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MEMÓRIA DA TV

Em 2002, autor quis bater em Walcyr Carrasco por mudanças em Esperança

DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin deitados no feno com uma parede de pedra ao fundo

Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin foram os protagonistas de Esperança, na Globo

THELL DE CASTRO

Publicado em 15/8/2021 - 6h15

Uma das novelas mais problemáticas da história da Globo, Esperança (2002) viveu uma grave crise interna, que poderia até ter feito seus novelistas chegarem às vias de fato. É que Benedito Ruy Barbosa, que criou a história, teve de se afastar dos roteiros, e a novela foi assumida por Walcyr Carrasco. Mas o autor original não gostou nada de ver o que o substituto fez com seus personagens.

No início, muita gente pensou que a trama seria uma continuação de Terra Nostra (1999), sucesso também escrito por Benedito Ruy Barbosa. Muitos artistas, inclusive, participaram das duas produções, mas em papéis diferentes.

Além de não empolgar o público, Esperança estava com as gravações muito atrasadas. "Os atores estão gravando as cenas apenas dois dias antes de irem ao ar. O normal é que esse espaço seja de cinco dias", explicou o jornal O Estado de S. Paulo de 7 de setembro de 2002.

Benedito chegou a se instalar no Rio de Janeiro (RJ) durante algumas semanas, fugindo das ligações que recebia em seu sítio em Sorocaba (SP), para tentar acabar com esse gargalo e acompanhar a edição ao lado do diretor, Luiz Fernando Carvalho.

"É difícil, porque eu escrevo sozinho, mas estou conseguindo me adiantar outra vez. Eu achava que estava com 10 capítulos de frente e, de repente, descobri que estava atrasado, porque os capítulos vinham sendo reeditados e espichados todos os dias", explicou o autor ao jornal O Globo de 22 de setembro de 2002.

Por causa do atraso, o elenco foi obrigado a trabalhar arduamente. "O roteiro quase sempre sai na véspera do dia marcado para as gravações e, em média, as cenas vão ao ar 48 horas após serem feitas. O jeito é descansar nos intervalos: Ana Paula Arósio chega a tirar um cochilo enquanto espera sua hora de entrar no estúdio", destacou a reportagem.

Antes mesmo de a novela estrear, Benedito não estava num bom momento pessoal. "Eu não queria que a novela fosse ao ar junto com a Copa do Mundo [de 2002, da Coreia do Sul e do Japão] e o horário político. Achei que me prejudicaria. Mas teimaram e fizeram mesmo assim. Além disso, minha mãe estava doente. Eu deixava de escrever para ir ao hospital, voltava para casa chocado, tentava escrever. Foi ficando muito difícil para mim até que, um dia, resolvi parar", declarou ao livro Autores, Histórias da Teledramaturgia, do projeto Memória Globo.

Ultimato e troca

Dessa forma, em novembro de 2002, a emissora decidiu intervir. Após receber alguns ultimatos, Benedito deixou a autoria da trama, bem como suas filhas, Edmara e Edilene, que atuavam como colaboradoras, dando ideias e revisando os textos. Em seu lugar, entrou Walcyr Carrasco, que assumiu a partir do capítulo 149, auxiliado por Thelma Guedes.

A Globo deu a Carrasco a missão de colocar a trama nos eixos e acabar com os atrasos na entrega dos capítulos e, consequentemente, nas gravações. À imprensa, Carrasco prometeu ser fiel ao que estava previsto para ocorrer na trama. "Eu pretendo respeitar ao máximo a história que o Benedito construir, porque ela é magnífica", explicou à Folha de S.Paulo de 6 de dezembro daquele ano.

Mas não foi o que ocorreu. O novo autor mexeu bastante na novela, criando entrechos, incluindo novos personagens e mudando a personalidade de alguns. O Ibope até cresceu, fazendo a produção escapar do título de mais baixa audiência da faixa até então.

No entanto, Benedito, que chegou a declarar que gostaria de finalizar a trama, não gostou das alterações feitas por seu colega e quase tomou uma atitude drástica quando estava com a cabeça quente.

"Quando ele assumiu a novela, deixei de assistir. Se visse, queria bater nele. Na época, liguei para o Mário Lúcio Vaz [então diretor artístico da Globo] e disse: 'Avisa o Walcyr que, quando eu encontrar com ele, eu vou dar porrada, entendeu?'. Ele simplesmente acabou com minha novela. Não terminou como eu queria. Depois, mandou uma carta pedindo desculpas. Coitado! No fim, tudo terminou bem", declarou o autor ao livro A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo, de André Bernardo e Cíntia Lopes.

Aos trancos e barrancos, Esperança foi finalizada por Carrasco em fevereiro de 2003, com 209 capítulos, passando o bastão para Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos, que teve trajetória bem mais tranquila em termos de audiência.


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