MEMÓRIA DA TV

Em 1991, Claudia Ohana quase foi presa na Itália ao gravar cenas de Vamp

Arquivo/TV Globo

Ney Latorraca (Vlad) e Claudia Ohana (Natasha), com visual de vampiro, nos bastidores das gravações da novela Vamp

Ney Latorraca (Vlad) e Claudia Ohana (Natasha) nos bastidores das gravações da novela Vamp

THELL DE CASTRO - Publicado em 15/12/2019, às 06h24

Protagonista de Vamp, novela da Globo lançada em 1991, Claudia Ohana teve sérios problemas para gravar cenas da história em Veneza, na Itália. Ao dançar uma música proibida naquele país, ela e a equipe da emissora foram abordados por policiais e por pouco não foram presos.

Na trama de Antonio Calmon, Ohana vivia a roqueira Natasha, uma vampira de 200 anos que vendeu sua alma ao conde Vlad (Ney Latorraca), líder dos vampiros, para ter sucesso em sua carreira. Ela era perseguida por ele em Armação dos Anjos, cidade fictícia no litoral carioca onde a novela se desenvolvia.

A história começou mostrando cenas de flashback no exterior, e as gravações foram realizadas em Lisboa (Portugal) e em Veneza.

Na primeira parada, na capital portuguesa, a Globo já teve empecilhos. A equipe chegou uma semana antes das gravações para checar as locações, mas o tempo acabou sendo curto por uma série de motivos.

Ao conferir os locais, alguns deles não agradaram e foram necessárias substituições em cima da hora. De acordo com o jornal O Globo de 1º de junho de 1991, a emissora pediu ajuda de autoridades diplomáticas para resolver tudo a tempo.

Posteriormente, seguiram para Veneza, onde os problemas foram ainda maiores. Em uma icônica cena, um dos momentos mais marcantes da novela, Natasha dança músicas sacras do grupo Enigma em uma praça da cidade, em meio aos pombos. Para fazer a coreografia, Ohana ficou vários dias ensaiando no Rio de Janeiro com a coreógrafa Deborah Colker.

O problema é que as canções eram proibidas em toda a Itália, por incomodarem a Igreja Católica, e a equipe de produção não sabia disso. Policiais abordaram a atriz e os produtores, interrompendo as gravações. Com muita conversa, tudo foi resolvido e, apesar dos contratempos, o que foi gravado acabou indo ao ar.

Apesar do início conturbado, Vamp foi um sucesso. A novela acabou atingindo o público infantojuvenil ao misturar comédia, suspense, rock e atores mirins. Para se ter uma ideia, o personagem de Latorraca faria apenas uma participação especial de nove capítulos, mas Vlad fez tanto sucesso que acabou ficando a novela inteira.

"Na primeira cena que gravei em São Paulo, dou uma mordida em Ohana. Eu tinha de olhar para a câmera e dizer 'gostoso', mas na hora troquei por 'gotoso! Gotoso memo', lembrando minha infância. Fiz isso para o personagem estourar. A ideia era fazer um vampiro simpático. Virou coqueluche", contou o ator em seu livro Muito Além do Script.

O sucesso de Vamp foi tamanho que a novela terminou em 8 de fevereiro de 1992 e foi reapresentada pela Globo menos de um ano depois, a partir de 4 de janeiro de 1993, na Sessão Aventura, no período da tarde.

Em 2002, Calmon escreveu mais uma novela sobre o tema, O Beijo do Vampiro, que o público chegou a pensar que seria uma continuação de Vamp --muitos telespectadores protestaram que não queriam isso. No entanto, a nova trama não obteve a mesma repercussão.


THELL DE CASTRO é jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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