EMPRESAS DA DISNEY

Fox Sports vai acabar? Entenda as consequências da fusão com a ESPN

REPRODUÇÃO/FOX SPORTS

Felippe Facincani, Flavio Gomes, Fábio Sormani, Benjamin Back, Osvaldo Paschoal e Mano no Fox Sports Rádio

Comentaristas no Fox Sports Rádio; canal deve ser mantido pelo ar na Disney até 1º de janeiro de 2022

DANIEL CASTRO e VINÍCIUS ANDRADE - Publicado em 09/05/2020, às 06h03

Uma novela que se arrastava desde fevereiro de 2019 chegou ao fim nesta semana, com a aprovação da fusão entre a ESPN Brasil e o Fox Sports pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). No entanto, dúvidas ainda pairam sobre as consequências dessa decisão para o mercado esportivo e de TV por assinatura no Brasil.

Uma delas é: o Fox Sports vai acabar? Num primeiro momento, a resposta é não. Na decisão da última quarta (6), uma das obrigações impostas pelo Cade para a Disney, dona dos dois canais, é manter na grade ao menos o Fox Sports 1, com o padrão atual de qualidade, incluindo programas ao vivo e a transmissão dos jogos da Copa Libertadores da América, até 1º de janeiro de 2022.

Depois dessa data, a marca Fox Sports deixará de existir no Brasil ou poderá ser comprada por qualquer outro grupo ou investidor que se interesse. Porém, todos os direitos de transmissão e a estrutura, como a sede no Rio de Janeiro, os equipamentos e os profissionais, ficam com a Disney.

Fontes ouvidas pelo Notícias da TV explicam que essa fusão aumentará a base da ESPN Brasil para no mínimo 10 milhões de assinantes, que é o número de clientes da TV paga que assinam atualmente os canais Fox Sports --a ESPN tem 7 milhões.

Além disso, a junção faz com que a Disney fique com 36% da audiência dos canais esportivos da TV por assinatura e ganhe mais força contra o Grupo Globo, que detém 57% com o SporTV.

A partir de agora, os canais ESPN já podem começar a reforçar a sua programação com os eventos que antes eram exclusivos do Fox Sports, como a Libertadores e a Bundesliga (Campeonato Alemão). A única condição imposta pelo Cade é que esses eventos continuem também sendo exibidos pela Fox até o final do ano que vem.

Os direitos que pertencem à ESPN, como Premier League, NBA e NFL, também podem ser compartilhados com o Fox Sports, mas dificilmente a Disney optará por colocar grandes jogos no canal de uma marca que continua sendo sua rival nos Estados Unidos.

Até janeiro de 2022, o objetivo será aumentar a base de assinantes e a audiência da ESPN. Após a fusão, uma das expectativas do mercado é que a empresa do Mickey se coloque como uma rival mais forte do Grupo Globo, da Turner e até do DAZN na disputa pelos direitos esportivos de transmissão.

Nessa linha, uma hipótese seria a Disney, para compensar a retração da TV paga, oferecer pay-per-view da Libertadores em um aplicativo de streaming. Em 2022, a ESPN terá direito a exibir a Libertadores sozinha na TV por assinatura. Um ano antes, no entanto, terá de disputar os direitos de 2023 em diante com outros players, em uma nova licitação da Conmebol.

Fox Sports teve venda emperrada

Em fevereiro de 2019, o Cade aprovou a compra da Fox pela Disney condicionada à venda do canal Fox Sports ainda naquele ano. A companhia norte-americana bilionária tentou se livrar dos dois Fox Sports, mas não conseguiu negócio.

A Disney chegou a contratar uma empresa independente, a Pyne Media, que teria a função de ajustar termos de negociação com interessados, mas a consultoria de Benjamin Pyne não teve sucesso. Em novembro, o Cade comunicou que iria reavaliar essa condição; nesta semana, o órgão decidiu aprovar a fusão e encerrou a novela.

O Notícias da TV apurou que o motivo principal para a venda encalhar foi que a Disney fixou um valor por assinante (entre R$ 2,00 e R$ 3,00), ou seja, a expectativa de receita que os canais Fox teriam com as operadoras (sem contar publicidadade). Nessa conta, suas despesas seriam maiores do que as receitas, o que afugentou possíveis investidores.

No negócio de US$ 71,3 bilhões (R$ 409,1 bilhões), fechado em julho de 2018, a Disney comprou os direitos de todas as operações da Fox no mundo, menos nos Estados Unidos. Por lá, a Fox continuou com seus principais canais em operação. 

No Brasil e nos demais países, os canais da empresa de Rupert Murdoch seriam descontinuados e substituídos por marcas pertencentes à Disney que operam no mesmo tipo de negócio.

Além da compra da Fox, a Disney levou sucessos produzidos ou distribuídos pela concorrente, como a série de animação Os Simpsons, e filmes, como os premiados X-Men e Quarteto Fantástico --que poderão se juntar ao Universo Cinematográfico da Marvel, do qual já fazem parte nas histórias em quadrinhos. O grande negócio dessa fusão, contudo, não é TV paga, mas o streaming, com o Disney+.

Daniel Castro
DANIEL CASTRO transformou a coluna de Televisão da Folha de S.Paulo na mais relevante do país durante sua passagem pelo jornal, entre 1991 e 2009. Trabalhou no Notícias Populares (1995-96) e R7 (2009-13). E-mail: dcastro@noticiasdatv.com

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