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HERDEIRAS DE GLORIA MARIA

Jornalistas de Globo, Record e TV Cultura criam grupo contra racismo

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Jornalistas negras unidas em foto tirada em área interna de restaurante

Herdeiras da Gloria Maria: Jornalistas negras se unem e criam grupo focado no debate racial

LUIZA LEÃO

luiza@noticiasdatv.com

Publicado em 30/7/2022 - 6h45

Mais de 30 jornalistas negras do eixo Rio-São Paulo se juntaram em um grupo de WhatsApp para fortalecer a categoria e discutir assuntos raciais na televisão. São as chamadas Herdeiras de Gloria Maria. Pela internet e em encontros mensais, apresentadoras, repórteres e produtoras de Globo, Record, Band, CNN, TV Cultura, além de outras emissoras locais, compartilham as suas vivências da negritude sob o recorte de gênero.

A ideia de agrupar todas as "herdeiras" da veterana da Globo partiu da apresentadora da TV Cultura Cris Guterres, que foi imediatamente apoiada por Leticia Vidica, da CNN Brasil.

"Eu queria muito juntar as jornalistas negras. Sabemos que somos poucas na televisão e nos jornais impressos... A forma como o público nos trata é diferente. E quando eu falo que é diferente é pelo fato de a Maju Coutinho ter que processar por causa de racismo", explica a titular do Estação Livre ao Notícias da TV.

Cris conta que já é do seu perfil criar grupos de interesses comuns no aplicativo de mensagens. Ela até está em um chat batizado como Herdeiras da Oprah [Winfrey]. Por isso, quando decidiu unir jornalistas negras já sabia como nomear o coletivo.

"Herdeiras da Gloria Maria é por uma referência. Ela é a primeira mulher negra. Ela não gosta dessa titulação porque ela tem uma maneira diferente de lidar com questões raciais. Ela fala que não gosta de fazer história, ela foi fazendo. Mas ela é a primeira mulher negra a fazer um monte de coisa dentro da televisão brasileira. Foi o primeiro ao vivo como repórter. E nós somos todas repórteres ou apresentadoras", detalha Cris.

No grupo, as jornalistas discutem principalmente questões raciais e de gênero. "A gente está na base da pirâmide. Quando uma empresa contrata uma mulher negra não é da mesma forma. A gente discute coisas do tipo: como que foi para você mudar o cabelo? Eu não sei se as mulheres brancas discutem como funciona dentro da empresa para elas mudarem o cabelo", relata.

As questões discutidas também chegam ao viés financeiro, para que nenhuma seja prejudicada pelo serviço cobrado pela outra.

O mercado entende diversidade como tendência. Não deveria. Diversidade é uma necessidade para o desenvolvimento de uma nação. Todo mundo quer falar de diversidade, quer um preto no comercial, uma modelo preta desfilando, para dizer que está jogando um jogo. Mas não quer pagar pela profissional tal. Quer pagar quem cobra menos. Ou até não quer pagar.

Cris Guterres explica que a união da categoria é fundamental para que todas se defendam de qualquer tipo de violência praticada pelo mercado televisivo, independentemente do cargo ou função. Por isso, nos encontros, a concorrência fica de lado, e jornalistas de empresas opostas dialogam somente como aliadas.

"Tem muita pauta parecida. Poderia rolar uma rivalidade, mas não tem. Ao contrário, a gente troca informações no grupo, pede fonte, pede indicação de profissional. O grupo não é só para dizer 'aconteceu isso', mas é para dizer: 'Tem uma vaga em tal lugar'. A minha ideia com o grupo foi de uma fortalecer a outra", detalha.

Herdeiras no trabalho e no happy hour

Com a indicação de uma jornalista convidando a outra, o grupo rapidamente ultrapassou a marca de 30 mulheres. No primeiro encontro presencial, 21 estiveram no Esther Rooftop, no centro de São Paulo. "Até a gente ficou surpresa. Se cinco estivessem ido eu já estaria feliz!", comenta Cris.

O encontro reuniu nomes como: Cynthia Martins (Band), Milena Teixeira (Band), Karine Alves (Globo), Denise Thomaz Bastos (Globo), Mariana Aldano (Globo), Salcy Lima (Record), Mariana Bispo (Record) e Débora Freitas (CBN).

"O restaurante, para você ter uma ideia, parou para a gente. Porque já era uma reserva grande, de 20 pessoas, a gente já ocupou metade do espaço. E tinha a Karine Alves, que é cantora. E a gente tinha uma outra cantora, que era a Camila [Toledo]. E de repente as meninas começaram a cantar. E o povo todo do restaurante parou. As pessoas olhavam e de uma certa forma reconheciam. As garçonetes até disseram: 'Voltem, foi muito legal'", relata Cris.

O segundo encontro presencial das Herdeiras já aconteceu este mês, no Boteco da Dona Tati, também em São Paulo. 

Veja fotos e vídeos do encontro das Herdeiras de Gloria Maria:

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