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GENITÁLIA AMBÍGUA

O que é intersexo? Entenda condição do bebê de Teca na novela Renascer

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Lívia Silva séria em cena da novela Renascer

Teca (Lívia Silva) em cena de Renascer; menina dará à luz bebê intersexo na novela da Globo

DÉBORA LIMA

debora@noticiasdatv.com

Publicado em 18/6/2024 - 18h00

Em mais uma mudança do autor Bruno Luperi no remake de Renascer, Teca (Lívia Silva) dará à luz um bebê intersexo. A condição também foi abordada na novela de 1993 por meio de Buba, vivida por Maria Luisa Mendonça. Na época, a personagem era chamada de hermafrodita --termo pejorativo para designar pessoas que nascem com características físicas, genéticas ou hormonais que não se enquadram nas definições biológicas binárias masculinas e femininas.

O diagnóstico inicial será feito no capítulo desta terça (18), quando Augusto (Renan Monteiro) examinar a criança e perceber a genitália ambígua. O folhetim da Globo também discutirá o preconceito quando um pediatra recomendar uma cirurgia no recém-nascido, mas Buba (Gabriela Medeiros) se posicionará contra a operação.

O psicólogo Alexander Bez explica ao Notícias da TV o que significa ser uma pessoa intersexo: "Cientificamente falando, a intersexualidade é uma qualidade que a pessoa apresenta um sexo, fazendo-o, de modo secundário, parecer outro sexo".

"Essa condição se dá por alterações e/ou deficiências hormonais, podendo ser o excesso ou algo anormal, tanto no estrogênio ou na testosterona. Essas características podem estar relacionadas a cromossomos, órgãos genitais, hormônios, entre outros", completa.

Em algumas pessoas, as características intersexo são perceptíveis logo no nascimento e podem, sim, ser visíveis. Já em outras, podem surgir na puberdade ou ficarem aparentes apenas em fases mais tardias da vida. A essência dessa condição é a indefinição sexual e, muitas vezes, quando há alteração nas partes genitais, a pessoa tem que escolher um dos sexos.

O especialista também orienta o que fazer ao notar que uma pessoa tem a genitália ambígua. "O primeiro passo é ter um respaldo da equipe médica, para saber como agir, além de todo apoio emocional que é necessário. Em alguns casos, a equipe clínica se sente na responsabilidade de dar uma resposta reparadora [cirurgia] o quanto antes, no intuito de 'proteger' a criança de uma exposição nociva e aplacar as aflições dos pais, para quem muitas vezes essa era uma condição completamente desconhecida", afirma.

"Há médicos que acreditam que nem sempre a intervenção precoce irá trazer um bom prognóstico, e defendem que a cirurgia não deve ser feita tão cedo se o motivo for puramente estético. Se o bebê nasceu com a genitália ambígua, mas essa situação não vai prejudicá-lo funcionalmente, ou seja, não há nenhuma disfunção urológica, não existe a necessidade de se realizar uma cirurgia delicada tão precocemente", ressalta.

Alexander Bez também reforca a necessidade de um acompanhamento psicológico durante todo o desenvolvimento da criança. "Fazendo os acompanhamentos médicos periodicamente e corretamente. Assim, o paciente vai se sentir cada vez mais confortável e, através desse conforto, vai poder definir também por qual caminho seguir quando preciso for."

Estando preparada psicologicamente e recebendo o apoio de quem a ama, a pessoa consegue não se deixar abater pelo preconceito. Consegue lutar contra isso e, o principal, viver sua vida normalmente investindo em sua evolução pessoal em todos os outros sentidos.

Tipos de intersexo

O psicólogo explica que a também chamada Anomalia da Diferenciação Sexual (ADS) é dividida em três categorias, que são classificadas de acordo com os órgãos genitais e reprodutores.

  • Hermafroditismo Verdadeiro: acontece quando o paciente nasce com os dois sexos bem definidos, tanto externa como internamente. Ou seja, os órgãos são notados visivelmente.
  • Pseudo-Hermafroditismo Masculino: ocorre quando alguém nasce com o sexo masculino, mas os órgãos genitais não se desenvolveram de modo completo.
  • Pseudo-Hermafroditismo Feminino: é diagnosticado quando a paciente nasce com o sexo feminino, mas as genitálias se desenvolvem além do normal.

"Há ainda outras condições biológicas que não se enquadram especificamente nas definições médicas de 'macho e fêmea', como insensibilidade androgênica, regressão testicular, hiperplasia adrenal congênita, Síndrome de Klinefelter, Síndrome de Turner, Síndrome de Rokitansky, entre outras", cita Bez.

O profissional também explica a diferença entre uma pessoa intersexo e outra transexual --termos que ainda geram confusão e preconceito. No remake de Renascer, Buba é uma mulher trans, enquanto na trama original a personagem era intersexo.

"A transexualidade é uma condição psicológica, fazendo com que a pessoa providencie as alterações físicas de acordo com sua necessidade. Já a intersexualidade é uma condição genética, provocada por severas disfunções hormonais, que devem ser tratadas e direcionadas de acordo com o sexo que for escolhido. Na maioria das vezes há a necessidade uma intervenção cirúrgica por uma questão de sobrevivência", afirma.

"Infelizmente, muitas pessoas ainda confundem [intersexo com transexual] por não buscarem conhecimento, que já está disponível para todos. Lidar com o preconceito pode ser algo desafiador, por isso é muito importante o acompanhamento psicológico desde a infância, pra que essa pessoa tenha uma base mental fortificada e assim esteja preparada para enfrentar tais atitudes ignorantes", arremata o profissional especialista em saúde mental.


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