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HUMBERTO BUSTO

Ator se inspira em carrasco nazista para viver político corrupto e gay na TV

DIVULGAÇÃO/A&E

Humberto Busto como Don Sol em El Chapo, série exibida pelo canal A&E

Humberto Busto como Don Sol em El Chapo, série do A&E; ator se inspirou em nazista para político gay

ELBA KRISS

elba@noticiasdatv.com

Publicado em 10/8/2020 - 7h05

O ator mexicano Humberto Busto, 42 anos, chama a atenção de quem confere a série El Chapo (2017-2018), cuja segunda temporada é exibida pelo canal A&E. Na produção, ele dá vida a Don Sol, um político corrupto e gay que faz de tudo pelo poder. O olhar frio e macabro é uma das características do personagem, que foi inspirado em um carrasco nazista. 

"Se tem uma imagem específica [de referência] é a de Joseph Goebbels [ex-ministro da propaganda alemã], do partido nazista. A forma como ele via os demais --há vídeos de arquivos-- e a maneira que ele observava ao seu redor, como mexia os braços, essa imagem forte e quase impenetrável foi a que tratei de integrar conscientemente a esse trabalho", entrega ao Notícias da TV.

Em El Chapo, série que narra a história real de Joaquín Guzmán, um dos maiores traficantes de drogas do mundo, Busto vive um personagem fictício, que representa toda a corrupção em que o bandido se envolveu para sua ascensão e queda. Sol, durante as três temporadas, vai atrás de seu poder maior: a presidência do México.

[Atenção: este texto contém spoilers a partir daqui]

Para isso, ele é capaz até de forjar um casamento com uma mulher para esconder que é, na verdade, homossexual. Em busca de votos, vive um casamento de mentira com uma primeira-dama cativante aos olhos da população.

Na segunda temporada, o público conhece Franco (Juan Pablo de Santiago), um michê com quem o político tem encontros ardentes. A produção não economizou nas gravações de sequências de beijo e sexo do casal. Para o artista, esses não foram os momentos mais complicados na hora de compor seu Don Sol.

"Sou desapegado (risos). A verdade é que me preocupo mais com sequências emocionalmente fortes. Sempre digo que o personagem de Don Sol tem muitas máscaras, que vão caindo uma a uma. Vi uma entrevista da [atriz] Tilda Swinton que me inspirou muito. Ela falava como controlava a máscara na atuação, de como não tem relação com o que você fala, mas com o que oculta. E de que maneira você decide, por meio dessa construção, em que momento cai cada máscara", analisa.

Franco (Juan Pablo de Santiago) e Don Sol (Humberto Busto) em cena de El Chapo (Reprodução/A&E)

"Isso me pareceu mais complicado do que fazer essas cenas [de sexo]. Além disso, o compadre Santiago é meu amigo de muitos anos (risos). Então, era engraçado fazer as cenas de sexo. Acabávamos fazendo sem nenhum problema", entrega.

Para Busto, viver um homem que está destinado a permanecer no armário também traz uma mensagem importante para o público. Afinal, ser quem você não é pode ser algo atroz.

"Sinto que o tema da homossexualidade é algo que caducou, mas que ainda continuamos questionando. Sou apaixonado pelo tema porque tenho muito respeito pela diversidade absoluta e, nesse sentido, acho que a série tem um cenário cruel e macabro, porque estamos falando de um personagem que está lutando", analisa.

"É incrível que ele [Don Sol] não possa se dar conta do mundo em que está preso, um lugar homofóbico, machista, retrógrado e arcaico, e que ele não seja capaz de se defender. Para mim, Humberto, que entendo a sexualidade de uma forma ampla, ver alguém nessa situação, é algo extremamente dramático", completa.

Na série, Busto representa o que há de pior em um representante do povo no governo. Se El Chapo, um dos criminosos mais procurados do mundo, conseguiu fama e poder, foi porque contou com a colaboração de pessoas como Don Sol.

Questionado se interpretar o lado podre do poder o fez desacreditar no governo, o ator faz uma reflexão sobre a situação atual no mundo. "No geral, creio que todos nós temos uma decepção enorme com a política. Mais ainda na América Latina. Ainda mais neste período de pandemia, que não existe a possiblidade de um sistema suficientemente sólido para cuidar das vidas nesses territórios", aponta.

"Tivemos décadas e décadas de massacres, de roubo e interesses modificados. É muito doloroso ver que não existe possibilidade de salvar vidas porque, literalmente, não há dinheiro nos fundos. Temos uma decepção enorme na política", finaliza.

A segunda temporada de El Chapo é exibida às terças-feiras, às 22h, no canal A&E.

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