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Reportagem Especial

Morador de Paulínia paga 'dízimo' para Record gravar Sabrina e Faro

Fotos Edu Moraes/TV Record

Rodrigo Faro em gravação do quadro Topa um Acordo?, realizada em estúdio de 1.200 metros em Paulínia - Fotos Edu Moraes/TV Record

Rodrigo Faro em gravação do quadro Topa um Acordo?, realizada em estúdio de 1.200 metros em Paulínia

DANIEL CASTRO

Publicado em 2/5/2014 - 19h43
Atualizado em 3/5/2014 - 6h57

Sem saber, cada um dos 92.668 moradores de Paulínia está pagando R$ 8,58 para a Record gravar na cidade quadros do Programa da Sabrina, Hora do Faro e Me Leva Contigo, game show a ser comandado por Rafael Cortez a partir da próxima sexta-feira (9).

Este é o valor per capita que a cidade, localizada na região de Campinas, no interior de São Paulo, está deixando de arrecadar devido a um acordo de mãe para filho que a prefeitura do município fez com a Record.

Em março, a Prefeitura de Paulínia alugou para rede de Edir Macedo três estúdios de cinema por 883.407,06, mas deu um desconto generoso de 90%. A Record vai pagar por três estúdios, durante 81 dias, apenas R$ 88.340,71, segundo extrato publicado no Semanário Oficial do Município. A diária média de cada estúdio sai por R$ 363,54. Por esse valor, em São Paulo, mal se aluga um estúdio fotográfico por oito horas.

O valor de R$ 8,58 bancado por cada cidadão paulinense é o resultado da divisão dos R$ 795.066,35 que a prefeitura deixará de arrecadar ao dar 90% de desconto para a Record pelo total de habitantes do município, 92.668 em 2013, segundo o IBGE. É como se fosse um dízimo ao contrário: a Record paga 10% dos custos e os moradores da cidade, 90%.

Incentivo equivale à metade da BBC

Parece pouco, mas não é. Por mais R$ 7,94 os paulinenses se igualariam aos britânicos, que desembolsam anualmente uma taxa de R$ 16,52, pela cotação da última sexta (2), para financiar a BBC, considerada a melhor TV pública do mundo. Com R$ 8,58, é possível comprar um quilo de pão, cinco de arroz tipo agulhinha e três litros de leite longa vida de boa marca.

Sabrina Sato no cenário do quadro Meu Marido É o Cara, gravado em Paulínia

Cidade sustentada pelos impostos do refinamento de petróleo, Paulínia decidiu na década passada destinar uma parte do ICMS que arrecada para incentivar a produção cinematográfica. Construiu um polo de cinema, com estúdios e um moderno teatro, e passou a injetar dinheiro em filmes rodados no município, como O Palhaço, de Selton Mello. O projeto todo já custou meio bilhão de reais.

A contrapartida, que seria o uso de mão de obra local, não veio, e o projeto foi bombardeado. Com os estúdios ociosos, o prefeito Edson Moura Júnior (PMDB) _que em abril frequentou o notíciário por ter sido afastado do cargo durante um dia, após ser cassado pela Justiça por suposta fraude eleitoral_ resolveu alugá-los para a Record. 

Decreto é feito sob medida para Record

Dez dias antes de assinar o contrato com a emissora, em 21 de março, Moura Júnior criou um decreto sob medida para a ocasião. O decreto legaliza o "dízimo" pago pela população à Record. Diz que o complexo de estúdios do município poderá ser alugado "mediante o pagamento de preço público, qual seja, 10 (dez) por cento do valor de mercado".

Que fique bem claro: os R$ 883.407,06 que seriam cobrados pelos três estúdios de Paulínia por 81 dias de uso, antes do desconto de 90%, são um "preço de mercado" de Paulínia.

O plano A da Record era gravar quadros de Sabrina Sato e Rodrigo Faro nos Estúdios Quanta, em São Paulo, que tem uma área de 1.200 metros quadrados, assim como Paulínia. Como o espaço da Quanta está ocupado, a Record partiu para o plano B, Paulínia. Se fosse alugar três estúdios da Quanta, similares aos de Paulínia, a Record desembolsaria R$ 1,4 milhão, já computado um desconto de 50% sobre a tabela da empresa.

Selton Mello dá entrevista em festival de cinema de Paulínia, cidade em que filmou O Palhaço

O negócio da prefeitura com a Record repercutiu na Câmara Municipal da cidade. Angela Duarte, do PRTB, questiona o fato de não ter havido "chamamento público", para que outras emissoras tivessem o mesmo privilégio. Fábio Valadão, do PROS, diz que vai levar o caso para o Ministério Público. "Entendo que esse contrato com a Record tem de ser melhor refletido para que o município não seja prejudicado", justifica.

Outro lado

A assessoria do prefeito Edson Moura Júnior diz que o decreto incentiva a cultura no município e movimenta a economia, pois os profissionais das emissoras se hospedam no (único) hotel da cidade e gastam no comércio local. 

Segundo a assessoria, há ainda a obrigatoriedade de contratar mão de obra de Paulínia, mas isso não consta no decreto que embasa os 90% de desconto à Record. Nas gravações da emissora em Paulínia, todos os profissionais de produção e área técnica são da própria Record ou de empresas de São Paulo. De Paulínia, apenas o pessoal da limpeza e segurança.

A Record não comentou o assunto.

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