JORNAL ÀS 5H

Para salvar as manhãs, Record ameaça colocar igreja no meio do Cidade Alerta

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Bispo Edson Costa, da Igreja Universal, prega a prosperidade pela fé durante flash no Balanço Geral SP de sexta - REPRODUÇÃO/RECORDTV

Bispo Edson Costa, da Igreja Universal, prega a prosperidade pela fé durante flash no Balanço Geral SP de sexta

GABRIEL SOUZA - Publicado em 21/05/2018, às 06h10

A Record deve iniciar seu noticiário matinal às 5h da manhã a partir de junho, como já faz a Globo desde dezembro de 2014, com o Hora 1, e não mais às 6h. A ideia é alavancar sua audiência nas primeiras horas do dia, em que perde para a Globo e o SBT, de lavada. Para ceder uma hora de sua programação para o jornalismo, no entanto, a Igreja Universal exige um espaço de pelo menos cinco minutos no pico de audiência do Cidade Alerta, por volta das 19h, e de programas regionais do mesmo horário.

A mudança valerá para toda a rede e já foi comunicada às afiliadas. Em Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, já há movimentação para produzir um novo noticiário, no ar das 6h às 7h, que virá depois do Balanço Geral Manhã. Em São Paulo, os profissionais que atualmente trabalham para colocar o BG Manhã no ar às 6h já foram informados de que poderão ter de iniciar a jornada uma hora mais cedo.

Apesar disso tudo, o martelo ainda não foi batido, ou seja, a mudança ainda não é oficial. Por isso, também ainda não há uma data para começar. Pode ser no próximo dia 4, no dia 18, quando a Globo irá alterar sua grade por causa da Copa do Mundo ou só depois do Mundial da Rússia.

Os principais impasses, apurou o Notícias da TV, são a incerteza da eficácia da medida e o impacto que cinco minutos de doutrinação evangélica podem causar no Cidade Alerta, que funciona como alavanca para a grade noturna. Teme-se que o público do telejornal migre para Globo, SBT e Band.

Além disso, a negociação traz um desgaste com a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, dono da Record. A igreja é o maior anunciante da emissora. Investe mais de R$ 500 milhões por ano por cinco horas na madrugada e cinco minutos durante o Balanço Geral das 12h. 

Com a mudança, a igreja perderia uma hora em um horário de baixa audiência e ganharia cinco minutos com 20 vezes mais público. Na ponta do lápis, é um bom negócio. Mas nem todos pensam assim.

Em São Paulo, o início do Balanço Geral Manhã às 5h também seria a última tentativa de salvar a pele do apresentador Bruno de Abreu, o Bruno Peruka. Alçado ao posto de âncora do BG Manhã e do São Paulo no Ar em março, Peruka viu a audiência dos telejornais cair. Sua substituição por outros apresentadores já vem sendo discutida na emissora.

Por causa da programação religiosa da madrugada, a Record começa o dia com uma enorme desvantagem em relação à Globo e SBT. Entre 5h e 6h da manhã, nos últimos 30 dias, a emissora teve apenas 0,4 ponto na Grande São Paulo, contra 3,5 do SBT (com o SBT Notícias, que reprisa as mesmas reportagens desde 1h da manhã) e 5,2 da Globo (com o Hora 1).

Como o Balanço Geral Manhã entra às 6h com a audiência em baixa, demora para decolar. Ele quase quadruplica o ibope da Record (de 0,4 para 1,8), mas ainda fica muito longe da Globo (8,9) e SBT (3,9). Sem força, a Record perde para o SBT até o final do São Paulo no Ar, às 8h30.

O lançamento de um telejornal às 5h foi a solução que a Globo encontrou em 2014 para se livrar de uma vexatória situação. Na época, as edições diárias do Globo Rural perdiam para o Notícias da Manhã, do SBT.

Pesquisas realizadas pela Globo detectaram que os moradores dos grandes centros urbanos estão acordando cada vez mais cedo e por isso há demanda para jornalismo antes das 6h.

Com o Hora 1, a Globo imediatamente destronou o SBT da liderança na faixa das 5h às 6h na Grande São Paulo. Hoje, nos dias de noticiário quente, registra o dobro do audiência que a Globo tinha antes dele. 

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