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APOLOGIA À TORTURA

Jornalista que teve o pai morto na ditadura processa Regina Duarte: 'Horrorizada'

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Imagem de Regina Duarte durante a cerimônia de posse como Secretária Especial da Cultura

Regina Duarte em cerimônia de posse; atriz foi processada por jornalista por apologia a crime de tortura

REDAÇÃO

Publicado em 22/6/2020 - 8h18

Regina Duarte é alvo de um processo por apologia a crimes de tortura. A ação foi aberta pela jornalista Lygia Jobim, alegando que a ex-Secretária Especial da Cultura relativizou os crimes cometidos durante a Ditadura Militar durante entrevista à CNN em 7 de maio. Lygia é filha de José Jobim, sequestrado, torturado e morto em 1979, durante o regime. "Fiquei horrorizada", disse ela.

Em entrevista ao jornal O Globo, a jornalista relatou os motivos da decisão de abrir o processo. "Não há liberdade de expressão que abarque a apologia a crimes. É um acinte a todos os que foram afetados pela violência", declarou. A ação tramita no Juízo Substituto da 23ª VF do Rio de Janeiro e se estende também ao Ministério do Turismo, que abriga a secretaria. Nela, Lygia cobra uma indenização de R$ 70 mil.

Na ocasião da entrevista, Regina cantou a marchinha Pra Frente Brasil, que virou símbolo do governo na época do regime militar. "Não era gostoso cantar isso?", questionou. Ao ser lembrada dos crimes que aconteceram na ditadura pelo jornalista Daniel Adjuto, a atriz disse que "sempre houve tortura", e que não se devia "ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80".

Lygia afirmou que abriu o processo não só em memória de sua família, mas de todas as pessoas afetadas pelo regime. Em um documento de 25 páginas, o advogado Carlos Nicodemus alega que a ação de indenização é contra "um claro dano nacional": "As ofensas apontadas atingem objetivamente toda a memória do Sr. José Jobim, torturado e morto durante o período ditatorial no Brasil", escreveu ele.

O pai de Lygia foi um diplomata e economista e desapareceu em 1979 após afirmar que iria denunciar o superfaturamento na construção da usina hidrelétrica de Itaipu. O corpo de Jobim foi encontrado após dois dias, pendurado pelo pescoço em uma árvore. Em 2018, o Estado reconheceu que ele havia sido torturado e morto pelo regime militar e que a hipótese de suicídio levantada na época havia sido forjada.

Artistas como Bruno Gagliasso, Anitta, Alice Wegman e José de Abreu também se revoltaram diante das declarações de Regina para a CNN. A atriz se defendeu através de um artigo escrito no jornal Estado de São Paulo e disse que citou os versos da música pelo "sonho de brasilidade e união": "Nada a ver com defesa da ditadura", escreveu ela.

Duas semanas após a entrevista, Regina foi demitida do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. A exoneração foi registrada no Diário Oficial da União em 10 de junho, e na sexta (19) o presidente da República anunciou o ator Mário Frias como novo Secretário Especial da Cultura

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