AGORAFOBIA

Galã Marcos Pasquim supera transtorno psiquiátrico: 'Tive medo de morrer'

Reprodução/TV Globo

Marcos Pasquim interpreta o pescador Marino na novela O Tempo Não Para: superação - Reprodução/TV Globo

Marcos Pasquim interpreta o pescador Marino na novela O Tempo Não Para: superação

RUI DANTAS - Publicado em 05/09/2018, às 06h17

Quem vê Marcos Pasquim, galã de novelas da Globo, não imagina que o ator desenvolveu um transtorno psiquiátrico conhecido como agorafobia. A doença é um distúrbio que, em geral, se desenvolve após o paciente ter pelo menos uma crise de pânico. "Tive medo de morrer e perdi até a libido", revela ao Notícias da TV. Essa é a primeira vez que o ator de 49 anos, intérprete do Marino de O Tempo Não Para, admite que teve o transtorno.

Sem explicação e, no geral, de uma hora para outra, o agorafóbico começa a temer situações em que acredita que vá desenvolver os sintomas do pânico, de acordo com os médicos. O receio acaba por desencadear o próprio pânico em si.

Pasquim confirma que conviveu com a doença entre 2002 e 2006, e a primeira crise ocorreu quando ele gravava a minissérie O Quinto dos Infernos, da qual era protagonista, fazendo o papel de dom Pedro 1º.

"Eu estava no banho e, de repente, sem mais nem menos, meu coração disparou. Tive uma taquicardia muito forte e pensei: 'Meu Deus, vou morrer'."

Pasquim se deitou, na esperança de que a sensação que ele descreve como desesperadora passasse. Sem melhorar, foi à varanda de seu apartamento, que ficava de frente para o mar no Rio de Janeiro. Naquele momento, para se acalmar, imaginou que baixaria a adrenalina contando as ondas na praia.

Na hora, conseguiu ficar melhor, mas, nos dias seguintes, a ansiedade e as crises só aumentaram. Em uma viagem de férias com a namorada aos Estados Unidos, teve um novo surto durante uma visita ao Grand Canyon, no Arizona.

"Subimos de helicóptero para dar uma volta panorâmica e tive um novo ataque de desespero, de novo aquela sensação de que ia morrer", lembra. Ele tentou, a todo custo, fazer com que ninguém percebesse o que acontecia durante o voo.

De volta ao Brasil, em uma viagem na ponte aérea Rio-São Paulo para encontrar a namorada, o ator estava no avião sentado na janela e, outra vez, começou a passar mal. Como um médico lhe havia explicado que o agorafóbico sofre uma descarga de adrenalina no organismo nos momentos de crise, ele acreditou que poderia melhorar se ficasse pulando no banheiro.

Depois de alguns minutos, saiu do local, com falta de ar e passou a andar no corredor do avião sem parar. "Acho que as pessoas imaginaram naquele momento que eu havia me drogado, mas eu estava tendo um ataque da doença."

No momento da aterrissagem, quando é obrigatório que todos os passageiros estejam sentados com os cintos afivelados, Pasquim não queria voltar ao seu lugar.
Pediu um copo de água à aeromoça e, depois de muita insistência dos comissários de bordo, voltou e se sentou. Assim que o avião desceu, beijou o chão.

divulgação/tv globo

O ator no papel de dom Pedro 1º em O Quinto dos Infernos: estresse pelo sucesso e crises

Nos 15 dias seguintes, os sintomas continuaram, e Pasquim revela que a única coisa que o tranquilizava era jogar Gran Turismo no videogame. "Não saía do apartamento. Perdi até a libido".

Ao voltar para o Rio, teve sua medicação ajustada pelo médico e deixou de desenvolver os sintomas. Depois de quatro anos, fez o que chama de "desmamada". "Tomava duas cápsulas de remédio por dia, passei a tomar uma, depois meia, depois meia dia sim, dia não, até que parei."

Há 12 anos sem ataques, o galã ressalta que já conseguiu alta médica. "Mesmo assim, ainda evito andar de montanha-russa, por exemplo, para não ter crise", conta. 

Doença sem cura
Mas como um tão bem-sucedido ator de novelas, saudável e que pratica esportes pode desenvolver esse tipo de distúrbio psiquiátrico?

O psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, de 66 anos, supervisor do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que estresse e propensão genética favorecem o aparecimento do distúrbio.

"Não tem uma explicação. Você pode ser um atleta e desenvolver a agorafobia, que é uma doença incurável, mas controlável, cujos sintomas podem desaparecer, mas voltar anos depois."

Figueira de Mello diz que as crises tendem a ocorrer quando o paciente sente que não terá como buscar ajuda, caso tenha um surto de síndrome do pânico. Assim, em lugares com grande número de pessoas, como um show de rock ou um estádio de futebol, o agorafóbico tende a a pensar que não vai conseguir escapar caso tenha uma crise. E aí vem o pânico.

"Taquicardia [coração disparado], suores, falta de ar, tremores pelo corpo todo ou em parte dele, além da sensação de que, por exemplo, vai sofrer um enfarte e morrer são algumas dos sintomas da crise", enumera o médico.

De acordo com outro psiquiatra do Hospital das Clínicas, Saulo Vito Ciasca, o tratamento à agorafobia reúne psicoterapia, uso de medicamentos específicos, higiene do sono, atividade física e até a busca por uma alimentação mais saudável. "Em geral, o paciente tem de mudar o estilo de vida", afirma.

A agorafobia é um distúrbio mental que, em média, atinge 17 pessoas em cada mil indivíduos.

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