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Globo proíbe jornalista de curtir post de político e opinar até no WhatsApp

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César Tralli no debate com candidatos ao governo de SP em 2014: sem opinião nas redes sociais - Reinaldo Marques/TV Globo

César Tralli no debate com candidatos ao governo de SP em 2014: sem opinião nas redes sociais

DANIEL CASTRO - Publicado em 11/06/2018, às 06h14

A Globo vai publicar nos próximos dias uma nova edição dos Princípios Editoriais do Grupo Globo, documento que normatiza a conduta ética de seus jornalistas. As novidades são a inclusão de regras sobre o comportamento dos profissionais em redes sociais.

Em ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais, eles estão expressamente proibidos de manifestarem preferência por clubes de futebol, de curtir posts de candidatos no Facebook e até de expressarem suas opiniões sobre temas políticos em conversas privadas em aplicativos como o WhatsApp.

O atual manual de Princípios Editoriais da emissora já prevê que jornalistas não podem se engajar em campanhas políticas de forma alguma. Não podem trabalhar, anunciar apoio publicamente ou usar adereços que os vinculem a partidos ou candidaturas.

Para a emissora, as novas regras são uma necessidade "natural" diante da evolução tecnológica e das mídias sociais. "É natural que as diretrizes da empresa sejam atualizadas com diretrizes mais detalhadas sobre o uso de redes sociais, na linha do que já fizeram veículos de prestígio como The New York Times e BBC. Essas diretrizes visam a evitar tudo o que comprometa a imagem de isenção dos veículos do Grupo Globo", disse o departamento de Comunicação em nota ao Notícias da TV.

Na semana passada, chefias da área de Jornalismo se reuniram com seus subordinados para informar as novidades. Para repórteres e editores, ficou claro que as restrições a partir de agora serão totais, que eles não poderão mais opinar nem para um amigo. "Mesmo quando você escreve reservadamente para alguém, não deve emitir opinião porque, se isso vazar, vai se encaixar nas normas de comportamento em redes sociais", disse um chefe de São Paulo.

WhatsApp, que é um mecanismo de troca de mensagens, e LinkedIn, uma rede social de negócios, passarão a ter o mesmo tratamento que Facebook, Twitter e Instagram. Alguns profissionais classificaram as novas regras de "terror". Entendem que podem ser demitidos se criticarem a um grupo de amigos no WhatsApp a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, como fez Chico Pinheiro em abril.

Embora não citasse o âncora do Bom Dia Brasil, na época o diretor-geral de Jornalismo, Ali Kamel, emitiu um comunicado interno alertando sobre o assunto.

"Não se pode expressar essas preferências [políticas e partidárias] publicamente nas redes sociais, mesmo aquelas voltadas para grupos de supostos amigos", ensinou Kamel, porque, "uma vez que se tornem públicas pela ação de um desses amigos, é impossível que os espectadores acreditem que tais preferências não contaminam o próprio trabalho jornalístico, que deve ser correto e isento".

Nos bastidores, a nova norma recebeu o apelido de "Lei Chico Pinheiro". A Globo diz que punições não estão previstas na nova edição impressa dos Princípios Editoriais.

Opiniões políticas também estão proibidas em blogs mantidos por jornalistas ou para os quais eles colaboram. "Sua opinião vai comprometer a empresa? Você vai se arrepender depois? Então não comente, não publique, não faça nada", sugeriu um chefe a seus subordinados na semana passada.

O novo manual de conduta também redefine o comportamento de jornalistas da Globo em relações comerciais. Estão proibidos de curtir um post no Instagram sobre uma roupa que gostaram, por exemplo. E até de serem marcados quando uma outra pessoa, não profissional da emissora, faz check-in virtual em um estabelecimento comercial.

A norma veio à tona no casamento de César Tralli com Ticiane Pinheiro, em dezembro, como informou em primeira mão o colunista Ricardo Feltrin, do UOL. No dia seguinte à cerimônia, Ali Kamel emitiu comunicado a todos os jornalistas:

"De forma certamente não proposital, alguns jornalistas da Globo, em suas redes sociais, têm publicado fotos suas com a marca aparente de algum produto, roupa, restaurante, hotel e afins. Ou, então, permitindo que o espaço para 'localização' da foto remeta a alguma marca", afirmou Kamel no e-mail.

"Isso leva o público a crer que possa estar diante de publicidade, mesmo que subliminar. Marcas, evidentemente, devem ser evitadas. E os nomes de restaurantes e lojas, no espaço dedicado à localização (nas redes sociais), devem ser substituídos pelo nome da cidade em que a foto foi tirada", decretou o executivo.

Ao Notícias da TV, Tralli negou veementemente ter trocado a exposição de marcas em suas redes sociais pelo fornecimento gratuito de produtos e serviços, como se suspeitou na época.

Todas essas restrições agora, estarão reunidas em um documento institucional, impresso, à disposição de todos os profissionais, como uma Constituição da empresa.

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