OUTRO MUNDO

Enquanto HQ é censurada no Brasil, TV dos EUA tem heróis gays para crianças

Reprodução/Disney Channel

Os atores Joshua Rush e Luke Mullen em cena da série infantojuvenil Andi Mack, do Disney Channel

Cyrus (Joshua Rush) e TJ (Luke Mullen) se encaram em cena da série Andi Mack, do Disney Channel

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 12/09/2019, às 05h24

Enquanto Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, tenta censurar a veiculação de uma HQ de super-heróis que conta com um beijo entre dois homens, lá fora a mentalidade é outra: a TV norte-americana tem séries e desenhos voltados para o público infantojuvenil que contam com personagens LGBTQ+. E que estão disponíveis no Brasil.

Atrações da Nickelodeon, do Disney Channel, do Cartoon Network e da Netflix abordam a inclusividade em suas tramas para crianças, como uma forma de combater o preconceito desde cedo. Na maioria dos casos, os personagens são coadjuvantes, escadas para a trama principal.

Foi assim com Andi Mack (2017-2019), série do canal do Mickey Mouse que fez história ao mostrar a saída de armário de Cyrus (Joshua Rush). E também com a nova versão de She-Ra, animação da Netflix que em sua segunda temporada apresentou um casal gay como os pais do personagem Arqueiro.

Um desenho lançado neste ano, porém, colocou um herói gay como protagonista. Trata-se de The Bravest Knight (O Cavaleiro Mais Corajoso, em tradução livre), da plataforma de streaming Hulu. Ainda inédita por aqui, a animação gira em torno de Sir Cedric, um cavaleiro que se casou com um príncipe, o amor de sua vida.

Confira cinco programas voltados ao público infantojuvenil que têm gays no elenco:

reprodução/nickelodeon

Irmã do protagonista, Luna Loud (à dir.) vive romance com Sam Sharp na animação da Nick


The Loud House (Nickelodeon)

No ar desde 2016, o desenho conta a história de Lincoln Loud, menino de 11 anos que precisa dividir a casa com dez irmãs, todas com personalidades bem diferentes. Uma que se destaca é a roqueira Luna, que já se interessou por rapazes e agora vive um romance com a moderninha Sam --é, portanto, bissexual. A animação faz tanto sucesso que ganhou até uma série derivada, The Casagrandes, em agosto.

reprodução/netflix

George (à esq.) e Lance são os pais do Arqueiro, um dos protagonistas da nova She-Ra


She-Ra e as Princesas do Poder (Netflix)

Antes mesmo de estrear, a nova versão de She-Ra já havia irritado os conservadores por causa do visual da heroína, que escondeu os seios fartos dos anos 1980 em um traje bem mais discreto. Mas a showrunner Noelle Stevenson deu um novo golpe nos críticos durante a segunda temporada, ao revelar que Arqueiro, melhor amigo da protagonista, foi criado por dois bibliotecários gays.

Curiosamente, a série inverteu o preconceito ao mostrar que o herói tinha medo de revelar seu lado aventureiro para os pais, que esperavam que ele seguisse a carreira dos dois e levasse uma vida monótona como guardador de livros também. No fim, claro, a aceitação falou mais alto --para bom entendedor...

divulgação/disney channel

TJ (Luke Mullen) e Cyrus (Joshua Rush) chegaram ao fim de Andi Mack em clima de romance


Andi Mack (Disney Channel)

Para acompanhar os novos tempos, a Disney deu um chute no conservadorismo e colocou um adolescente gay na série Andi Mack, sobre uma menina que descobre que a mulher que sempre julgou ser sua irmã é, na verdade, sua mãe biológica --e, portanto, sua mãe de criação é sua avó de sangue.

Além dos dramas familiares de Andi (Peyton Elizabeth Lee), a comédia dramática chamou a atenção por explorar a vida de seu melhor amigo, Cyrus, que se assumiu gay e apaixonado pelo mesmo rapaz de que a protagonista gostava. No fim, ele ganhou um par romântico próprio, o atlético TJ (Luke Mullen) --eles até chegaram a segurar as mãos um do outro, mas não se beijaram diante das câmeras.

reprodução/cartoon network

Episódio especial de Steven Universo mostrou o herói celebrando casamento de Rubi e Safira


Steven Universo (Cartoon Network)

Idolatrada pelo público LGBTQ+, a animação Steven Universo ganhou peso ao representar todo o espectro da sexualidade em seus personagens. No ano passado, foi ao ar um episódio que celebrou o casamento de duas heroínas, Rubi e Safira, com direito a beijo no fim. O capítulo especial foi a segunda maior audiência da série em 2018 e concorre ao Emmy 2019 na categoria melhor animação de curta duração.

divulgação/hulu

Príncipe Andrew (à esq.) e Sir Cedric têm até uma filha, Nia, na animação The Bravest Knight


The Bravest Knight (Hulu, inédita no Brasil)

Lançada em junho deste ano, a animação apresenta as histórias de Cedric, um jovem fazendeiro que cultiva abóboras, mas sonhava em se tornar um cavaleiro. Ele viveu grandes aventuras até conquistar o amor de um príncipe, Andrew, com quem teve uma filha pequena, Nia. No presente, o herói relata tudo o que passou para chegar até ali à menina, que também pretende virar uma guerreira.

A representatividade do desenho chega até ao elenco: o cavaleiro e o príncipe são dublados, respectivamente, por T.R. Knight (o George O'Malley de Grey's Anatomy) e Wilson Cruz (de Star Trek: Discovery), ambos gays assumidos na vida real.

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