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MEMÓRIA DA TV

Em 1984, Zezé Motta sofreu racismo por namorar Marcos Paulo em novela da Globo

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Marcos Paulo e Zezé Motta formaram o casal Cláudio e Sônia na novela Corpo a Corpo, de Gilberto Braga

Marcos Paulo (1951-2012) e Zezé Motta formaram o casal Cláudio e Sônia na novela Corpo a Corpo, de Gilberto Braga

THELL DE CASTRO

Publicado em 7/6/2020 - 5h49

Nos últimos dias, o mundo vive uma onda de protestos contra o racismo, principalmente nos Estados Unidos, em virtude do assassinato de George Floyd, em Minneapolis. Há 35 anos, uma novela da Globo levou para o principal horário da emissora uma importante discussão sobre o tema, através do relacionamento inter-racial entre Cláudio, interpretado por Marcos Paulo (1951-2012), e Sônia (Zezé Motta) em Corpo a Corpo (1984).

Na trama de Gilberto Braga, a jovem arquiteta era filha de Antônio (Waldir Onofre) e Jurema (Ruth de Souza), negros de classe média. Ela começa a namorar Cláudio, filho do rico empresário Alfredo Fraga Dantas, vivido por Hugo Carvana (1937-2014), e passa a ser discriminada pela família dele.

O relacionamento causou polêmica dentro e fora da telinha, incluindo os telespectadores. Na época, Zezé foi muito hostilizada e Marcos Paulo chegou a receber recados mal-educados em sua secretária eletrônica.

"Quando o filho perguntava o que ele tinha contra o pai dizia: 'Não gosto, não quero que você se case com ela porque ela é negra. Não quero netos mulatinhos'. Eu me lembro disso", disse a atriz em 2018, ao Gshow, durante as gravações de O Outro Lado do Paraíso.

Em postagem no Instagram, também em 2018, Zezé falou mais sobre Corpo a Corpo. "O casal causou um rebuliço danado. Os telespectadores que participavam dos grupos de discussão da novela achincalhavam. Vinham com as visões mais preconceituosas. Uma nordestina dizia que mudava de canal porque não podia acreditar que um gato como o Marcos Paulo pudesse ser apaixonado por uma mulher horrorosa [eu]", declarou.

Hugo Carvana interpretou o racista Alfredo na novela

"Outro achava que o Marcos Paulo devia estar precisando muito de dinheiro para se humilhar a esse ponto. Fizeram uma enquete, e saiu em um jornal. Teve um homem que disse: se eu tivesse que beijar essa negra horrorosa, eu chegaria em casa e lavaria a minha boca com água sanitária", completou.

Mesmo amando Cláudio, Sônia chega a romper com o rapaz, em virtude da discriminação sofrida, casando-se com ele somente no final da trama.

Nos últimos capítulos, no entanto, o destino prega uma peça na família Dantas. Alfredo cai do cavalo e sofre fratura exposta na tíbia. Para sobreviver, precisa fazer uma transfusão de sangue urgente.

Adivinhe qual é a única pessoa que tinha o sangue compatível com o dele? Sônia, é claro. Ela faz a doação e salva a vida do sogro.

A atriz participou do Encontro com Fátima Bernardes em 29 de agosto de 2014 e também falou sobre o tema. "Eu faço parte do movimento negro contra a discriminação racial há quase 40 anos, e a luta continua. Ainda temos este tipo de atitude racista", concluiu.

Apesar de não ser tão lembrada, Corpo a Corpo, exibida entre 26 de novembro de 1984 e 21 de junho de 1985 fez sucesso na época e é considerada pelo próprio Gilberto Braga como a sua novela preferida, conforme o autor já declarou em entrevistas.


THELL DE CASTROé jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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