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DOMINGÃO DO FAUSTÃO

'Preciso reconhecer meus privilégios', diz Ivete Sangalo sobre trabalho e racismo

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Ivete Sangalo de cabelos soltos durante entrevista por videochamada no Domingão do Faustão

Ivete Sangalo em entrevista por videochamada no Domingão do Faustão deste domingo (21)

REDAÇÃO

Publicado em 21/6/2020 - 20h11

Ivete Sangalo deu uma entrevista inédita por videochamada no Domingão do Faustão deste domingo (21). A cantora afirmou que não liga para as brigas na internet e disse que prefere ser um canal para assuntos importantes na sociedade, como o combate ao racismo. Ela ainda constatou que tem sorte por estar trabalhando ativamente durante a quarentena: "Preciso reconhecer os meus privilégios".

Durante o bate-papo, o apresentador comentou que a convidada não se envolve nas discussões constantes nas redes sociais. "Muita gente com a quarentena perde tempo brigando com a família, brigando pela internet. Você não tem esse tipo de coisa. Ao contrário, você sempre tem a preocupação de somar", disse Fausto Silva.

"Eu acho que a gente já tem muito assunto difícil pra lidar. O mais importante de tudo é quando você reconhece a sua essência, a sua verdade. Quando você responde a isso [haters], quando você canaliza isso, quando é um amplificador dessas ideias negativas, você acaba reforçando aquela atitude mesquinha, sem nenhuma estrutura emocional", discursou a artista.

"Eu tenho a compreensão, o distânciamento, que não é social, mas é emocional, dessas circunstâncias. De quantas necessidades existem em torno dessas brigas e dessas confusões. Eu, dentro dos meus 25 anos de carreira e da minha experiência como ser humano, eu entendo que isso é definitivamente uma perda de tempo", continuou a mãe de Marcelo.

Racismo na sociedade

Ivete ressaltou que prefere usar sua influência para tratar de assuntos relevantes, como a discussão sobre o preconceito racial. "Eu me fortaleço vendo que isso se transformou numa discussão diária, permanente e constante. Falar de um assunto que de fato tem relevância. Não fofoca, disse me disse", afirmou.

"Vamos tratar, vamos utilizar [a internet] para falar de fatos que têm relevância, que são fatos que correm por anos e séculos. A gente tem que acabar com isso [racismo], através das discussões", continuou.

Faustão, então, comentou sobre as raízes africanas da Bahia e disse que o preconceito velado tem que ser combatido. "Não é velado. O racismo é uma coisa estruturada mesmo, é uma ideia encarnada e passada de geração em geração. É preciso falar sobre isso à exaustão para que a gente entenda muitas frentes do combate ao racismo", rebateu a cantora.

"Nós todos somos diferentes em personalidades, jeitos, maneiras, pensamentos. Mas nós temos que ter igualdade no trato, igualdade nos direitos. Eu não quero que você goste de mim, eu quero que você me respeite. Eu não posso forçar uma pessoa a gostar de mim, mas eu tenho direito de ser respeitada", discursou a entrevistada.

"Para que isso venha de forma lúcida, temos que perder menos tempo com bobagens, inverdades, com fofocas. Com tantas coisas que nos fazem perder o foco com no que é protagonismo. O racismo tem que ter protagonismo para que a gente estude, entenda e recupere dentro de nós a essência que de fato importa", defendeu.

Trabalho durante a pandemia

O titular do Domingão também falou que Ivete lançou novas músicas durante o período de isolamento social por conta do coronavírus (Covid-19).

"Preciso reconhecer os meus privilégios. Eu não posso acordar e ficar pensando em bobagem. Eu tenho a sorte de poder trabalhar, de ter uma família. Eu tenho a força, a energia. Isso eu vou numa visão otimista da minha vida pelas milhões de oportunidades que eu tenho. Eu tenho que ter respeito a essas oportunidades", disse a cantora.

O apresentador comentou que a cantora sempre se mostrou muito grata pelo trabalho que exerce. "Quando eu penso que milhões de pessoas não tem as mesmas oportunidades que eu, eu não posso nem pensar duas vezes sofre esse aspecto", afirmou Ivete. 

Como a edição deste domingo do programa foi uma homenagem ao axé, a cantora também falou sobre a importância do ritmo na carreira. "O axé me trouxe personalidade, eu me sinto diferenciada porque eu faço essa música. Eu me utilizo de relações históricas que minha música faz. A música da Bahia só me enriquece todos os dias", contou a artista.

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