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CULTURA SEM APOIO

Patricia Pillar critica trabalho de Regina Duarte no governo: 'Não tem a mínima noção'

Divulgação/TV Globo

Patricia Pillar em cena de Onde Nascem os Fortes, numa paisagem de sertão

Patricia Pillar em Onde Nascem os Fortes, seu trabalho mais recente; ela critica o governo Bolsonaro

FERNANDA LOPES

Publicado em 22/5/2020 - 5h34

Patricia Pillar está muito sentida com a forma com que a Cultura e os profissionais da arte no Brasil têm sido tratados pelo governo de Jair Bolsonaro, principalmente durante a pandemia de coronavírus (Covid-19). A atriz reclama da falta de apoio para os artistas, mas acha que isso é parte de um projeto anticultural. Ela alfinetou implicitamente a gestão de Regina Duarte, que foi secretária especial de Cultura durante dois meses.

"Tem um plano de extermínio do artista e da cultura. Acho que existe um plano de extermínio pra que calem as nossas vozes. Isso dá pra se ver em cada setor [do governo]. Poderia ter gente pensando, e não, pessoas são colocadas lá pra não fazer [nada], pra brecar as pautas", ela afirmou, durante entrevista coletiva realizada virtualmente para divulgar a estreia da novela A Favorita (2008) no Globoplay.

"Coloca o ministro do Meio Ambiente que quer defender a grilagem de terra. O ministro da Educação odeia educação. Na Cultura, coloca uma pessoa que não tem a mínima noção do que deve ser feito, pensado, quem são as pessoas, os projetos. É um não saber de nada, da primeira noção do que tem que ser feito", disse, indignada.

Patricia ainda lembrou que os teatros fazem parte de um setor que foi um dos primeiros a fechar as portas, assim como os cinemas e as gravações de novelas, que foram paralisadas. Quando houver uma retomada das atividades, essas ainda devem demorar para serem reestabelecidas, pois estão ligadas a aglomerações.

"Somos um setor de aglomerar pessoas. Era necessário, sim, um projeto de apoio pra quem está em muita dificuldade. Aí vem o preconceito, [dizem que] artista rico quer receber [auxílio emergencial]. Quantas pessoas da técnica [precisam de ajuda], equipes gigantescas que dependem disso pra alimentar suas famílias? Estamos vivendo uma falta de respeito com a nossa classe, pra que calem as nossas vozes."

Claudia Raia, que também participou da conversa, lamentou muito a falta de apoio do governo e a ausência de um plano de auxílio para profissionais das artes. "É muito triste o que a gente está vivendo. Triste e preocupante. O governo não tem um plano para a arte, não tem nada! Como se fosse dispensável. É preciso falar e pensar que a cultura é a identidade de um país. Eu não vejo uma luz no fim do túnel, não sei para onde a gente vai", falou.

O trabalho mais recente de Patricia Pillar na Globo foi Onde Nascem os Fortes, em 2018, além de uma participação especial em um capítulo de Salve-se Quem Puder. A atriz não tem perspectivas futuras de trabalho e diz que, nesse período de pandemia, não consegue nem pensar em um possível próximo projeto.

"O mundo está vivendo um momento muito estranho. Teve uma coisa de extrema direita que tomou conta do mundo, no Brasil tem muita coisa acontecendo, tem que pensar em como lidar com tudo isso. No momento, o que me dá prazer é absorver conhecimento. Quando penso em que projeto começar, penso: 'Pra quem? Como?'. Na hora em que eu quiser, vai ter que ser inclusivo, que tenha representatividade da população como um todo. É o que está fazendo sentido pra mim", disse.

"Quero muito mais aprender coisas desse mundo novo, em relação a racismo, por exemplo. A gente tem que ter ações de mudança muito sérias em relação a isso, pra poder construir o Brasil em outras bases. Penso em como ser útil, o que a gente vai ter que pensar e como se comportar pra ser útil a esse Brasil que eu acredito que vai ser reconstruído depois da lama e do caos", declarou a atriz.

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