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IDENTIDADE DE GÊNERO

Além de Linn da Quebrada no BBB 22: Qual a diferença entre trans e travesti?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A cantora e participante do BBB 22 Linn da Quebrada

Linn da Quebrada no BBB 22; cantora se identifica como travesti e quer ser tratada no feminino

KELLY MIYASHIRO e LUIZA LEÃO

kelly@noticiasdatv.com

Publicado em 29/1/2022 - 6h50

Com a participação de Linn da Quebrada no BBB 22, muitos telespectadores foram apresentados à cantora, que se considera travesti e exige ser tratada no pronome feminino. Juntamente com isso, surge a dúvida sobre qual é a diferença entre transexuais e travestis. A resposta mais simples é: cada pessoa determina a própria identidade de gênero.

Neste sábado (29), é celebrado o Dia da Visibilidade Trans e Travesti, data instituída há 18 anos pela comunidade LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais/travestis, interesexuais, assexuais e mais) na luta por direitos básicos, de reconhecimento e de valorização.

No Big Brother Brasil 22, a cantora Linn, que mudou oficialmente seu nome na certidão de nascimento para Lina Pereira dos Santos, explicou em sua apresentação que não é homem nem mulher, mas uma travesti que usa os pronomes femininos.

Ao Notícias da TV, a blogueira trans Dri Maria explica que a diferença entre pessoas transexuais e travestis se dá pela escolha individual sobre a identidade de gênero que tal pessoa deseja ter e ser chamada. 

"É um pouco complexa a diferença. A travesti é essa identidade de gênero feminino, latino-americana (não vamos encontrar a palavra travesti em outras línguas, não tem tradução). E não tem masculino de travesti, é a travesti e pronto. E essa pessoa nem sempre se identifica de uma forma binária, ela não é homem e não necessariamente é uma mulher. Ela é a travesti", começa Dri.

Uma mulher pode ser trans e travesti e pode ser só travesti, que é quando ela não se identifica com a forma binária de mulher como a gente conhece, mas ainda é uma figura feminina, portanto, de pronome feminino 'ela/dela'. As pessoas têm muito na cabeça de que a travesti é aquela pessoa que não toma hormônio, que não quer fazer cirurgias, mas a diferença não está aí. Existia essa diferenciação no passado, focada apenas no corpo, mas externamente não há nenhuma diferença hoje. 

"Eu não gosto que questionem os gêneros das pessoas, mas é melhor perguntar como tal pessoa se identifica do que ficar errando. Não cabe a você definir a identidade de gênero alheia. É a pessoa que se identifica dessa maneira", aconselha a carioca. 

Moradora do Rio de Janeiro e no início de carreira como influenciadora digital, Adriana Maria se sentia diferente desde seus 11 anos. Agora com 22, ela se identifica como mulher trans e travesti --sendo este um símbolo de resistência para ressignificar o termo que já foi tão marginalizado e associado apenas a prostituição e tragédias, como assassinatos provocados por LGBTQIA+fobia.

"Fui incentivada a fazer conteúdo pra internet e criei aquilo que eu chamo de 'Telecurso da Tia Dri', que são vídeos curtos para despertar o interesse das pessoas pra esse assunto. E aí comecei a ser compartilhada por perfis como Mídia Ninja, Iza, Ivete Sangalo, ganhei seguidores. E acho que eu consigo trabalhar com internet, levar informação até as pessoas, de maneira mais nítida", analisa.

"A transexualidade é um assunto complexo, mas precisamos falar sobre. Pessoas trans só aparecem em notícias trágicas, sendo assassinadas, e eu queria mudar isso. Quero mostrar que não estamos só na esquina e nas estatísticas", defende ela. 

Questionada sobre a presença de Linn da Quebrada no reality mais famoso e acompanhado do Brasil, a blogueira comemora o sucesso da artista em fugir do estereótipo criado no imaginário das pessoas cisgênero (que se identificam com o gênero com o qual nasceram) de travestis barraqueiras, agressivas, violentas. 

Assim que anunciaram a Linn, que ela havia sido cogitada, eu fiquei com medo. O nosso corpo trans e travesti é um corpo facilmente atacado. Qualquer deslize que ela desse, mesmo que uma gota sequer, ela seria muito atacada. Mas ela vem levando numa boa. Tentaram tachá-la de vilã, falavam que ela ia chegar gritando, militando, apontando dedo na cara das pessoas... E desde o começo ela tem sido didática, poética, calma. 

"Ela está tentando mostrar uma travesti de uma maneira que o Brasil não espera ver. Geralmente, quando veem uma pessoa trans, veem uma pessoa performando a binariedade da forma como estão acostumados. Ela é travesti, multifacetada. Um dia ela está com blusão, outro dia com blusinha. E isso confunde a cabeça das pessoas, e geralmente as pessoas se afastam disso." 

"Mas somos muito mais do que isso. Só de a Linn estar ali dentro, existindo, botando o biquíni dela e indo pra piscina, fazendo prova, deliberando ali com as pessoas, se mostrando uma pessoa calma e pacífica, ao contrário do que as pessoas acham que uma travesti seja, é de extrema importância para a comunidade. E também só de estar ali, ela mostra que há outras possibilidades para a gente além de uma esquina", finaliza Dri Maria.

Linn e o pronome 'ela'

No BBB 22, Linn da Quebrada já enfrentou em sua primeira semana de confinamento alguns momentos constrangedores ao ser chamada no pronome masculino por colegas. Em conversa com o Notícias da TV, o médico psiquiatra Jairo Bouer explica que errar a maneira como uma pessoa LGBTQIA+ se define pode ser desestabilizador do ponto de vista psicológico.

"É quase como se você negasse tudo aquilo que a pessoa está vivendo, está vivenciando e o sofrimento todo que essa pessoa passou durante todo esse processo de transição. Mulheres trans, homens trans e travestis passam ao longo da vida por uma série de questões emocionais, uma série de impactos emocionais, nesse processo de transição", analisa o especialista. 

Então, assim, a Linn quer ser tão clara, tão óbvia em relação a isso, que tatuou na testa dela o 'ela'. Ela quer ser chamada de ela. Por que é que chega alguém e a chama de 'ele', [diz] 'se ele está a fim disso'? É quase negar a existência da pessoa. Para quem vivencia essa questão, isso é muito doloroso e algo que acompanha a pessoa em boa parte da vida dela.

"Então, assim, é 'ela', é 'dela'. Tem que ser respeitada. A pessoa tem que ser chamada da forma como ela quer ser chamada. Não é uma escolha casual. E não é sequer uma escolha", conclui o também apresentador. 


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