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TREM INFINITO

Com mocinhos falhos e vilões com alma, desenho é Amor de Mãe que deu certo

Imagens: Divulgação/Cartoon Network

Os personagens Tulip do Espelho e Agente Mace estão algemados em cena do desenho animado Trem Infinito, do Cartoon Network

A protagonista, Tulip do Espelho, tenta se livrar do Agente Mace em episódio de Trem Infinito

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 6/3/2020 - 5h13

Quando Amor de Mãe estreou, no fim de novembro, a autora Manuela Dias prometeu que sua novela fugiria do lugar-comum. Não teria mocinhos ou vilões, mas personagens "cinzas", com falhas e qualidades como qualquer ser humano. O que ela não conseguiu manter durante 90 capítulos virou realidade no desenho Trem Infinito, do Cartoon Network.

Na animação criada por Owen Dennis, os mocinhos são teimosos e, muitas vezes, odiados, enquanto os malvados têm sentimentos e atitudes justificáveis. Estão, de fato, em uma escala de tons de cinza --no caso da protagonista, Tulip do Espelho, e dos vilões Mace e Sieve, literalmente cinza, já que seus corpos são prateados.

"Era muito importante para mim que os personagens parecessem humanos. Eu não conheço ninguém que está sempre feliz, ou disponível para os amigos o tempo todo. Às vezes você está, às vezes não. E tudo bem. Os 'vilões' também têm coisas com as quais se importam. A saída mais fácil seria apontar: 'Esse é bonzinho, aquele é mau', mas a vida real não é assim. Todos têm uma flexibilidade moral", aponta Dennis.

A trama de Trem Infinito, apesar de estar em um canal teoricamente voltado para o público infantil, pode confundir até os adultos: a história se passa em diferentes vagões de um comboio sem fim. Cada carro representa um local diferente (florestas, praias, um grande vazio...), e os personagem avançam pelos espaços ao longo das temporadas --que são chamadas de "livros" e funcionam de maneira independente.

Os personagens humanos ainda têm um número brilhante em uma de suas mãos, e o algarismo representa os problemas e conflitos da pessoa. Se ela resolve uma dessas situações, o índice cai. Se ela tem atitudes ruins, ele aumenta. Quando o número chega a zero, o passageiro ganha o direito de sair do trem com a certeza de que se tornou um indivíduo melhor.

No segundo livro, que chega ao fim nesta sexta-feira (6), a protagonista é Tulip do Espelho, um reflexo da personagem que estrelou a primeira fase. Chamada de T.E., ela decidiu deixar a dimensão dos espelhos e se aventurar no trem, e passa a ser perseguida pela Polícia do Reflexo. No caminho, conhece um cervo mágico e o humano Jesse, que parece ser muito animado mas esconde várias incertezas.

Grace, Jesse, o cervo Alan Dracula e Tulip do Espelho, personagens do Livro 2 de Trem Infinito

A ideia para uma história tão surreal surgiu quando Owen Dennis fazia um voo internacional. "Eu adormeci no avião e, quando acordei, sobrevoando o oceano, olhei ao redor e percebi que muita gente estava de olho nas suas TVs de bordo. Achei aquilo tudo muito estranho, fiquei confuso", lembra o criador.

"Eu queria reproduzir esse sentimento de confusão, de estar perdido, então pensei que poderia fazer algo em uma aeronave. Mas percebi que não teria muito espaço para explorar, então mudei para um trem", explica. "Já o número na mão surgiu porque os executivos pediram um cronômetro, uma contagem regressiva."

Lições abertas

Ao longo de suas aventuras pelo trem, os personagens acabam aprendendo com os erros que cometeram no passado para evoluírem como indivíduos. As lições, porém, não são tão explícitas quanto as do clássico desenho He-Man e os Mestres do Universo (1983-1985), em que o herói ultramusculoso aparecia ao fim de cada capítulo para explicar qual era a moral do dia.

"Eu não gosto de quando, no encerramento do episódio, alguém fala: 'Isso foi o que eu aprendi hoje'. Acho que, se eu fizesse isso, os executivos do Cartoon ficariam bem mais felizes comigo (risos). Mas eu prefiro quando a lição é sutil, fica na entrelinha. Isso faz as pessoas conversarem, discutirem o que viram. Prefiro que o público descubra sozinho do que falar na lata o que ele deveria ter aprendido", diz Owen.

Como cada temporada-livro de Trem Infinito aborda um personagem diferente, e os episódios se passam em vagões distintos, a história tem fôlego para durar muitos anos. Mas seu criador informa que já tem um fim previsto para sua jornada pelos trilhos. "Eu tenho uma ideia de como quero encerrar a animação. Mas quem sabe o que vai acontecer até lá?", desconversa.

O norte-americano Dennis confidencia que se diverte ao ver as diferentes versões de sua criação pelo mundo --mesmo que para isso fuja um pouco da lei. "Eu não tenho acesso fácil [às dublagens], então vejo o que encontro na internet, em vídeos que os fãs pirateiam (risos). Queria ter a série completa em todos os idiomas, porque gosto de ver como culturas distintas abordam certos aspectos. Já vi em espanhol e português, achei legal; gostaria de ver em japonês, chinês, seria interessante."

Os dois últimos episódios do Livro 2 de Trem Infinito vão ao ar a partir das 20h, no Cartoon Network. No sábado (7), ao meio-dia, e no domingo (8), às 20h, o canal exibe uma maratona com todos os capítulos da animação.


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