro prepara, acabando com as limitações para a propriedade cruzada entre produtores e distribuidores (para aprovar no Brasil a fusão da AT&T com Time Warner), pode beneficiá-la.

É que a mesma medida provisória, a pedido das emissoras de TV, poderá tratar a distribuição de conteúdo via internet como um serviço diferente de TV por assinatura, sem os mesmos encargos tributários e obrigações legais. Isso marcará o fim da TV paga como a conhecemos e o início de uma era em que todos os conteúdos, lineares ou sob demanda, estarão em aplicativos.

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