OLHO NO LANCE

Paixão nacional, futebol é a bola da vez nas séries de ficção brasileiras

Divulgação/Gilberto Perin

O ator Márcio Kieling em cena da série Chuteira Preta, em que ele interpreta o personagem Kadu

Márcio Kieling é o protagonista de Chuteira Preta, série sobre os bastidores do futebol no catálogo da Amazon

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 21/10/2019, às 04h58

Maior paixão nacional, o futebol poucas vezes foi tema de séries brasileiras. Mesmo produções como (fdp), que a HBO exibiu em 2012, focavam mais na vida de um juiz do que no que rolava no gramado. Mas o panorama começa a mudar: Netflix, Amazon e TNT têm projetos ligados ao esporte em etapas diferentes de desenvolvimento.

No Prime Video, já está disponível Chuteira Preta, série gaúcha que mostra o lado obscuro do futebol. Os dramas giram em torno de Kadu (Márcio Kieling), jogador que fez sucesso na Europa e, depois de uma série de problemas, decide reconstruir sua carreira na várzea.

Ele lida com o pai interesseiro (Kadu Moliterno), a ex-mulher (Karin Roepke) que é capaz até de simular uma agressão para destruir o craque nas redes sociais, a corrupção dos dirigentes de clubes e até os crimes da torcida organizada.

"Eu sou um daqueles torcedores que vai ao campo desde criança e tinha uma ilusão sobre o que era ser jogador. Aí fui crescendo e descobrindo um outro lado", explica Paulo Nascimento, criador e diretor da série, rebatizada de Dark Soccer (Futebol Sombrio) no exterior. O título em inglês, julga ele, é mais do que apropriado.

"A corrupção no esporte é algo mundial, mas essa história do garoto pobre, que vira milionário da noite pro dia é muito nossa, muito latina. Como lidar com todo esse dinheiro sem ter estrutura para isso? É problema em cima de problema", provoca ele.

A atração foi originalmente transmitida pelo canal pago Prime Box Brazil em julho, mas o streaming da Amazon comprou os direitos de exibição para toda a América Latina. "Agora, estamos alcançando um público novo, porque nem todo mundo podia ver na TV. No streaming você assiste na hora que quiser", valoriza o diretor.

Maior rival do Prime Video, a Netflix também prepara uma atração futebolística para chamar de sua. A roteirista Elena Soarez está por trás de Futebol, drama que conta a história da relação intensa entre dois jogadores, Toró e Pantera, dois meninos pobres de 15 anos que são escolhidos entre uma multidão para integrar a categoria júnior do maior time brasileiro, o Carioca Futebol Clube.

"Da palavra 'futebol' saiu uma provocação. O Luciano [Moura, cocriador] já tinha ideias, mas não queríamos só contar uma história de futebol. Então surgiu a ideia de falar sobre o que acontece depois que você alcança a glória. Você está condenado a declinar pro resto da vida, porque passa a viver o reverso da glória. Mas e quando você chega ao auge muito cedo? Isso é o que nos interessou", conta Elena, que esteve por trás de outra produção da Netflix, a controversa O Mecanismo.

No embalo do Brasileirão

A TNT também mira o futebol, mas por uma razão bem específica: neste ano, o canal da Turner começou a transmitir partidas do Campeonato Brasileiro e tem batido recorde de público com a bola rolando. Uma série de ficção que mantenha esses novos telespectadores sintonizados é o projeto dos sonhos dos diretores.

"Obviamente já miramos nosso radar para histórias no mundo esportivo, especialmente no futebol. Temos alguns projetos que estão nesse universo, é uma oportunidade de ver o que significa o alcance da massa. Não só no Brasil, mas no México, em outros países", adianta Marcelo Tamburri, vice-presidente de Conteúdo do Grupo Turner para a América Latina.

"Queremos entender melhor esse público, as outras coisas de que eles gostam. O que nós precisamos pensar é que a TNT e os canais Turner estão cada vez mais abrangentes, atingindo pessoas diferentes. Existia um preconceito de achar que o cara do futebol só vê isso, mas descobrimos que não é o caso. Temos agora uma boa experiência com o Tá Pago [talk show de Leandro Hassum] e estamos desenvolvendo outros projetos que peguem esse telespectador, que ele bata no canal e fique", completa Silvia Fu Elias, diretora nacional de conteúdo da Turner.

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