Nada a Perder

Universal pedirá dinheiro a fiéis para levar 22 milhões a filme de Edir Macedo

Fotos Divulgação/Paris Filmes

Petrônio Gontijo em uma das primeiras cenas de Nada a Perder, filme sobre Edir Macedo - Fotos Divulgação/Paris Filmes

Petrônio Gontijo em uma das primeiras cenas de Nada a Perder, filme sobre Edir Macedo

DANIEL CASTRO - Publicado em 14/08/2017, às 05h30

A primeira parte da cinebiografia de Edir Macedo só deve chegar às salas de exibição no primeiro trimestre de 2018, mas a campanha para bater todos os recordes do cinema nacional começa já no mês que vem. Em reunião com lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus, na semana passada, o bispo Clodomir Santos definiu a estratégia para que o longa-metragem tenha 22 milhões de espectadores, o dobro do que o fenômeno Os Dez Mandamentos fez no ano passado.

Além de acionar todos os programas e as principais estrelas da Record, a Universal vai mobilizar pastores e obreiros de todo o país para pedirem dinheiro aos frequentadores de cultos com a finalidade de comprar ingressos para quem não tem condições de ir ao cinema.

A mesma estratégia foi adotada com sucesso no início de 2016, quando a novela Os Dez Mandamentos foi transformada no filme com a maior bilheteria de todos os tempos do cinema brasileiro. A igreja arrecadou dinheiro e comprou ingressos antecipadamente. O resultado foram sessões com entradas esgotadas, mas com inúmeras cadeiras vazias.

Segundo uma fonte que esteve presente na reunião com Clodomir Santos, responsável pela Universal no Brasil, a igreja não vai aceitar "desculpas", a "missão" de vender 22 milhões de ingressos terá de "ser cumprida".

Em setembro, os pastores começarão a fazer um trabalho de marketing e arrecadação. A ideia é "vender" Nada a Perder como um filme de superação e deixar de lado as polêmicas que marcaram a trajetória do fundador da mais poderosa igreja neopentecostal do país.

No encontro da semana passada, Clodomir Santos deu um exemplo de como usar o "argumento" da superação: Edir Macedo é uma pessoa que veio do nada e venceu tudo. E foi usado por Deus como instrumento para salvar milhões de almas.

Petrônio Gontijo como Edir Macedo no início de sua trajetória como pastor, nos anos 1970

Os templos da Universal terão uma programação especial na semana de estreia de Nada a Perder. Haverá cultos todos os dias, e os fiéis devem "fazer tudo diferente" nesse período.

Os pastores, obreiros e fiéis engajados nessa "missão" devem ser comparados aos seguidores de Davi, que fizeram o pastor de ovelhas virar o maior rei de Israel. Eles são os "valentes de hoje", disse Clodomir Santos, e vão lutar para levar 6 milhões de pessoas aos cinemas apenas na primeira semana de Nada a Perder.

Trata-se de uma meta ousada. Nenhum blockbuster de Hollywood chegou perto disso no país. O recordista de abertura dos cinemas brasileiros, Capitão América: Guerra Civil (2016), teve 2,6 milhões de espectadores nos primeiros quatro dias. A meta é quase o triplo de Os Dez Mandamentos, que vendeu 2.082.433 de ingressos e arrecadou R$ 24,2 milhões também nos quatro primeiros dias de projeção.

Com filmagens em Nova York, São Paulo, Rio de Janeiro, Joanesburgo (África do Sul) e Jerusalém (Israel), Nada a Perder tem orçamento de superprodução para o padrão nacional. Cada um dos dois filmes consumirá cerca de R$ 16 milhões.

Sob a direção de Alexandre Avancini (o mesmo de Os Dez Mandamentos), o longa começou a ser filmado em maio. Petrônio Gontijo interpreta Edir Macedo e Day Mesquita, a mulher dele, Ester. André Gonçalves, Dalton Vigh, Beth Goulart e Marcello Airoldi completam o elenco.

Os filmes serão baseados nos três livros de mesmo nome, escritos por Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record. Já foram vendidos mais de 7 milhões de exemplares de Nada a Perder.

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