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O HÓSPEDE AMERICANO

Série da HBO recupera história destruída por descaso de Bolsonaro

Divulgação/HBO Max

Os atores Aidan Quinn e Chico Díaz estão no meio da floresta. O primeiro faz pose heroica e segura um facão, enquanto o segundo faz anotações no caderno e observa um telescópio

Teddy Roosevelt (Aidan Quinn) e Rondon (Chico Díaz) são os protagonistas de O Hóspede Americano

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 25/9/2021 - 6h30

A série O Hóspede Americano, que estreia na HBO Max neste domingo (26), foi pensada como uma obra de ficção baseada em uma história real. Um novo descaso do presidente Jair Bolsonaro com a cultura brasileira, porém, transformou a produção em uma espécie de "registro histórico". É que a trama aborda um evento histórico cujas filmagens foram destruídas no incêndio da Cinemateca Brasileira, no fim de julho.

Sem os documentos originais, consumidos pelo fogo, a única chance que o público terá de conhecer a história real será acompanhando a série de ficção --que, curiosamente, foi gravada em 2018, antes até de Bolsonaro ser eleito.

Em quatro episódios dirigidos por Bruno Barreto, O Hóspede Americano conta a história da visita do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (Aidan Quinn) ao Brasil, e da jornada que ele fez com Cândido Rondon (Chico Díaz) pela Amazônia para explorar e mapear o Rio da Dúvida --posteriormente chamado de Rio Roosevelt em homenagem ao estrangeiro.

A Expedição Científica Rondon-Roosevelt ocorreu de fato, entre 1913 e 1914, e tentou determinar se o rio em questão era um afluente do Amazonas. Os aventureiros enfrentam vários perrengues, e Roosevelt quase morreu em solo brasileiro --especialistas afirmam que a vida do ex-presidente foi gravemente encurtada pela viagem.

Intérprete de Rondon, Chico Díaz ressalta que o então general era um homem que sabia usar a mídia a seu favor. Por isso, filmava suas expedições e as transformava em pequenos documentários, que eram mostrados nos cinemas brasileiros e, muitas vezes, atraíam mais o público do que o longa-metragem exibido como evento principal da sessão.

"Eu tive acesso a esse material fílmico do Rondon, porque ele filmava tudo. Era um aventureiro, mas também um homem da mídia, assim como o Roosevelt. Então, me baseei nesses filmes, que se perderam no incêndio da Cinemateca", lamenta o ator.

Eram milhares de imagens das nações indígenas ainda intactas, preservadas, a coisa mais linda do mundo. Chego a me emocionar aqui pela perda desse material, não só a perda das nações, mas a do material que foi destruído na Cinemateca.

O ator de 62 anos, que atua em inglês na maior parte da série, defende que o brasileiro tem memória curta, e que personagens como Rondon não deveriam ser esquecidos --ou restritos a homenagem como o Estado de Rondônia, que leva esse nome por causa do explorador.

"Eu acho que nós temos que efetivar o resgate da memória e o culto aos nossos fundadores como civilização. Nós somos um povo de quase nenhuma memória. Isso é muito grave! É o que aconteceu com o Museu [Nacional, que pegou fogo em 2018], o que aconteceu com a Cinemateca. São pequenos detalhes de como a prática brasileira nega o passado, não se alimenta dele", filosofa Díaz.

"O Rondon é uma pessoa icônica, é uma figura para ser lembrada dia e noite, ainda mais sendo do Exército. Nós estamos vivendo uma época em que o Exército está querendo cumprir um papel... [Os soldados] deviam mirar-se muito na imagem do Rondon", discursa.

Engajado em questões sociais e crítico ao governo, o ator nascido no México não perde a chance de cutucar o presidente. "E não é só o Rondon, nós temos várias outras figuras que hoje em dia estão sendo esquecidas e serão relegadas ao esquecimento. Estamos vivendo um tempo em que não é bom plantar o que teve de valoroso no Brasil, né? Os tempos são cruéis", alfineta.

Confira o trailer de O Hóspede Americano:


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