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JOÃO GABRIEL VASCONCELLOS

Inocentado em caso de agressão, ator de Chiquititas desabafa: 'Fui humilhado'

REPRODUÇÃO/SBT

João Gabriel Vasconcellos em cena como Armando em Chiquititas (2013)

João Gabriel Vasconcellos em cena como Armando em Chiquititas (2013); inocentado em caso de agressão

ELBA KRISS

elba@noticiasdatv.com

Publicado em 30/1/2021 - 7h10
Atualizado em 1/2/2021 - 18h51

Intérprete de Armando em Chiquititas (2013), João Gabriel Vasconcellos foi inocentado no processo de violência doméstica movido por sua ex-mulher, Jessica Aronis. O caso se arrastava desde 2018 no Tribunal de Justiça de São Paulo, e somente agora o ator pode dizer que a justiça foi feita. "Fui muito humilhado publicamente", desabafa.

De acordo com o processo judicial, a modelo relatou um momento de descontrole do ator durante uma reunião da empresa da qual eles eram sócios. Ele teria gritado com ela e a agarrado pelo braço. Ainda segundo a acusação, a situação só teria parado após um funcionário da empresa acionar a Polícia Militar.

Nos autos, no entanto, o relato é de que a questão foi resolvida ali mesmo com ambas as partes. "No dia do suposto entrevero, um dos funcionários do estabelecimento do qual eram sócios, ao ouvir uma discussão entre os dois, acionou a PM. Não porque ela foi agredida, mas pelo fato de ter ouvido uma discussão", consta na decisão.

"O policial relatou ter atendido à ocorrência no estabelecimento comercial do réu e da vítima. Chegou ao local e conversou com ambos, que disseram que estava tudo bem. Nenhum dos dois apresentava lesão. Como disseram que havia sido apenas uma discussão, o declarante encerrou a ocorrência. Se a vítima estivesse com marcas de agressões, conduziriam o réu à delegacia. Ambos estavam tranquilos", detalha a ação.

Além disso, o caso trouxe à tona um áudio em que o artista ameaçava Jessica. Segundo Daniell Roriz, advogado de Vasconcellos, a gravação anexada ao processo não configura delito. "Todo elemento probatório não traduziu qualquer tipo de crime, e sim colocações inadequadas, as quais jamais foram negadas pela defesa. Ou seja, apesar de o casal ter tido um comportamento questionável, as ofensas mútuas não se traduzem em crime à luz da legislação brasileira. Moral e crime são condições diferentes", frisa.

"Este resultado [a inocência] confirma sob a óptica do Poder Judiciário tudo aquilo que sempre foi sustentado no curso dos processos: João Gabriel não cometeu qualquer crime atrelado ao que foi denunciado", completa Roriz.

O ator João Gabriel Vasconcellos em recente ensaio fotográfico para seu perfil no Instagram

Desde que o caso foi parar na Justiça, Vasconcellos se recolheu. Ele está no ar na reprise de Chiquititas no SBT, mas seu último trabalho inédito como ator foi na série (Des)Encontros (2018), do Sony Channel. A reclusão não foi opcional. Segundo ele, as portas se fecharam.

Agora, após provar na Justiça que não cometeu crime algum, ele consegue falar publicamente sobre o imbróglio, para ele, finalizado.

"Toda a fase recursal de análise de provas já foi encerrada. Ou seja, os fatos em questão no processo foram analisados por sete juristas --entre juízes e desembargadores--, que me absolveram em todas as instâncias por entenderem que as provas apresentadas pela acusação eram improcedentes. Isto é, infundadas", desabafa.

"Por exemplo, a de corpo de delito. Nós nos separamos definitivamente no dia 2 de março de 2018. O exame apresentado como prova foi realizado no dia 20 de abril. A partir do resultado, o próprio promotor afirmou estar evidenciado que aquele indício não poderia ter ocorrido no dia 2 de fevereiro [como Jéssica havia alegado]. O exame não apresentou nexo temporal, considerando a data de separação e o grau da marca. Consegui provar que aquele apontamento no corpo apresentado não foi promovido por mim", explica.

Reputação assassinada

Diante de tudo o que foi exposto nos autos, Vasconcellos admite seu "comportamento questionável", como seu próprio advogado declarou. "Foram colocações inadequadas, as quais jamais foram negadas por mim. As ofensas eram mútuas e não se traduzem em crime", reafirma ele sobre a relação com Jéssica.

"Tivemos divergências de opiniões. Falhamos enquanto casal. Falhamos também enquanto sócios", assume. O casamento de cinco anos terminou na Justiça, o que ele lamenta. "Nós nos separamos e não nos vemos mais desde o dia 2 de março de 2018. Ela fez um exame de corpo e delito no dia 20 de abril alegando que eu havia machucado o braço dela em 2 de fevereiro. Fiquei muito triste com essa falsa acusação", declara.

Para Vasconcellos, os últimos dois anos foram de completa injustiça. É assim que ele define o desrespeito que vivenciou. "Impossível lidar bem com o que houve. A internet se tornou um local ofensivo e judicioso, de empatia seletiva. Um ambiente em que pessoas que não leram o processo dão seu veredito antes do julgamento, e questionam decisões de profissionais sérios como juízes e desembargadores", observa.

"Eu recebi críticas, xingamentos e ameaças. Fui muito humilhado publicamente. Por diversas vezes. A injustiça machuca muito. Entrei em depressão e me isolei. Não houve preocupação com a minha integridade. Não houve compaixão, empatia. Nunca dei motivos para duvidarem do meu caráter. Quem me conhece sabe como repudio qualquer violência contra mulher", desabafa.

Ter seu nome investigado em um caso de violência doméstica trouxe consequências para a carreira. Ele não conseguiu mais nenhum trabalho artístico. "Desde então não me envolvi em qualquer produção audiovisual ou espetáculo teatral. Fui afastado da agência de modelos na qual eu estava há 14 anos. Vi meu nome envolvido em notas de emissoras e produtoras. [Tive] Contratos publicitários cancelados", lista.

"É difícil mensurar financeiramente o quanto esse ocorrido afetou o meu lado profissional. Eu tinha acabado de encerrar uma série, uma outra tinha acabado de ser exibida em diferentes canais, e já estava me preparando para rodar outra. Estava também no meio de um teste para uma novela. Todas essas possibilidades me foram tiradas quando minha reputação foi assassinada", lastima.

Do pesadelo em que sua vida se transformou, o ator ressalta que o SBT, sua antiga emissora, foi solidária diante de toda a questão. "Gostaria de externar minha extrema admiração pelo canal SBT e sua equipe técnica, que sempre agiram com respeito e cordialidade, mesmo durante toda a polêmica, por entenderem que todos nós temos direito à defesa", relembra.

"Isso [uma falsa acusação] pode acontecer com qualquer um. Um filho, um pai, um irmão ou um amigo de qualquer pessoa pode ser acusado injustamente. Para isso serve a justiça, para investigar e julgar. Eu consegui provar em todas as instâncias que sou inocente. Chegou a vez de mostrar a verdade", aponta.

Vasconcellos se prepara para focar na reconstrução de sua carreira. Ele quer voltar a trabalhar na profissão que escolheu, mesmo que isso signifique começar do zero. "Entendo que o artista não escolhe a profissão, é escolhido. Então, por mais que ame atuar e tenha me preparado uma vida inteira para isso e este seja um prazer que me foi tirado, aceito a dor da perda", diz.

"Se, infelizmente, eu não puder me empregar profissionalmente na arte da atuação, minha inquietude continuará buscando caminhos para sua expressão e mudança. Seja na arte dramática, visual ou no dia a dia. No mais, a própria verdade restabelecida e o tempo serão os responsáveis pelo restabelecimento da minha imagem", finaliza.

O outro lado

Ao Notícias da TV, a defesa de Jéssica se absteve de comentar a decisão. "Lamentavelmente não podemos falar sobre o caso, por estar em segredo de justiça", declarou o advogado Marcelo Feller, que representa a modelo.

A influenciadora digital, por sua vez, enviou uma declaração sobre o caso que corre na Justiça. A modelo ressaltou que lamenta as recentes análises e decisões sobre a denúncia que fez. E frisou que fez seu papel como mulher e cidadã. "Sofri um relacionamento absurdamente abusivo e denunciei, processei, gritei ao mundo a urgência da consciência e da elucidação deste tema", desabafou. Leia a íntegra: 

"Minhas palavras quanto ao caso do João:

Eu sinto muitíssimo pela Justiça desse país em que vivemos. Sinto muito por todas as mulheres que passaram ou passam por situações similares e não se sentem protegidas judicialmente, como no meu caso e o da Mari Ferrer. Sinto muito por alguns de nossos meritíssimos não serem capacitados a lidarem com vítimas fragilizadas, tampouco a entenderem o funcionamento do ciclo da violência doméstica.

Sinto muito pelas vítimas serem obrigadas a passar por uma segunda violência quando fazem a denúncia. Sinto muito por muitas mulheres não terem o apoio psicológico que eu tive o privilégio de ter. Sinto muito pelo machismo enraizado que vivemos e por muitos ainda não terem a maturidade de enxergar. Sinto muito por todas as mulheres que morrem ao dia simplesmente pelo fato de serem mulheres. Sinto muito pelos gritos de socorro ignorados. Sinto muito.

Minha parte eu fiz. Sofri um relacionamento absurdamente abusivo e denunciei, processei, gritei ao mundo a urgência da consciência e da elucidação deste tema. Abri meu coração, abracei minha vulnerabilidade, enfrentei meus medos para subir em um palco e contar a minha história. Levei isso como missão para ajudar milhares de outras mulheres que passaram ou ainda passarão por isso. Isso eu fiz. E isso eu vou fazer.

O final da história judicial tampouco me importa agora, já que conhecemos a estrutura judicial brasileira. Minha história foi e vai muito além disso. Continuarei a minha luta, alertando, trazendo conscientização e salvando vidas. E para isso, vocês podem contar comigo. Isso não calará a minha voz, porque, meu amigo, eu tenho um batalhão maravilhoso junto comigo, a favor do amor e em protesto à violência. Hoje esse é o meu trabalho, a minha causa.

A verdade eu sei e, dentro dele, ele também sabe de todo crime que cometeu. Não me importa as palavras vazias que ele pronuncia. Contando a minha história, minha intenção nunca foi dar importância a ele, nunca divulguei o nome dele. Não é sobre ele que quero falar e tampouco lembrar. Ele não importa, ele é indiferente. O que me importa é a história que se repete dia após dia em nosso país.

De qualquer maneira, para quem tem dúvidas, apesar da decisão judicial, há bastante materiais disponíveis na internet sobre o caso. O importante é que ressignifique a minha dor, transformei minha história e é esse o exemplo que quero passar a diante. Esse é o meu trabalho, essa é a minha luta."


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