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SEM SAÍDA

Claudia Raia detona cultura no governo Bolsonaro: 'Não vejo luz no fim do túnel'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Claudia Raia durante entrevista no Lady Night, de Tatá Werneck

Claudia Raia durante entrevista no Lady Night: atriz está descontente com os rumos da cultura no país

FERNANDA LOPES e LUCIANO GUARALDO

Publicado em 21/5/2020 - 17h27

Claudia Raia já superou o novo coronavírus, mas enfrenta uma luta muito maior com Jair Bolsonaro. A atriz detonou as políticas de cultura do governo, que já rebaixou o setor de ministério para secretaria especial e sofre com a instabilidade de chefia --em 17 meses, foram cinco nomes diferentes. "Eu não vejo uma luz no fim do túnel, não sei para onde a gente vai", desabafou a artista e produtora de 53 anos.

A atriz participou de uma coletiva virtual na tarde desta quinta (21) para divulgar a novela A Favorita (2008), que vai ser disponibilizada no Globoplay. No entanto, a conversa tomou outros rumos, e ela não perdeu a oportunidade de criticar o tratamento dado à Cultura no país.

"É muito triste o que a gente está vivendo. Triste e preocupante. O governo não tem um plano para a arte, não tem nada! Como se fosse dispensável. É preciso falar e pensar que a cultura é a identidade de um país", defendeu a atriz.

Responsável por produzir vários espetáculos de teatro musical no Brasil, Claudia tem sofrido com a paralisação das atividades por causa da Covid-19. "Eu, como produtora, estou com equipe parada e sendo remunerada. Simplesmente não aceito ter que mandar equipe embora e contribuir com desemprego. Mas não tem um plano, uma ajuda, uma pesquisa do que a gente está precisando, do que pode ser feito no setor. Isso me preocupa muito", desabafou.

"O teatro e a TV foram o primeiro setor a ser fechado, e será o último a ser reaberto. É muito triste! As pessoas [que trabalham com cultura] não têm o que comer, como sobreviver. Estamos pedindo ajuda! Coisas que o governo deveria fazer, mas estamos sem pai nem mãe", continuou ela.

A intérprete de Donatela reconheceu que os problemas com o setor não são recentes, mas ressaltou que a situação piorou nos últimos tempos. "Agora estamos completamente abandonados. Eu não vejo uma luz no fim do túnel."

Apesar de todos os encalces, a mulher de Jarbas Homem de Mello não vai desistir do que tem feito nos palcos (e nos bastidores). "Continuo acreditando na arte, nas pessoas que fazem arte nesse país. Acho o brasileiro extremamente versátil! Mas a gente não pode contar só com isso. A gente tem que contar com um plano para a cultura do país. E eu não sei o que dizer em relação a isso, não existe", criticou.

"A partir do momento em que o Ministério da Cultura vira uma secretaria [especial], que vai pro [guarda-chuva do Ministério do Turismo], como se a gente fizesse boi-bumbá, é uma coisa louca. Não se tem espaço nem pra discussão. Acho muito triste", finalizou a artista.

Patrícia Pilar, que também participou da conversa, concordou com Claudia e acrescentou mais opiniões indignadas sobre o tratamento do governo Bolsonaro aos artistas brasileiros. Para ela, os profissionais da cultura são tratados sem dignidade, com preconceito e desleixo.

"Os artistas representam uma indústria, são muitos empregos. O ódio é tão grande que não conseguem nem ver que somos empregadores. Nós, os artistas, somos [representantes de] consciência, liberdade, então acho que existe um plano pra que calem as nossas vozes", afirma.

"Somos um setor de aglomerar pessoas. Era necessário, sim, um projeto de apoio pra quem tá em muita dificuldade. Estamos vivendo uma falta de respeito com a nossa classe", lamentou Patrícia.

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