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Disney não consegue vender Fox Sports, e Cade decide reavaliar fusão bilionária

Reprodução/Fox Sports

Benjamin Back no programa Aqui com Benja, do Fox Sports

Benjamin Back no programa Aqui com Benja, do Fox Sports: canal esportivo pode melar fusão

REDAÇÃO

Publicado em 13/11/2019 - 18h22

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) anunciou nesta quarta-feira (13) que vai reavaliar a fusão da Disney com a Fox no Brasil. Segundo nota divulgada pelo órgão, a operação será revista porque a empresa do Mickey Mouse não conseguiu vender os canais Fox Sports, uma das condições pré-existentes para a aprovação do negócio de US$ 71,3 bilhões (R$ 300 bilhões).

Segundo o acordo firmado, a Disney precisaria repassar os canais esportivos para outro grupo interessado ainda em 2019. Seria uma maneira de evitar uma concentração excessiva de um conglomerado no setor: a empresa já é dona da ESPN, e por isso não pode controlar também o Fox Sports.

"O objetivo era permitir que a estrutura do mercado permanecesse com a mesma pressão competitiva anterior à fusão, com a continuidade de três opções de canais de esportes para os consumidores no Brasil: SporTV (da GloboSat), ESPN e mais uma nova empresa com os ativos da Fox Sports", diz o comunicado.

Na nota, o Cade ressalta que a Disney até se esforçou para vender os canais, mas não conseguiu cumprir o prazo. "Embora as partes tenham se esforçado para cumprir a determinação, a venda não foi concretizada. Desse modo, conforme previsto na cláusula 14.3 do ACC [Acordo em Controle de Concentrações], o Cade decidiu revisar a operação", informa o órgão.

A companhia norte-americana bilionária, de fato, fez o possível para se livrar dos dois Fox Sports: ela chegou a contratar uma empresa independente, a Pyne Media, que teria a função de ajustar termos de negociação com interessados. A consultoria de Benjamin Pyne, porém, não conseguiu fechar nenhum negócio.

Alexandre Barreto, presidente do Cade, considerou que a reapreciação é a solução que melhor considera as preocupações do mercado e da autarquia para evitar um possível monopólio ou concorrência desleal. "A medida mostra-se equânime e proporcional justamente por oportunizar que se manifestem sobre outras opções viáveis", disse Barreto.

A fusão Disney e Fox

No negócio de US$ 71,3 bilhões, fechado em julho do ano passado, a Disney comprou os direitos de todas as operações da Fox no mundo, menos nos Estados Unidos. Por lá, a Fox vai continuar com seus principais canais em operação. 

No Brasil e nos demais países, os canais da empresa de Rupert Murdoch seriam descontinuados e substituídos por marcas pertencentes à Disney que operam no mesmo tipo de negócio.

Além da compra da Fox, a Disney levou sucessos produzidos ou distribuídos pela concorrente, como a série de animação Os Simpsons, e filmes, como os premiados X-Men e Quarteto Fantástico --que poderão se juntar ao Universo Cinematográfico da Marvel, do qual já fazem parte nas histórias em quadrinhos.

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