Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
twitter
Instagram
YouTube

CHEGA DE MORTES!

Telejornais da Globo perdem toda a audiência conquistada com a pandemia

Reprodução/TV Globo

A apresentadora Renata Vasconcellos, com uma camisa social vermelha, apresenta o Jornal Nacional ao lado do contador de vítimas do coronavírus

Renata Vasconcellos durante o Jornal Nacional de terça-feira (4): coronavírus tem perdido espaço

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 7/8/2020 - 7h10

Há quase cinco meses em isolamento social, o brasileiro se cansou de ouvir falar no coronavírus. As audiências do Jornal Nacional, do Jornal Hoje e do SP1, que haviam disparado no início da pandemia, estão em queda e já voltaram aos patamares do início do ano, quando a quarentena estava longe de ser uma realidade por aqui.

Levantamento exclusivo do Notícias da TV mostra que o Jornal Nacional, principal noticiário do país, fechou o mês de julho com média de 30,3 pontos na Grande São Paulo. É uma queda de 10% em relação a março, seu melhor mês de 2020, quando registrou 33,9 pontos. Já está abaixo da média de fevereiro (30,5), pré-pandemia.

A fuga do público foi ainda maior nos dois jornais da hora do almoço. O SP1, comandado por César Tralli, teve média de 11,3 pontos em julho. Bem abaixo dos 15,2 que havia registrado em março, quando o coronavírus ainda era uma novidade no Brasil. O índice atual é similar ao de janeiro, mês em que marcou 11,2 pontos.

Já o Jornal Hoje, comandado por Maria Júlia Coutinho, que teve sua duração aumentada por causa da cobertura da pandemia e invadiu o horário que antes era ocupado pelo Se Joga, perdeu 26% do público que havia conquistado em março na Grande São Paulo. Na ocasião, o telejornal fechou o mês com média de 16,0 pontos. Em julho, registrou apenas 11,8 --mesma média de fevereiro.

Isso significa que um de cada quatro espectadores que viam o SP1 e o Jornal Hoje em março mudaram de canal ou desligaram a televisão em julho para evitar notícias sobre a pandemia, que já tirou quase 100 mil vidas no Brasil. No noticiário de William Bonner e Renata Vasconcellos, a queda nesses quatro meses foi de uma em cada dez pessoas --o que também é preocupante, pois equivale a mais de 730 mil espectadores perdidos no horário nobre apenas na Grande São Paulo.

Esse desinteresse do público por notícias sobre a crise de saúde mundial ajudam a explicar uma mudança que a Globo tem adotado na cobertura do coronavírus. Nesta semana, o espaço para a doença tem diminuído nos noticiários da emissora.

Como publicou Mauricio Stycer, colunista do UOL, apenas dez minutos do Jornal Nacional foram dedicados à pandemia na última segunda (3). Uma semana antes, as notícias sobre o tema ocupavam meia hora. Na terça (4), a "escalada" (abertura com as principais reportagens da edição) também não tinha nenhuma informação sobre a Covid-19 --a primeira vez que o tema não entrou para a lista desde 21 de fevereiro.

A mudança de abordagem da Globo também pode ter motivação política. Como o Notícias da TV publicou em primeira mão na segunda, o ministro das Comunicações Fábio Faria tem costurado uma aproximação da emissora com o governo de Jair Bolsonaro. A família Marinho é favorável à ampliação de capital estrangeiro em empresas de radiodifusão, jornais e revistas --o limite atual é de 30%, mas Globo, SBT, Band e RedeTV! defendem que o aporte internacional possa chegar a 100%.

Recorde veio com primeira morte

A melhor audiência do Jornal Nacional neste ano foi registrada em 17 de março, dia em que o governo confirmou a primeira morte por coronavírus no Brasil. Na ocasião, o telejornal registrou 38,1 pontos e foi o programa mais visto da TV, batendo até a novela Amor de Mãe --que estava na reta final de sua primeira temporada.

Os cinco maiores ibopes do noticiário de Bonner e Renata neste ano, aliás, foram todos registrados entre 17 e 24 de março, quando a pandemia revolucionava rotinas e o brasileiro estava curioso em saber mais sobre a doença. Depois disso, os números começaram a cair.

O SP1 também teve suas cinco melhores audiências entre 19 e 25 de março. O recorde do ano foi no dia 21, um sábado, quando marcou impressionantes 20,4 pontos, sua terceira melhor audiência desde 2018.

O Jornal Hoje conseguiu seus quatro melhores desempenhos do ano em edições consecutivas, de 21 a 25 de março. A quinta posição ficou com o telejornal de 10 de fevereiro, pré-pandemia, mas com chuvas que causaram o caos em São Paulo.


Leia também


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Mais lidas

Enquete

O que você quer ver no retorno de Amor de Mãe?