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POBREZA MENSTRUAL

Segunda Chamada discute tabu da saúde feminina em nova temporada

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Nataly Rocha grava com cabelo cacheado, suja, com roupas rasgadas em conversa com Debora Bloch, como Evelyn e Lúcia

Evelyn (Nataly Rocha) vive o drama da pobreza menstrual na nova temporada de Segunda Chamada

CLARA SERRANONI

clara@noticiasdatv.com

Publicado em 20/9/2021 - 6h30

Uma em cada quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes no Brasil, segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidos). Na nova temporada de Segunda Chamada, a pobreza menstrual é retratada por meio de Evelyn (Nataly Rocha), uma mulher em situação de rua que retoma os estudos e é pega roubando rolos de papel higiênico no banheiro para controlar sua menstruação. O drama revela o impacto da condição socioeconômica na qualidade de vida e na educação de mulheres.

De acordo com a ONG Absorvendo Amor, que doa absorventes para escolas públicas, a falta de recursos básicos afeta o desempenho das mulheres nos estudos. "Sem garantia de que a roupa não ficará manchada ou que terá meios para ir para a escola nos dias de menstruação, muitas acabam ficando em casa e perdem conteúdos importantes ou ficam com o psicológico abalado".

O tema abordado de maneira quase inédita na TV permite que milhares de brasileiros se aprofundem na questão, que é de saúde pública. "Uma porção muito alta de meninas e mulheres não tem acesso a condições mínimas de higiene e insumos relacionados ao ciclo menstrual. Muitas não têm nem acesso a banheiros, ou seja, mínimas condições de saneamento básico", afirma Adriana Waissman, médica da Clínica Obstétrica da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

A personagem de Nataly Rocha na série da Globo enfrenta essas e outras questões. Além de ter que esconder o uniforme sujo, a jovem lida com o preconceito por sua condição social, mas encontra a famosa sororidade no desfecho de seu enredo pessoal. Flagrada por Antonia (Jeniffer Dias) com os papéis na bolsa, a mulher argumenta que é sempre vista como criminosa, mas fica relutante em contar sobre tudo que lhe falta.

Depois de revelar suas necessidades, a moradora de rua recebe uma sacola repleta de absorventes doados por suas colegas de sala. A cena sensibiliza o público, principalmente por seu teor terrivelmente realista.

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 900 mil brasileiras não têm acesso a água canalizada em seus domicílios, e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto. Muitas vezes, a escola é a salvação para essas mulheres, que utilizam meios incomuns como jornais, sacos plásticos e algodão para conter a menstruação --algo que não é recomendado.

"O perigo é causar infecções vaginais, candidíase de repetição, infecções urinárias, além de alergias de pele. Muitas vezes essas meninas chegam ao sistema de saúde em péssimas condições físicas. Isso é um desrespeito à saúde da mulher", alerta Adriana. A pesquisadora Kareemi, criadora do Ginecologia Emocional, acrescenta: "É um risco de morte dependendo do acesso à informação e da higiene dessa mulher".

reprodução/globoplay

Personagem de Nataly Rocha é acusada de roubo

O primeiro passo

O Projeto de Lei 4.968/2019 propõe o Programa de Fornecimento de Absorventes Higiênicos em escolas públicas que atendem aos anos finais do ensino fundamental e ensino médio. O texto, que foi aprovado na Câmara dos Deputados e seguirá para a sanção presidencial, estabelece que estudantes de baixa renda serão as principais beneficiadas. As cestas básicas deverão conter o absorvente como item essencial. 

"É um primeiro passo, mas ainda estamos engatinhando. A gente não sabe se isso vai chegar a todas as meninas e mulheres que precisam. Isso é um começo, mas acho que para funcionar precisa ter um projeto, uma fiscalização, um cuidado, uma disponibilidade geral dos órgãos que precisam cuidar para que isso funcione. Se não, é uma iniciativa que continua atendendo parte das mulheres que precisam e deixa a outra parte na necessidade", opina Kareemi.

A ginecologista e obstetra Adriana explica as mudanças que ocorrerão caso a lei entre em vigor: "O projeto facilitará a ida das meninas à escola, diminuindo as faltas sempre pela mesma condição, e melhorará as questões de saúde íntima dessas meninas carentes. Resta saber quando ele será colocado em prática".

Rompendo barreiras

Voltar o olhar para essa questão é importante não só para evitar a evasão escolar, mas para evidenciar a diferença entre gêneros no que diz respeito à qualidade de vida. Homens têm a chance de se desenvolver e ocupar posições de destaque no mercado de trabalho. Já as mulheres são sempre julgadas por suas particularidades: menstruação e gravidez, por exemplo. 

Quando a série retrata situações como essa, rompe estigmas já atribuídos às mulheres, faz com que o assunto seja visto e discutido e ainda contribui para que parte das telespectadoras se reconheçam e se sintam representadas. "A gente vive em uma sociedade desenhada para o homem. Para o sistema, é um risco desenvolver nosso autoconhecimento. A indústria não quer que a gente tenha autonomia", finaliza Kareemi.

Os seis episódios da segunda temporada de Segunda Chamada estão disponíveis no Globoplay.


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