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AMEAÇA DE BOICOTE

Paola Carosella é atacada nas redes após chamar bolsonaristas de 'burros'

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

A chef Paola Carosella com um avental marrom, de óculos de grau com armação preta e cabelo preso em um rabo de cavalo dentro de uma cozinha

Paola Carosella em um dos vídeos de seu canal no Youtube; chef sofre ameaça de boicoite na web

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 23/5/2022 - 13h21

Ex-jurada do Masterchef, Paola Carosella entrou na mira dos apoiadores de Jair Bolsonaro ao sugerir que eles são "ou escrotos ou burros". Ela foi rechaçada por ex-membros do gabinete do presidente, como Mário Frias e Sérgio Camargo, e virou alvo de ameaças de boicote e declarações xenofóbicas nas redes.

As afirmações foram feitas ao DiaCast na quinta (19), mas repercutiram com maior força desde o último domingo (22) no Twitter. Na ocasião, a chef foi questionada sobre a sua relação com pessoas próximas que eram bolsonaristas: 

Não lido mais. Na família do meu sócio até tinha alguns, mas já mudaram. Eu acho que fica muito difícil se relacionar, por dois motivos: ou porque é escroto ou porque é burro. E já ficou demonstrado que [Bolsonaro] não tem nenhum programa de governo, não faz a mínima ideia do que está fazendo.

Paola também criticou a "caça às bruxas" que o político diz promover para evitar que o país se torne socialista. "Ele está lutando contra um comunismo que não existe. Uma coisa meio Quixote. Quando o Brasil foi comunista? Em que momento?", disse.

O vídeo com um trecho da conversa viralizou na bolha bolsonarista, que convocou um boicote aos empreendimentos da cozinheira em São Paulo. Ex-secretário de Cultura do atual governo, Mário Frias chegou a sugerir que a Argentina era comunista ao rebatê-la:

"A pergunta que não quer calar: por que a Paola Carosella não volta para a Argentina? O sistema político que ela quer para o Brasil já foi implantado com sucesso no seu país, a solução é simples. É só voltar para lá", escreveu o ator.

Xenofobia

O teor dos comentários mais uma vez levantou o debate sobre xenofobia, já que não foi a primeira vez que a naturalidade de Paola foi utilizada para desqualificá-la. Ela também sofreu ataques do gênero ao se posicionar contra a liberação de novos agrotóxicos pelo Governo Federal em 2019.

"A Paola está sendo atacada de todas as formas por bolsonaristas. Sabe o que eu acho bacana? Na Argentina, ela preferia o Macri ao Alberto. Mas, aqui no Brasil, faz essa oposição ferrenha ao Bolsonaro. Como todo democrata deveria fazer. Com a extrema-direita não tem papo", elogiou o influenciador Thiago Süssekind.

A culinarista mora no Brasil há duas décadas e, recentemente, entrou com o processo para se naturalizar. "Começamos o processo em 2019. Aí veio a pandemia, os documentos venceram e um não chegou. Em março, entregamos a documentação completa. Quero votar", disse ela, em entrevista à Veja São Paulo.

Confira a entrevista de Paola Carosella ao DiaCast na íntegra:


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