CARCEREIROS

Escalado às pressas após tragédia, Lombardi diz que série é seu melhor trabalho

Marcelo Tabach/TV Globo

Rodrigo Lombardi em cena da série Carcereiros: ele entrou no elenco aos 45 minutos do segundo tempo - Marcelo Tabach/TV Globo

Rodrigo Lombardi em cena da série Carcereiros: ele entrou no elenco aos 45 minutos do segundo tempo

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 14/04/2018, às 06h20

Protagonista de Carcereiros, Rodrigo Lombardi considera que a série que estreia no dia 26 é o melhor trabalho de sua carreira. E ele caiu de paraquedas na produção da Globo: o papel de Adriano seria de Domingos Montagner, que morreu afogado no rio São Francisco durante as gravações de Velho Chico. Lombardi teve poucos dias para se preparar.

"Eu estava de férias [depois de gravar a primeira fase da novela]. Cheguei para o projeto numa sexta-feira e comecei a gravar na terça. A primeira coisa que fiz foi conversar com os diretores, conhecer a produtora", lembra ele, que se declarou honrado com o convite para ocupar o papel de Montagner (1962-2016).

Depois do contato inicial com a equipe, Lombardi se sentou para assistir ao documentário Diários da Tranca, com depoimentos de carcereiros reais _que também são utilizados em meio à narrativa ficcional da série.

Ver as histórias dos profissionais foi essencial para que Rodrigo Lombardi entendesse o seu personagem. "Eu tomei uma porrada [com o documentário] e acabou sendo o único material que eu tive para gravar a série. Foi uma experiência muito rica para mim, coloco Carcereiros como meu melhor trabalho", diz.

E a concorrência não é pequena: na TV há 20 anos, ele tem no currículo personagens como o Raj, de Caminho das Índias (2009) e o Alex, de Verdades Secretas (2015). As duas novelas foram premiadas com o Emmy Internacional. Carcereiros também já tem troféus antes mesmo da estreia: a série ganhou o grande prêmio do júri no MIPDrama Screenings, entregue no ano passado na feira de TV MIP, em Cannes.

divulgação/tv globo

Lombardi como o carcereiro Adriano: sistema prisional mexe com o ator e com o personagem

Um homem à beira do abismo
O ator de 41 anos também credita sua satisfação com o papel ao fato de Carcereiros ter sido gravada em ordem cronológica _novelas e filmes, geralmente, são rodados de acordo com núcleos e cenários, e não seguem uma lógica do roteiro.

"O Adriano foi nascendo no decorrer das gravações, e o telespectador vai perceber como ele vai se transformando por estar naquele hábitat. Nenhum ser humano consegue trabalhar na cadeia e sair ileso, o que as pessoas presenciam no sistema prisional é algo que ninguém é capaz de suportar", filosofa.

A primeira temporada da série foi rodada em uma penitenciária de Votorantim, no interior de São Paulo, e a passagem por um presídio de verdade mexeu com o ator.

"A prisão é um tubo de ensaio, acho que pior do que isso só experimentos com ratos. Até onde o ser humano pode chegar? Ali é o limite, ele vira bicho. E não só com os presos, tanto que o Adriano sai completamente do eixo no decorrer da temporada."

Disponibilizada em junho do ano passado para assinantes da Globo Play, Carcereiros chega à TV com três episódios inéditos, que funcionarão como uma ponte para a segunda temporada, atualmente gravada em uma fábrica desativada de São Paulo.

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